Crônica de quinta por Raul Tartarotti

  • Futuro do pretérito!

    As cores revelam significados marcantes e frequentes na demonstração de nossos atos, e alguns desejos mais enfáticos associam intensidade única para estruturar aquela manifestação ativa que transborda em um ato contra outro indivíduo, ou por vezes, a nós mesmos.

    Pode ser quando estamos à beira de um ataque de nervos, ou enchendo os olhos de lágrimas, e nossa solidão repudia qualquer um que queira adentrar em nossas vidas e trazer medo e tristeza.

    Eventualmente não são pessoas do mau que nos cercam, como não o foram aqueles estrangeiros a cavalo, agentes do faraó do Egito, Alexandre.

    Por insistência deste, aqueles homens atravessaram fronteiras e grandes distâncias, correndo riscos de ataques dos punhais de ladrões, ou contágio com doenças doloridas e mortais, na busca por objetos secretos mais bem guardados pela corte egípcia. Os camponeses os observavam com desconfiança e medo, porque a experiência lhes ensinara que somente gente perigosa viajava, ou seja, soldados, mercenários e traficantes de escravos. Naquele caso, em meio a tanta dúvida e maledicência, os homens de confiança do rei tinham outra missão, muito mais nobre para a época, eles procuravam livros por ordem de sua majestade. Esses usavam a enorme vantagem de seu poder absoluto para enriquecer sua coleção. O que não podiam comprar, confiscavam. Se fosse preciso fatiar pescoços dariam tal ordem justificando que o esplendor do país era mais importante que os pequenos escrúpulos. Na época daquele grande projeto alexandrino, não existia nada parecido com o comércio internacional de livros. O Senhor das Duas Terras, um dos homens mais poderosos da época, daria a vida (a dos outros é claro; com os Reis sempre foi assim) para reunir todos os livros do mundo em sua Grande Biblioteca de Alexandria. Ele perseguia o sonho de construir uma biblioteca absoluta e perfeita, a coleção que conteria todas as obras de todos os autores desde o princípio dos tempos.

    Esses objetos especiais nos levam ao ponto de partida e ao coração agitado pelo evento da primeira leitura, como definiu Marguerite Duras, passando o infinito ao futuro do pretérito e depois ao subjuntivo, como se sentisse o solo rachando sob seus pés.

    Nada mais humano do que flutuar pensamentos de divagam em nossas redes neurais mais agitadas. O que nos vale ter em mãos é a sensação de que se no ano passado morremos, no atual estamos bem vivos.

  • Mais lúdicos e sutis!

    Na história do Reino Unido, a era vitoriana foi o período do reinado da Rainha Vitória, de Junho de 1837 até sua morte em Janeiro de 1901. 

    Aqueles foram árduos anos para o povo famélico que andava pelas ruas difíceis e vazias. 

    Muitos homens não tinham casa para dormir e se reuniam com outros, em espaços exíguos, para respirar e descansar. 

    A pobreza da época em Londres fazia com que o povo optasse por dormir em caixões do tamanho de seu corpo, caso tivesse como pagar quatro centavos por noite, e ganhavam cobertores feitos de plástico. 

    Se o cidadão tivesse em seu bolso, somente dois centavos, a única opção seria sentar em um banquinho e pendurar-se com os braços, em uma longa corda, que impediria de cair caso adormecesse. 

    A mesma corda segurava outros pobretões esfomeados que tinham tão pouca saúde, quanto dinheiro em seus casacos rasgados.

    De qual lamúria ou incômodo você se compara com aqueles que tentavam sobreviver em tempos onde pouco se tinha, inclusive esperanças?

    Vivemos embriagados com ofertas consumistas e estéticas da última moda, com intenso apego ao valor monetário das vidas que cruzam nas redes sociais ou com os carrões coloridos que se mostram nas esquinas mais limpas, parecendo desfile de Carnaval fora de época.

    A geração da ressaca de dois centavos, assistiu a palavra tornar-se associada ao álcool no século passado. 

    Ela apareceu pela primeira vez no vocabulário inglês no século XIX como uma expressão para descrever negócios inacabados de reuniões, mas foi somente em 1904 que a palavra começou a surgir em referência ao álcool. 

    Na realidade, o significado relacionado ao álcool é um desdobramento de seu conceito anterior, para se referir a negócios ruins ou às consequências de outros eventos.

    Há uma expressão em inglês que diz o seguinte: “he could sleep on a clothesline”, que significa que uma pessoa pode dormir em qualquer lugar. 

    Podendo ser daqueles lugares para passar a noite que a expressão se originou.

    Diferente daquele povo, ao despertar todos os dias, poderíamos ter a mesma sensação de um garoto cigano que vive num vilarejo das colinas da Transilvânia. 

    Que assiste cavalos e carroças descerem a estrada, vacas voltando devagar para o vilarejo no cair da noite, e durante o dia perseguir patos e filhotes.

    Histórias como essas de momentos sanguíneos, merecem consternação, assim como os mais lúdicos e sutis, que nos servem para exercitar a vida entre um respirar e outro.

  • Ato saudável

    Minha vida vai muito além das limitações do eu.

    Subir os degraus de qualquer monumento todas as manhãs, me traz a oportunidade de tudo ficar claro. 

    Seria bom passar esse brilho aos olhos dos outros. Está tudo incrivelmente bem, e agora entendo que os limites entre ruídos e sons, são convenções, e todos estão à espera da transcendência. 

    É possível transcender qualquer convenção se você imaginar que pode fazê-lo. Por isso entendo que minha vida vai muito além das limitações do “eu”.

    Ser, é ser percebido, portanto, conhecer a si mesmo só é possível através dos olhos dos outros a natureza de nossas vidas mortais está nas consequências de nossas palavras e ações que continuam a se perpetuar ao longo dos tempos.

    Talvez haja um mundo melhor esperando por nós e que não estejamos mortos por muito tempo.

    Nossas vidas não são só nossas, do útero ao túmulo, estamos ligados uns aos outros. No passado e no futuro, em cada crime e em cada bondade, renascem as esperanças.

    A morte talvez seja apenas uma porta, e quando uma se fecha, outra se abre. Se não pudermos imaginar o céu, imaginemos uma porta se abrindo, e atrás dela, estará a esperança.

    Se um dia você encontrasse com a criança que já foi, aquela pessoa insegura, inexperiente, frágil e esperançosa por carinho, abraço e amor, o que você diria a ela para que pudesse chegar em seu hoje bem melhor?

    O que não vale é mentir sem sentido como descreveu brilhantemente Jean Jacques Rousseau em seu frenesi no último livro chamado “Devaneios do Caminhante Solitário”. Ele escreveu que “Mentir para vantagem pessoal é impostura, mentir para vantagem de outra pessoa é fraude, mentir para prejudicar é calunia”. “Mentir sem proveito ou prejuízo para si ou para outrem não é mentir”. 

    É ficção. 

    Não se poderia dizer que alguém mente quando dá dinheiro falso, a um homem a quem não deve”.

    Com tantas possibilidades em mentir, creio que devemos procurar ser sempre verdadeiros, e correr os riscos desse ato saudável por nossas almas.

    O universo não responde à ansiedade, ao desespero, à pressa. Ele responde à confiança, ao equilíbrio, e à entrega.

    Quanto menos você força, mais tudo acontece.

    O mundo não deve nada a você, então assuma a responsabilidade pela sua vida.

  • Capacitismo

    A discriminação e o preconceito social contra pessoas com alguma deficiência, são vistos como normais em sociedades desinformadas ou mal-intencionadas, e essas pessoas são entendidas como exceções; eles creem que a deficiência é algo a ser superado ou corrigido, se possível por intervenção médica.

    Um exemplo de postura inadequada, é dirigir-se ao acompanhante de uma pessoa com deficiência física, ao invés de dirigir-se diretamente à própria pessoa.

    Atitudes renascentistas como essa, desfilam nos lares das cidades que as acolhem, ocupados com números, objetos, teorias preconceituosas, ou por vezes, nada.

    A história nos mostrou que os franceses condenados, nos anos de 1757, eram levados a praça pública para cumprirem sua punição no fogo, cera e enxofre, porem menos de cem anos depois, o vigiar e punir, foi  transformado em treinamento aos detentos, com disciplina, e frequência às aulas, em dois períodos diários, sendo uma demonstração de progresso e desenvolvimento humano. Naquela França do século XVIII, era clara a evolução das mentes, voltada para um objetivo, a busca da inserção social. E cada sociedade se constituiu, no desejo de ser acolhida como um entendimento ao progresso intelectual de seu povo, sem desfile de capacitismo.

    Hoje assistimos o povo Afegão batendo de frente novamente com o islamismo, praticado ao pé da letra pelo Talibã, esse mal milenar. As mulheres voltam a perder seus direitos, o povo se vê oprimido, e o poder se instaura de forma retrógrada e destruidora.

    O estilo fiscalizador do talibã, pune radicalmente seus opositores, e anuncia cumprir a cartilha da Sharia, com bases ditatoriais.

    Estabelece as mesmas antiquadas regras e tabus de convivência, com armas em punho, sem direito a suplício.

    O que o Talibã faz, segundo o professor, Atilla Kus, mestre e doutorando em Ciências da Religião pela PUC-SP, é se utilizar dos conceitos religiosos, para justificar condutas e aglutinar apoio entre segmentos de sociedades que vivem no islamismo.

    No imaginário ocidental, a Sharia é descrita como uma tradução literal da lei islâmica, tal como está escrita no Alcorão, o livro sagrado da religião muçulmana para a vida cotidiana.

    Foi utilizada para justificar a proibição de meninas e mulheres, estudarem ou trabalharem.

    Vendo aqui esse movimento similar ao capacitismo, cada um a sua intensidade e interesse, sabemos que é desumana a relação com as supostas interpretações de quem o pratica, sejam contra os deficientes ou às mulheres afegãs, classificando-as como criaturas inferiores.

    O que nos resta é denunciar grupos deformados mentalmente como o talibã, atrasados socialmente, azedados pelo sangue em suas mãos sujas e carregadas de morte, que deveriam se esfacelar de nosso convívio.

    Lamento incluir esse clã na raça que faço parte no planeta azul, que de tanto girar não consegue soprar com seus ventos secos e nobres, essa lama de maus exemplos de convívio.

  • Trevas de nossas dúvidas!

    As coleiras com espinhos, consideradas um dos primeiros dispositivos de proteção para cães, foram criadas na Grécia antiga.

    Apesar de parecerem rudimentares pelos padrões atuais, essas coleiras cumpriram um papel essencial na segurança dos cães da época, especialmente contra uma das maiores ameaças: os lobos.

    Na Grécia antiga, os cães eram usados para diversas funções, como pastoreio e proteção. 

    No entanto, os ataques de lobos, representavam um risco constante. 

    Para proteger os cães, os gregos desenvolveram uma solução engenhosa: a coleira com espinhos. Esse dispositivo era feito com pontas afiadas que se projetavam para fora, formando uma barreira física ao redor do pescoço do animal.

    Quando o lobo tentava atacar, os espinhos dificultavam o acesso ao pescoço do cão, prevenindo ferimentos graves e aumentando as hipóteses de sobrevivência. 

    Essa proteção não só garantia a segurança dos cães, mas também melhorava sua eficiência nas tarefas diárias, essenciais para a vida cotidiana da época.

    O “design” dessas coleiras reflete a criatividade e a praticidade dos antigos gregos, que buscavam soluções eficazes para os desafios que enfrentavam.

    Embora as coleiras modernas ofereçam novas tecnologias, as mais antigas com espinhos Gregos, representam um marco importante na história dos equipamentos de proteção animal. Elas mostram como a preocupação com a segurança e o bem-estar dos animais é uma prática que vem de longa data, destacando a evolução e a importância da inovação ao longo dos séculos.

    De volta para o futuro, observamos a existência de coletes fabricados em fibra de carbono, a prova de balas, facadas, porretes e espinhos. Eles fornecem proteção ao homem e são muito leves para transportar, sendo assim são o topo da proteção de vidas humanas, fragilizadas imensamente pela violência desmedida.

    Que coleira ou colete você imagina que possa lhe proteger do bombardeio das pessoas dizendo para fazer mais, ser mais e comprar mais, ao invés de nos dizer como levar uma vida melhor e mais feliz. Nos tiram do sério quando dizem para ignorar os sinais de alerta de que a vida está levando a melhor sobre nós. É sempre bom ouvir um “Você Consegue”, ao invés do frequente “desista, não é para você”.

    Eventualmente uma ajuda bem que viria a calhar, principalmente quando estamos enrolados com trevas de nossas dúvidas.

  • O Último Azul

    Qual é o maior pecado que devemos temer em face de nossa caminhada escaldante, que por vezes é gélida de emoções? 

    A certeza.

    Essa é a grande inimiga da união entre os povos, e da tolerância que espreita nossos atos mais dignos.

     Quando Jesus estava na cruz também não teve certezas, por volta das três da tarde bradou em voz alta: Eloí, Eloí, lema sabactâni? 

    Que significa: “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?”

    O que realmente nos mostra o valor de seguir com o melhor do entendimento humano, é a fé naquilo que imaginamos ser correto, ou acreditamos ser o melhor caminho para trilhar junto aos nossos mais próximos. 

    A dúvida, que promove a contínua busca pelo auto descobrimento, se torna o estopim na procura pelo sentido da vida. 

    Se houvesse somente a certeza e nenhuma dúvida, não haveria o mistério que cerca a esperança mais digna de esforço. 

    Não teríamos fé em nada, em nenhuma possibilidade de dissimulação, sem continuar duvidando do que se apresenta como certo a frente de nossos olhos. 

    Para pedirmos perdão depois de um erro e sermos humildes no entendimento do que se passa, basta não aceitar como os acontecimentos ocorreram e se permitir seguir mais leve.

    Por vezes somos exigidos a sermos fortes e de ferro, porém, somos feitos de carne e osso, por isso a resiliência é um ato muito humano.

    Mesmo aos 77 anos de vida suas oportunidades desfilam a frente para que no estender de seu braço, sejam escolhidas a esmo, e se tornem a próxima experiência, a ser vivida a partir de seu olhar construído até então. 

    Como mostra o filme‘ O Último Azul’ que ganhou o Leão de Prata no último festival de Berlim, e trouxe á tona o direito de sonhar e a crença de que nunca é tarde para encontrar um novo significado na vida, da importância em reeducar o olhar para um tema tão urgente. 

    O filme conta sobre o sistema perene, criado pelo Governo brasileiro, de isolamento vertical compulsório para idosos com mais de 80 anos, ficarem confinados em uma colônia.

     Teca, representada pela atriz Denise Weinberg, tem 77 anos e mora na aldeia de Muriti, na Amazônia, quando é surpreendida pelo anúncio da redução de trabalho por idade, inclusive de sua faixa etária. 

    Encurralada, ela faz uma intrigante viagem escondida dos oficiais em meio a rios, barcos e o submundo, para tentar realizar clandestinamente seu último sonho, fazer um passeio de avião. 

    Imagino que você esteja escolhendo sua próxima aventura em sua tenra idade, ou talvez, na mais rica de todas.

  • Seu próprio molde!

    A lagosta se esconde embaixo das pedras quando sua concha está apertada. Essa condição a provoca providenciar uma nova proteção, porque seu corpo cresceu. Nossas vidas apresentam situações de muito estresse e desconforto, e rapidamente buscamos um remédio ou conforto. 

    Mas, na verdade, esse momento tenso é uma transição para o crescimento pessoal, após uma análise e profundo entendimento do que se passa em nossas mentes, porque naquele instante não possuímos a noção de uma resposta, e, nessa altura, passamos a entender onde é nosso novo lugar, e como chegar lá.

    Uma vez tivemos 15 anos, e observávamos a passagem dos dias com leveza, despreocupados com maiores problemas, éramos um livro a ser preenchido com experiências, que nos valeram a oportunidade de errar sem culpa, moldar nossa personalidade com vida, mudanças boas e ruins, porém, intensas e marcantes.

    Muito diferente do chamado “método Fiorelli”, que serviu de técnica para moldar corpos no fatídico ano de 79 d.C., quando o Vesúvio libertou sua fúria sobre as cidades romanas de Pompéia e Herculano, e enterrou sob uma pesada camada de cinzas e escombros vulcânicos, centenas de pessoas nas mais diversas posições, eternizadas naquele triste evento.

    Os habitantes não conseguiram escapar, e ficaram imobilizados sob toneladas de material incandescente.

    Com o passar dos séculos, seus corpos desapareceram, deixando vazios na rocha solidificada que se formou sobre eles.

    Foi no século XIX que os arqueólogos, explorando as ruínas de Pompéia, descobriram um método engenhoso para moldar esses buracos.

    Enchendo-os com gesso líquido, eles conseguiram criar figuras que capturavam com fidelidade os últimos momentos das vítimas.

    Essas esculturas espontâneas mostravam suas posturas, seus gestos e até detalhes de suas roupas e poses.

    A técnica foi atribuída a Giuseppe Fiorelli que foi quem permitiu que a tragédia se mostrasse com uma intensidade surpreendente.

    Os moldes revelam fragmentos de humanidade detida no tempo: famílias abraçando-se no medo, corpos que tentaram fugir do inevitável e outros que procuravam refúgio diante da tempestade ardente.

     Não perca a oportunidade latente de você fazer seu próprio molde, caso contrário, mais tarde, vai sobrar somente o lugar para o gesso.

  • Nossa frágil condição humana!

    Histórias e piadas contadas por nossa família e amigos, invariavelmente nos fazem rir, mas se forem das boas. Observando no detalhe, elas contam histórias sobre o mal, ou de uma desgraça alheia. 

    A bondade não tem graça nenhuma, somente se ao final a história virar um desastre. 

    O filósofo francês Henri Bergson disse que o cômico exigia algo como uma momentânea anestesia do coração. “O riso não tem maior inimigo que o coração”, por isso rimos do mal para que ele não nos atinja.

    Uma das piadas que os judeus contavam na Alemanha nazista, era sobre o que um comandante da Gestapo dizia a um judeu: “Vou te dar uma oportunidade de viver, se adivinhar qual dos meus olhos é de vidro”. 

    O Judeu responde de imediato — É o esquerdo.

    O oficial admirado pergunta — Como é que descobrisse?

    E o Judeu respondeu — É o que parece menos humano. 

    Pode parecer surreal, no entanto, é uma manifestação bastante profunda nas mãos de todos que se confrontaram com o mau absoluto, que o fizeram mais por necessidade do que provocação. 

    Na União Soviética a piada frequentemente contada era a seguinte: “Sergei, arranjei um emprego, vou para o cimo daquela torre, e meu trabalho é tocar essa corneta quando a revolução triunfar. Pagam-me um rublo por dia”.

    “Ivan, isso é pouquíssimo “.

    “Eu sei, mas é um trabalho para a vida toda”. 

    Eles riem do mal, do bem, ninguém rí, para quê? 

    Mesmo histórias curiosas que resultaram num final trágico, por consequências em suas entrelinhas, parecem uma ironia do destino. 

    Como ocorreu com o Ditador, Ex Presidente da República Portuguesa, Antonio de Oliveira Salazar, apegado ao poder, de onde emanou ordens dramáticas e doloridas àquele povo sofrido, acabou por encontrar um final mortal inesperado, em sua trajetória humana. 

    Uma história com ares de ópera-bufa, se imaginarmos que o ditador foi derrotado por uma queda ao chão. 

    Em 1968, Salazar gozava férias em Santo António do Estoril, e sentado em uma cadeira que não se sabe se em falso ou quebrada, ou estrategicamente fora do lugar, levou o ditador ao chão, onde bateu a cabeça com violência no piso da pedra. Teve um hematoma cerebral e não se recuperou do trauma. Morreu dois anos depois. Conta-se que ele jamais soube que não era mais o presidente do Conselho de Ministros e que a equipe de governo se reunia em sua presença, para encenar reuniões e decisões. 

    Nossa frágil condição humana limita uma rota a todos, muito similar a fraqueza de seus pares e a finitude que nos acompanha. 

    Mas o dolorido é quando os meses e anos escorrem pelos dedos, e chegando a velhice, se vê que não saiu do lugar.

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