De tudo o que não sei dizer

  • Poema #06: De tudo o que não sei dizer

    Se te olhasse de novo, te perceberia
    Se eu soubesse enxergar, ah, se soubesse…
    Quão terrivelmente felizes
    Seriam meus dias

    Temo não saber o depois.
    Pois quem nunca se perguntou…
    “E agora, o que vem”?

    Deixo vir.
    Mas temo…
    Não saber receber.

    Temo a teima de não saber
    Ser para saber.
    Temo ter de temer, e temer…
    E não viver outra coisa,
    Não ver a beleza,
    Fazer do outro jeito,
    Viver ao contrário,

    Não acertar nunca,
    Estar sempre ocupado
    De erros e não saber fazer
    Outra coisa senão ser.

    Mas se eu soubesse te ver
    Bastaria um olhar.

    Atravessado por um longo suspiro
    Ver-te-ia.
    Como se fosse a mais bela
    Maneira de errar.

    E desejaria que em todos os meus confusos desejos
    Não sobrassem acertos.
    Te teria em meus segredos
    E através de tais erros
    Não haveria mais medo, nem dúvida
    Coisa alguma que não fosse
    Sem jeito,
    sem tropeço

    Sem ter onde cair e me levantar.
    Desejaria esta vida
    E não outra.

    E por desejar esta,
    E não aquela,
    Não teria de ver assim, pelos olhos
    De quem sabe tudo
    A miséria,
    A quem errar lhe pareça tamanho absurdo
    Que se atam os olhos
    Para nunca ver transbordar a vida
    No olhar.

    Pois é assim que vivo:
    Ao meu ver,
    Sem saber e sem querer.
    Quando queres, aprisiona-te.
    Pois precisas ver.
    Quando enxergas, então sabes como amar.

    E por viver assim,
    Quiçá fosse o fim
    E tu, serias o começo.
    E pelos meus primeiros erros
    Saberia, enfim, a quem olhar.

    E por te olhar assim não sobraria a pressa.
    A vista seria o preço.
    E a ti, infinda razão de meus erros,
    Achegar-me-ia
    Para onde te pudesse enxergar.

    E por tua chegada
    Contar-te-ia tudo o que, por acaso,
    Me fizeste ver.
    Não restaria outra coisa.
    Quando chegaste, me fizeste aprender a amar.

    E por ver o amor, voaria
    E passaria os meus dias
    A amar tudo o que, pela falta de ti,
    Não via;

    E na evidência de tamanhos erros
    Não restaria outra coisa a se ver.

    Se por amar-te estivesse, assim, errando,
    Escolheria errar todos os dias,
    E em todos eles,
    Errar te amando,
    E te amar.

    Quando amo, entregam-me os olhos.
    Já não detém-me o discurso e
    Não prefiro mais a palavra.
    Basta-se a ponta do sorriso,
    Basta-se a força da risada.

    E desse modo, percebendo-te, vi
    Que tudo o que mais temia
    Era ver o que não sabia como.
    Mas tu, só tu
    Sempre me alcançavas.

    Não importa se demoras…
    Cada hora sempre atinge seu lugar.

    Quanto a mim,
    Agora que a vejo, já não mais me enganam os
    lábios:
    Só aprendendo a ver, com você,
    Tive onde o amor
    Encontrar.

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Desative para continuar