Nada vem por acaso. Acredito no destino, fé e sorte. O que tem de ser será. Marcelo saiu com a mãe para passear. Foram ao restaurante do avô, para visitá-lo e brincar com os primos e amiguinhos que moram nas redondezas, no bairro Antônio Bezerra. Lá, entre brincadeiras, meu filho viu uma gatinha abandonada, que ronronava com ardor, pedindo carinho. Marcelo pegou a pequena e não queria mais soltar. Levou-a à mãe, para mostrar a novidade. A mãe de cara se apaixonou. Todos viam que a gatinha era meiga, carinhosa e precisava de um lar. Mayara logo me mandou mensagens pedindo para trazer a gatinha para a nossa casa. “Mas, Mayara, já temos dois adultos. Não dá certo. Não insista”. Marcelo mandou áudios, dizendo que queria muito e que seria seu presente de aniversário – falta um mês para o grande dia dos seus cinco aninhos. Pegou o pai de jeito. Encarreguei-me de falar com a avó. Também não queria. Mas aí eu já considerava o caso e servia de advogado do meu filho. Amo bichos, nossa casa poderia receber mais um bichano, sim. Expliquei à minha mãe, que mora conosco, e que também deveria aceitar ou não, que a pequena gatinha seria vacinada e banhada no dia seguinte. Minha mãe permaneceu reticente, impondo condições. A gata não poderia ficar circulando em casa, até aprender onde devia fazer cocô e xixi. A gata não poderia sair do perímetro do banheiro. A gata não poderia, ainda, se aliar aos outros gatos. “Meu filho, os gatos já estão estragando o sofá. Mais um gato será o fim”. E indicou mais algumas restrições, com as quais concordamos. Pronto, a matriarca aceitou. Ficamos animados, eu, o meu filho e a Mayara. A gatinha chegou em casa cansada, mas, desbravadora, queria conhecer a sua nova morada. Logo ele me disse que tinha colocado o nome de Dulce Maria, por influência de uma pessoa que estava lá e era fã do RBD. Eu acabei gostando do nome, porque representa Doce Maria. Constatei que realmente ela era muito carinhosa, doce, uma menina que viria para somar. Marcelo, enfim, com o seu amor, nos convenceu de que deveríamos ter mais um membro na família. No sábado de manhã cedo levamos à veterinária, fizemos exames e demos vacinas. Resultou tudo certo. A gatinha era saudável, mas estava magrinha por conta da vida mundana. A médica avisou que ela poderia ficar molinha esse dia. Passou suplementação alimentar, para ganhar logo peso. Disse que ela teria de três a quatro meses e que o peso de um quilo e seiscentos gramas estava muito abaixo da média. Foi um dia puxado para a gatinha, então passou o resto da tarde dormindo – mas feliz e esperta em alguns episódios. E, hoje, um dia depois, nos admiramos e nos encantamos com a bela surpresa que a vida nos proporcionou.