guidão

  • Tudo muda

    Um estalo e tudo muda. Bruna saiu de casa muito cedo, para ir ao treino na academia. Não tomou o café da manhã direito. Precisava ir rápido para poder, depois, trabalhar. Muita pressa para uma vida tão curta. E ela que tanto defendia o cuidado com o tempo… Na volta, bateu a moto num carro parado. Distração. Apagamento. Não se sabe. O braço esquerdo firme no guidão aparou o impacto. Saltou da moto de ponta-cabeça. Uma queda abrupta, violenta, que distorceu os sentidos. Ficou estirada no chão. Chorou e gritou de dor. Logo os passantes se juntaram para ajudá-la. Aliás, uns curiosos espiavam, outros perguntavam sobre o ocorrido; e ninguém sabia respostas. Seu marido chegou e tentou acalmá-la, com carinhos no rosto, apavorado com as pernas raladas e o punho da mão esquerda inchado. Ela perguntou, copiosamente chorando, por que ele demorou tanto. “Meu amor, eu não sabia onde você estava. Fiquei tentando localizar, ligando para o escritório em que você trabalha”. A ambulância demorou mais de uma hora. O guarda de trânsito, que tentava aparar o tumulto, disse que era assim mesmo, porque aparentemente não era nada grave. Sol quente, a pino. Um guarda-chuva foi colocado sobre ela, emprestado pelo funcionário da clínica ao lado, para amenizar o sofrimento. O próprio funcionário que ajudou era o dono do carro avariado pela batida. Muito gentil, ficou segurando o guarda-chuva, até a ambulância chegar. Os paramédicos, muito concentrados no seu serviço e atenciosos, constataram uma fratura no punho, preliminarmente. As pernas arranhadas sangravam. Parecia, para quem visse pela primeira vez, que teria fraturado mais partes do corpo. O marido mesmo, quando chegou, teve um susto tremendo, achando que a esposa estava gravemente lesionada – demorou tempo para entender. No hospital, mais muitos minutos, e o atendimento médico ocorreu. Os paramédicos esperaram até o atendimento, era obrigação de ofício. O médico pediu raio-x e ultrassom, pra averiguar em detalhes. Antes de tudo, deveria tomar a medicação para dor. Doía muito, Bruna mal podia mexer o braço, achando até que teria afetado a clavícula. Mais uma hora e conseguiu fazer o bendito raio-x. Constatada a fratura em dois ossos da mão esquerda. A previsão, segundo o médico, era de que teria de fazer cirurgia, que só seria marcada em dois dias. Deveria ficar de repouso extremo no período que antecedesse a cirurgia. Na hora de colocar a tala, o médico teve de puxar a mão para ajustá-la na junta. Gritos e choros estridentes. Quem estava perto se compadeceu. Somente às 17h30min chegou em casa, recebida calorosamente com um beijo e um abraço do filho – que também chorou, com pena da mãe. Tomou banho e depois jantou devagar, para logo dormir e sonhar com sinceras explicações. “Meu Deus, muito obrigada!”, ela falou, antes do sono bom.

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