Um homem para no posto de gasolina e entra na loja de conveniências para comprar cigarros. A menina que o atende chama atenção. É loura, bonita e tem um sorriso angelical. Ele olha para o crachá: Claudette. Tenta puxar assunto.
— Não nos conhecemos de algum lugar?
— Acho difícil.
— Difícil, por quê?
— Eu me lembraria de você.
— É?
— É.
— Sou tão notável assim?
— Ô…
— Você também chama a atenção, de tão bonita.
— Preferia que não.
— Por timidez?
— Por conveniência mesmo.
— Não entendi.
— Não estamos numa loja de conveniências, então…
— Você tem ótimo humor, Claudette.
— Como você sabe meu nome?
— No crachá. Claudette com dois “t”.
— Ah, é mesmo, tinha esquecido…
— Claudette, bonito nome. Vem cá, que horas você sai do serviço?
— Pra que quer saber?
— Queria te convidar para uma cervejinha.
— Não costumo beber com estranhos.
— Posso me apresentar a você.
— Estou falando de caras estranhos, esquisitos.
— Como você é difícil, Claudette.
— Só não gosto de enrolação.
— Como assim?
— Você está a fim de me comer, né?
O hom em faz cara de espanto. Olha ao redor para se certificar de que ninguém está ouvindo. A loja está vazia. Melhor assim.
— Se quer me comer, por que não fala logo?
— Papo reto, Claudette?
— Isso, não curto enrolação.
— Ok. Quero te comer, sim.
— E quem disse que eu quero?
— Mas não foi você quem propôs?
— O fato de propor não quer dizer que estou a fim.
— E você está a fim, Claudette?
— Sei lá, nem te conheço direito.
— Foi você que disse que a gente tem de ser direto.
— Sou assim. Mudo rápido de opinião.
— O que você sugere, então?
— Não sei, acho que tem de rolar uma conexão primeiro.
— Ok. Podemos tentar. Vem cá, Claudette, nós não nos conhecemos de algum lugar?