luciano fortunato

  • Raul Seixas: A Trilha Sonora da Minha Vida

    1968 – Raulzito e os Panteras

    É um disco da Jovem Guarda, com características e sonoridade próprias do movimento: letras ingênuas e guitarras bem ao estilo dos grupos de rock do exterior, sobretudo os Beatles. Particularmente é um disco que não me atrai se comparado ao que viria depois dele. Mas nem por isso deixa de ter músicas bonitas como no caso de “Dê-me tua mão” e “Menina de Amaralina”. Comercialmente, o disco foi um fracasso em todos os sentidos. Mas se por um lado não aconteceu do jeito que eles esperavam, pelo menos a intenção não foi das piores. Destaque para “Me deixa em paz”, um dos melhores rocks que Raul compôs em sua fase romântica.


    1971 – Sociedade da Grã – Ordem Kavernista Apresenta: Sessão das Dez

    É o disco mais louco do Raul. Aqui, o Raulzito de outrora foi embora dando lugar ao Raul Seixas que todos nós conhecemos. É bem provável que este seja o disco mais rebelde da história da música brasileira. Anárquico, tem de tudo: samba, rock, maxixe, chorinho, bolero…e vale até mesmo como uma crônica do Rio de Janeiro daqueles tempos, além de ser um registro histórico da parceria entre Raul e um outro grande compositor que poucos conhecem: Sérgio Sampaio.


    1973 – Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock

    Um disco de releituras dos grandes clássicos do rock nacional e internacional. Interessante é que quando foi lançado não trazia o nome do Raul na capa e sim de uma banda chamada “Rock Generation”. Na verdade, a suposta banda era formada pelo Raul, o cunhado Jay Vaquer e outros músicos. É barulhento. Foi reeditado em 1975 com o título de 20 anos de rock.


    1973 – Krig Há – Bandolo!


    O álbum é forte em vários sentidos: além do título “Krig Há – Bandolo” que é o grito de guerra do Tarzan e significa “Cuidado, aí vem o inimigo”, a faixa “Mosca na sopa”, já abre o LP dizendo quem é o tal inimigo. Além de ter sido o marco inicial da lendária parceria com o Paulo Coelho. Quase todo o álbum é feito de sucessos, alguns se tornaram clássicos eternos do rock nacional: “Al Capone”, “Metamorfose Ambulante”, a própria “Mosca na sopa”, a belíssima “How Could I Know” e “Ouro de Tolo”. Um dos melhores discos do rock brasileiro


    1974 – Gita


    Raul estava em sua melhor fase. Mergulhado cada vez mais no misticismo e nas ideias de Aleister Crowley, ele gravou um dos seus melhores discos. O disco é marcante por trazer a faixa “Sociedade Alternativa” que se tornou o hino de toda uma geração que acreditou e ainda acredita em uma sociedade unida por um mesmo ideal libertário. Além de contar com outros grandes clássicos como “O trem da Sete” que talvez seja a letra mais mística do Raul, a bem humorada “Super – Heróis”, “Medo da Chuva” com sua bonita melodia e “Gita”, um dos maiores sucessos da carreira de Raulzito. Discão. Mas o maior destaque é a capa, linda


    1975 – Novo Aeon

    Se no disco anterior Raul começava a botar indícios de misticismo em sua obra, neste disco isso está muito mais evidente. Muitos consideram esse o melhor trabalho de Raul Seixas. De fato, é um disco impecável do início ao fim. Tem algumas curiosidades como a introdução da música “Rock de Diabo” que é a mesma da música “Honey Don´t” do roqueiro americano Carl Perkins. A música “Peixuxa” lembra muito “Obladi- Oblada” dos Beatles. “A Maçã” é uma das músicas mais bonitas de toda a obra do Raul Seixas e pra fechar tem a minha música preferida dele: Para Nóia. Realmente é um disco muito bom, embora não seja o meu preferido.


    1976 – Há Dez Mil Anos Atrás


    É o último disco da fase mais produtiva do Raul e também o fim da parceria com o Paulo Coelho. Eles ainda voltariam a trabalhar juntos no disco “Mata Virgem”. “Há dez mil anos atrás” é um álbum recheado de letras consistentes. Em “Ave Maria da Rua” Raul solta a voz e emociona com uma interpretação marcante. O arranjo lembra muito a música “Bridge Over Trouble Water” da dupla Simon e Garfunkel. Já em “O dia da saudade” é possível notar semelhança com “Back in the USSR” dos Beatles. “Eu também vou reclamar” é uma das letras mais legais do Raul e é difícil não se emocionar com “O Homem”. É o único disco onde praticamente todas as músicas foram compostas por Raul Seixas e Paulo Coelho. Com exceção de “O dia da saudade” que é de autoria do Raul com o Jay Vaquer. É um dos discos que eu mais gosto


    1977 – Raul Rock Seixas

    Mais um disco com regravações de clássicos do Rock. As músicas desse disco nada mais eram do que sobras de gravação do LP “Os 24 maiores sucessos da era do rock”, a gravadora resolveu lançar essas sobras e Raul não gostou. De qualquer forma, vale como item de coleção.


    1977 – O Dia em que a Terra Parou

    A crítica não gostou, achou inferior aos trabalhos anteriores. É o início da parceria com o Cláudio Roberto, o segundo parceiro mais importante. Apesar das críticas, tem momentos bonitos. Das músicas menos conhecidas, “Sim” é uma das mais bonitas. Já em “Maluco Beleza” temos a síntese da personalidade de Raul, música que se tornaria uma espécie de identidade para ele. Não é dos melhores trabalhos dele mas também não é dos piores. Pelo contrário, esse disco é um exemplo de que a nova parceria do Raul com o Cláudio Roberto renderia bons frutos. O que acabou se confirmando nos discos posteriores.


    1978 – Mata Virgem

    Alguns fãs consideram um disco fraco. A parceria com o Paulo Coelho volta nas músicas “Judas”, “As Profecias”, “Tá na hora”, “Conserve seu medo” e “Magia de amor”. Mas percebe-se o cansaço entre eles. Acho um disco apagado, sem muito brilho. Raul coloca um tom bucólico nas músicas, mas sem deixar de lado o estilo que lhe era peculiar.


    1979 – Por quem os sinos dobram

    Todas as músicas desse disco foram compostas em parceria com Oscar Rasmussem. Dizem as más línguas que esse parceiro foi inventado pelo Raul, sendo assim, é uma parceria imaginária. Uma curiosidade que pouca gente sabe é que a letra da música “Na Rodoviária” não tem sentido algum. Isso foi feito de propósito pois Raul queria gravar um blues com uma letra sem significado. A melodia é nota dez. “O segredo do Universo” mostra um Raul Seixas flertando com o hard rock. A única música do Raul com guitarras verdadeiramente distorcidas. “Diamante de mendigo” tem um certo ar de sensibilidade e “Por quem os sinos dobram” é ótima para levantar a auto – estima. Último disco pela gravadora WEA.


    1980 – Abre-te Sésamo

    Ótimo é a melhor palavra para “Abre-te Sésamo. Um clássico indiscutível na carreira do maluco beleza. Marca a volta dele para a gravadora CBS após anos de separação. Gravado durante a abertura política, a ironia já começa pelo título do LP que faz uma sacaneada lembrando a história de Ali Babá e os quarenta ladrões. Nada fazia o Raul acreditar no Brasil e nesse disco ele coloca toda a sua crença em evidência, é o disco mais irônico e seco dele. E também é o mais politizado. Letras como a de “Aluga-se”, “Abre-te Sésamo” e “Conversa pra boi dormir” parece que sempre serão atuais em nosso país. Raul sabia das coisas.


    1983 – Raul Seixas

    É um disco “magoado”, embora não pareça. Raul estava cheio de problemas com o alcoolismo, estava há dois anos sem conseguir gravadora e com a imagem queimada no meio artístico. Este disco, lançado por uma gravadora independente, é uma espécie de “renascimento” para Raul ou como ele mesmo dizia, uma “reciclagem”. Pra mim é um álbum meio descaracterizado, me parece um disco forçado. “Coisas do coração” é muito bonitinha, tem uma levada country que ficou jóia. Destaque para o baixo de “Segredo da Luz”, sensacional!


    1984 – Metrô Linha 743


    Pra mim é o disco mais fraco de todos. Aqui começou a decadência do Raul Seixas como artista e como homem. O cansaço e a falta de criatividade são claros: “Canção do vento” é horrível, uma das piores coisas que o Raul fez. “Mamãe eu não queria” consegue até ser engraçada mas também não convence. As exceções ficam por conta de “Metrô linha 743” que é a letra mais inteligente de todas e “Geração da Luz”. As regravações de “Trem das sete” e “Eu sou egoísta” também valem a pena


    1985 – Let me Sing My Rock n´Roll

    Esse disco merece um comentário especial: trata-se do primeiro – e talvez o único – LP produzido e lançado por um fã-clube brasileiro, o Raul Rock Club. Teve tiragem limitada de mil cópias e hoje é considerado o 2º LP mais raro do Brasil, o LP mais raro é o 1º do Roberto Carlos. Com relação às músicas, são aquelas que não foram inclusas nos LPS oficiais, além de conter alguns depoimentos do Raul. A música “Canto para a minha morte” foi inclusa no LP a pedidos do próprio Raul Seixas.


    1987 – Uah – Bap – Luh – Bap – Lah – Béin – Bum!


    Meu disco preferido do Raul Seixas. Cru, visceral e sem firulas, aqui a gente nota um Raul sem questionamentos, sem complicações existenciais, apenas com uma guitarra na mão e uma vontade enorme de tocar o bom e velho rock n´roll. Parece que com esse disco o Raul queria provar pra todos que ele ainda era o maior roqueiro do Brasil. Ele mesmo chegou a declarar na época do lançamento: “Eu fiz esse disco para os roqueiros ouvirem, para eles não deixarem o rock and roll morrer”. Em meio a nova onda de bandas e cantores do rock nacional que estavam no auge do sucesso, a gente vê um Raul Seixas ainda forte e fiel aos seus valores, indo direto ao ponto e mostrando que rock é coisa de macho. “Cowboy fora da lei” estourou em todas as rádios do país, gerou um videoclipe e colocou o Raul novamente nos programas de TV. Destaque para o ótimo blues “Canceriano sem lar”, onde Raul descreve os dias vividos na clínica Tobias


    1988 – A Pedra do Gênesis

    A qualidade do som não é lá essas coisas, Raul começava a falar em tom de despedida. A depressão que ele sentia aumentava cada vez mais. Esse disco é um aviso do que seria a Panela do Diabo e consequentemente, a própria vida dele. “Fazendo o que o Diabo gosta” é a mais louca declaração de amor feita por um homem. Aleister Crowley volta em “A Lei”, uma espécie de regravação mais detalhada de “Sociedade Alternativa”. Raul cantou “A Lei” em todos os shows com o Marcelo Nova, era sempre a última música. Esse disco tem a música mais triste que o Raul gravou: Lua Bonita. Tem também a primeira música em inglês que ele compôs: I don´t really need you anymore, feita em parceria com o velho amigo Cláudio Roberto. Disco deprê.


    1989 – A Panela do Diabo


    Raul Seixas e Marcelo Nova, um encontro que deu certo. Marcelo bem que tentou – e muito – ajudar Raul. Mas Raul era rebelde por excelência, nada seria capaz de fazê-lo mudar de idéia. O que ficou dessa união foi esse disco, resultado de uma parceria entre dois amigos e porque não dizer, irmãos. Raul se despediu com muita coragem. Como disse o próprio Marcelo Nova, Raul já não tinha fígado, não tinha pâncreas, não tinha nada. Mas a vontade de lutar e de vencer, fez com que ele subisse no palco, cantasse e fosse aplaudido de pé por qualquer multidão que estivesse presente para assisti-lo. A Panela do Diabo é isso: a vida e a morte do Raul, o fim chamando o princípio pra poderem se encontrar. Tchau Raul, um abraço e até outra vez

  • Atriz dentro da parede

    Era setembro. Estava ela diante do espelho a mirar-se. Já estava bem habituada a ouvir elogios mencionando a sua beleza, mas não era certo em suas formulações o que isso significava exatamente. De pé, frente ao espelho. Olhos grandes e bem abertos a olhar no vidro vivo e desafiador um rosto dotado de beleza semi-exótica – porém inquestionável – quase que como procurando pelo alheio. Estava séria e não caberiam sorrisos naquele momento. Na verdade, ninguém em seu estado normal ri diante do espelho. E ela era quase-normal. Quase.

    Ela dançava, lecionava, contava histórias e atuava. Mas sentia-se mais como atriz do que como qualquer outra coisa – ah, a legião de artistas que se alimentam dos seus míseros salários de funcionários públicos que parecem ter saído do poema “Não há vagas” de Ferreira Gular. E como atriz era uma excelente filósofa. Dessas que buscam o tempo todo o “algo além” perdido nas entrelinhas da vida. Seu corpo grande e intranqüilo buscava na dança acalmar-se. Sua voz macia buscava expressar-se – a si e a voz em si – para dar sua contribuição ao mundo em forma de som verdadeiro. Ela pretendia que tudo o que viesse a dizer fosse verdadeiro, mesmo que as palavras não fossem suas ou não pertencessem ao grupo das verdades absolutas. Ela autorizava palavras de outros, mas era criteriosa para essa autorização. As histórias que contava eram histórias para um mundo melhor. E atuar.

    Atuar completava sua paleta de busca por auto-conhecimento. Sua última peça, contudo, não havia tomado a direção do verdadeiro prático, ficando sua atuação presa no nível de intenção. E como quando sentimos que a nossa verdade não atingiu muitos metros além do nosso corpo – não porque não tenhamos sido verdadeiros, mas pelo fato triste de que interlocuções podem ser mais cabos de guerra ou muros, mais isso do que estradas retas.

    Dar um tempo com teatro seria necessário. Chegando em casa depois da última apresentação, olhou desconfiada para o velho companheiro de vidro reflexivo e tomou a decisão: “Preciso mudar um pouco”.

    Novo corte de cabelo. Nova cor. Feito. Olhos nos olhos no espelho mais uma vez – e isso era sempre meio constrangedor, pois não se confia em espelho. Os olhos do espelho pareciam-lhe mortos, como olhos de tubarão. Quase pediu conselho ao espelho, até lembrar que não se pode confiar neles – em nenhum deles. Abaixou a cabeça e virou-se, andando noutra direção, para poder assim melhor pensar. Pensou em viajar. Sair da cidade por uns dois dias. Talvez três. Talvez um primeiro passo para uma temporada bem maior que o imaginável. Fazer mala. Embrulhar-se para viagem. Mala feita. Ser físico devidamente embrulhado. Mulher devidamente embrulhada e estômago também. A essa altura já hesitava em dar uma última olhada no companheiro de vidro vivo. Medo dele. Saiu sem se conferir a beleza. Pés no corredor do prédio, trancou a porta. Elevador ou escada? Escada.

    Desceu. A descida foi longa, mais do que seria uma subida. Pensou dezenas de pensamentos por degrau, como uma metralhadora giratória cega. Chegando lá fora – no ante-começo de lá fora – perturbou-se com a monstruosa luz cinza da tempestade que se anunciava com suas músicas de vento. Parou. Pensou: “Esqueci algo. Não posso sair assim”. Voltava. Subiu com a mente menos cheia e menos giratória. Desta vez de elevador.

    Fechadura. Tapete. Portal a ser atravessado rumo ao espelho. Espelho triste pela ausência de sua dona. É isso. Ela era, sem que percebesse ou lembrasse, dona do espelho. Passou um batom vermelho. “Espelho. Meu espelho” – o chamou finalmente de seu. O vermelho do batom lhe trouxe uma súbita alegria. Quase sorria para o rosto que ficava mergulhado na parede, como mágica.

    Antropologicamente, entendeu porque os índios do século XVI foram vencidos pelos espelhos. Espelhos de mão nos aprisionam dentro do nada.

    Espelhos de parede aprisionam nossos dobros dentro da parede. Só bebês e animais sabem que quem vemos dentro da parede através do espelho não somos nós. Terminou então de passar seu batom vermelho e fez seu movimento louco: sorriu finalmente para o espelho, com os olhos felizes direcionados aos da outra na parede – a mulher bonita que mora dentro da parede.

    Alívio. Enxergou a beleza da mulher-gênio dentro da parede, e das belezas dentro de si como mulher pensante de carne, osso e desejo. Fome. Geladeira. Televisão. “Amanhã viajo”, pensou, desta vez alegre e em paz. Na última caverna da alma o doce som dos aplausos. O que houvera antes esquecido era a mulher que morava dentro da parede. Era setembro.

  • O filme Vitória revela o Rio, tratando a questão do etarismo em interpretação corajosa de Fernanda Montenegro

    Saí do cinema pisando leve. Há uns dias, minha esposa vem dizendo que quer ver Vitória. Confesso que não estava muito empolgado. Sei lá. Talvez por uma frustração pirracenta de não ter podido ver uma penca de filmes nos quais eu estava super interessado, mas que só passam em algumas poucas salas de cinema das capitais, morando eu no interior.

    Pois bem. Nesta tarde, resolvemos o assunto e fomos assistir ao novo (e, dizem alguns, último) filme da primeira dama da dramaturgia brasileira. Entramos no cinema com o filme iniciado há uns dois minutos, no máximo. Não sei explicar o motivo, mas foi sentar e já chorar na primeira cena, com Dona Fernanda andando no calçadão de Copacabana, na pele da aposentada Nina, uma idosa que mora sozinha e faz bicos de massagista. Cenas comuns, sem grande carga emotiva – apesar de dramáticas -, iam se sucedendo, e as lágrimas não paravam de cair. Eu já estava preocupado com o que as pessoas iam pensar ao notarem que eu chorava. Um rapaz, inclusive, ria de cenas não cômicas, algo que já me causava aborrecimento. Pensei eu “Do que esse cara tá rindo? São cenas sérias, com a interpretação séria de uma das grandes atrizes do planeta no que se imagina ser o final de sua carreira”. Cheguei a ficar indignado, com vontade de perguntar ao cara “Qual é a graça?”. Na segunda metade do filme, minhas lágrimas cessaram. Tá certo. Não é um filme pra fazer espectador chorar. Não o espectador médio, normal. Não quero, com isso, dizer que como público de cinema, sou um espectador especial. Longe disso. Na verdade, nem me considero mais um cinéfilo. Meu choro, em boa parte da exibição, fugiu, aliás, da minha compreensão. Talvez eu estivesse muito mais emocionado com Fernanda Montenegro em cena, do que com qualquer outro aspecto.

    Vitória é um filme, a meu ver, irrepreensível. Fernanda está boa de verdade. A atriz praticamente se supera, como se isso fosse possível ou necessário. A personagem por ela interpretada é uma mulher de coragem ímpar. Uma mulher lutando para resolver um problema. Na trama (aqui, um pequeno spoiler), Nina tenta – e consegue – desbancar um esquema de venda de drogas envolvendo traficantes e policiais. Claro, sabemos que o crime no Rio de Janeiro é um negócio que gera milhões, sobretudo para alguns influentes “cidadãos de bem”, e, por isso, não são imagináveis soluções fáceis. No entanto, possíveis soluções não surgirão se os habitantes da metrópole maravilha mutante não fizerem, com alguma dose de coragem, sua parte.

    O que vi foi um filme enxuto, redondinho. Em alguns momentos quase minimalista. Tudo funcionou muito bem, fazendo de Vitória uma parte importante desse momento especial vivido pelo cinema brasileiro. Na figura da idosa Nina e de Fernanda Montenegro, que a interpreta, somos presenteados com um verdadeiro libelo contra o etarismo. Obrigado, Andrucha Waddington e toda a equipe desta produção tão especial, tão séria e tão delicada! Obrigado, cinema brasileiro!

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