Estou debruçado
sob a fagulha do instante.
Me distorço enquanto crio
a ilusão de um esboço para algo
que sequer sei o quê.
Ouso um salto, um pêndulo.
Giro de cá e de lá.
Laço-me à vertente de um vértice,
dobro os olhares e os reviro, o sintoma.
Tu, que me devoraste.
A vertigem do hoje faz hora
Há tempo…
Apressa-te, que o passo é passado.
Vagueia a tormenta, é futuro.
Perdoa o vivido, é achado.
Lamenta, já se fora perdido
feito pássaro garrido,
debatendo-se,
sangrando,
só,
estilhaçado.
Tomba-me a silhueta assombrosa.
Insinuo que assim continuo.
Pesa-me o pestanejo, pelos
entulhos do mundo, filhos
da moral errante,
do tocante instrumento de voz,
secularizado pelo silêncio
nas penumbras
corriqueiras, talhados em
estantes.
O momento que pulsa tenaz
é fruto bastardo, pauso.
Um entrave, acordo
em um lapso constante.
O retenho aguçado, assim apazigua-me a
centelha, o bastante.
Entrelaço
um acorde dentre as
frestas da forma.
Cravo o risco em páginas
onde clamo, se por forçosa a teima,
que ouça o riso da peste
que sofre, que sonha.
Estão cansados os poetas.
Aos retirados à pruma
surte o rumo da crença.
E quanto à verdade, meu pai..
É certo que dela me esqueça
perene, enquanto perdure
o delíquio de vossas cabeças
renques, trépidas de um senso
cabal,
diz-se amargo
o careta.
A estibordo este vórtice
que me devora, que me devora..
Sinuosa esta vida
que me despoja o agora
e que sopra, sopra…
Mas se por dizer
que escrever possa ser
velejo,
e se a vida for mar…
Viver seja tornar o sopro forte
E amar, amar bem depressa,
pois querer vê-la, já
é tocar
o amor
de toda a sorte.