O dia em que não havia mais nada pra sonhar

  • O dia em que não havia mais nada pra sonhar

    Olhou para o lado e não havia mais árvores…

    Olhou para cima e, o céu cinza, cheio de fumaça, impedia qualquer ser vivente de ver o sol!

    Olhou para o outro lado e… não havia mais água!

    Resolveu caminhar entre pedras e destroços, cascalhos, plásticos, objetos já sem valor algum.

    E havia no chão coisas que nunca foram usadas, sacolas e mais sacolas de todas as cores e espessuras. Sacolas cinzas, sacolas verdes, sacolas transparentes…

    Caminhou por um bom tempo sem ver vegetação alguma!

    Caminhou por um bom tempo sem ver água corrente!

    Depois de tanto caminhar, sentou-se perto de um veículo abandonado. Não sabia nem o porquê de estar ali! Qual era seu nome e sua história? Não sabia de nada!

    Sabia apenas que tinha fome e que tinha sede…

    Viu que usava um casaco de muitos bolsos e resolveu procurar nos últimos e óbvios espaços!

    Tirou de um dos bolsos algumas notas! Era dinheiro! Disso sabia! Disso se lembrava! E lembrava que comprava muitas coisas com o dinheiro!

    A fome apertava e a sede aumentava!

    Num gesto rápido, colocou as notas na boca, mastigando cada pedaço e engolindo os valores que nela se estampavam. Cinco. Dez. Vinte.

    A única coisa que pode fazer foi chorar. Soluçar…

    Depois de tudo, adormeceu seu último sono e não sonhou mais porque não havia mais nada para sonhar!

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