De futebol mesmo, sei apenas que a bola é redonda e que, se ela entrar na trave do adversário, é gol.
Agora, de Copa do Mundo eu sei. Sei muito. E sinto saudades; quantas saudades!
A vida era coletiva, colorida, exibida, assumida e feliz. Muito feliz.
A Copa do Mundo daqueles tempos era um acontecimento inigualável. Não existia outro evento capaz de ofuscá-la.
Imagine um bairro simples, na periferia de alguma cidade do interior do país, onde nunca faltava um campinho de terra e toda a gurizada era da seleção brasileira.
Camisetas variadas, calções curtos, pés descalços, rostos vermelhos, suor misturado à poeira. Meninos jogando com a mesma paixão dos craques que, dali a poucos dias, entrariam em campo representando o Brasil.
E a data da Copa se aproximando cada vez mais.
Os locutores das rádios falavam animados, contagiando os ouvintes para a abertura do “maior espetáculo da Terra”.
Bilhões de pessoas estariam diante das televisões, onde pretos e brancos se igualavam na transmissão ainda sem cores dos primeiros campeonatos.
Outra maravilha daquele tempo era a cumplicidade. O desejo de estar junto. A casa cheia, cheiro de fritura vindo da cozinha, torresminho, cerveja, um olho no churrasco e outro na televisão.
As bandeirolas verdes e amarelas atravessando as salas, ou o vizinho com a enorme bandeira espetada num cabo de vassoura, tremulando orgulhosa na janela.
E o silêncio absoluto no instante do pênalti?
A sinceridade do choro de homens, mulheres e crianças diante da perda de um gol ou da derrota do time.
O grito único das pessoas explodindo na hora do gol. Depois, as carreatas, os buzinaços, as bandeiras se tocando pelas janelas dos automóveis.
Que maravilha foram as Copas do Mundo daquele tempo.
Que saudade tenho delas.
Eu falharia se precisasse contar tudo isso aos meus netos; tamanha emoção não cabe em palavras…
Meus amigos jogadores, não me deixem falhar.
