Ofício

  • #08 – Ofício

    E todo verso que faço
    Um pedaço de mim está e fica e se vê
    Um outro ninguém sabe, um laço
    que não se sabe onde fica e nenhuma vista lê

    E toda estrofe que nasce
    Meus sonhos e verdades lá estão
    Num outro canto, outras verdades
    No esquecimento ficarão

    Quando o poema, inteiro, surge diante de mim
    É meu o rosto e é meu o nome
    Mas é um outro que não sou eu
    Não sei se isso é o começo ou o fim…

    E então me refaço e me reescrevo
    Junto ou em pedaços o tempo inteiro
    Sou e não sou, tenho ou não tenho
    É este o poeta e o seu ofício primeiro

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