Inunda o céu a invasão
desse voo vadio sem asas
de volteios fora do tempo
a trapacear a vertigem.
Fora de ordem e selvagens
são as aves que sequer
as mais hábeis artimanhas
mantiveram na gaiola.
Em silêncio, em liberdade
furam a fila das nuvens
e enganam sombras e luzes
no movimento sem freios.
Ao redor do último andar
vê o caminhar derradeiro
que prescinde de convite
pra lançar-se ao recomeço.
Faminto de novos ares
voa pra abocanhar o céu
pássaro infenso à censura
tecido de pensamento.