Poema #02: Último andar

  • Poema #02: Último andar

    Inunda o céu a invasão
    desse voo vadio sem asas
    de volteios fora do tempo
    a trapacear a vertigem.

    Fora de ordem e selvagens
    são as aves que sequer
    as mais hábeis artimanhas
    mantiveram na gaiola.

    Em silêncio, em liberdade
    furam a fila das nuvens
    e enganam sombras e luzes
    no movimento sem freios.

    Ao redor do último andar
    vê o caminhar derradeiro
    que prescinde de convite
    pra lançar-se ao recomeço.

    Faminto de novos ares
    voa pra abocanhar o céu
    pássaro infenso à censura
    tecido de pensamento.

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