onda mortiça,
que oculta em seu manto de espuma?
pérola ou lixo?
fragmento de concha ou ponta de vidro?
cobertor de areia
espelho de estrela
poça onde a sereia afônica afunda os pés sem dedos
O corpo inteiro afogado no poço sem fundo.
A memória em desordem de molho no sal.
O olhar que vacila
(à procura de terra firme?)
vê diluir-se um segredo na força da água.
no avanço
no refluxo
o vaivém ritmado
pinta no chão
uma sombra ondulada
que apaga
São suas ondas, maré postiça,
que trazem não mais que pistas
embaralhadas pelo mar,
que tragam o passo na amarra dura
da areia úmida de outro lugar.