Poemas de Filipe Duarte de Paula

  • Poema #07: Ressaca

    onda mortiça,
    que oculta em seu manto de espuma?
    pérola ou lixo?
    fragmento de concha ou ponta de vidro?
    cobertor de areia
    espelho de estrela
    poça onde a sereia afônica afunda os pés sem dedos

    O corpo inteiro afogado no poço sem fundo.
    A memória em desordem de molho no sal.
    O olhar que vacila

    (à procura de terra firme?)
    vê diluir-se um segredo na força da água.

    no avanço
    no refluxo
    o vaivém ritmado
    pinta no chão
    uma sombra ondulada
    que apaga

    São suas ondas, maré postiça,
    que trazem não mais que pistas
    embaralhadas pelo mar,
    que tragam o passo na amarra dura
    da areia úmida de outro lugar.

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