Sujeito Itinerário

  • Poema #04: Sujeito Itinerário

    Sentar-se à varanda e deliciar-se com as
    passadas, dos sons da cidade,
    com a corrente inóspita do tempo…

    Ao silêncio de um lago turvo
    que se desdobra,
    sobre as luzes que escapam, e a vida que
    existe…

    como que o
    mundo as retirasse de si.

    E notar as ondas eternas das horas
    que mergulham sob a vastidão
    de um verso transitório,
    entre aquilo que se é
    e o que se fora.

    Estou farto de uma existência
    relapsa e
    repentina; deste lampejo
    imediato que submerge
    e estilhaça
    o vislumbre do agora,

    que faz do movimento
    um ressentido,
    detrito sintático,
    repleto de esquecimento.

    Quero é olhar o nada e sentir preencher-me,
    poder tocar em volta
    e correr por sobre o vento,

    e sem a permissão do dito tempo
    arriscar-me a
    pensar em tudo;
    a habitar o espaço
    de um momento.

    É… é preciso de pouco nessa vida.
    Ah, como preciso de tão pouco!
    Mas, do que realmente preciso?

    Não sei.
    O jeito mesmo
    é ir vivendo.

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