Crônicas

O famoso ninguém

Andar pelas ruas de Paraty, nesses dias de FLIP, tem me feito pensar na realidade farta que o anonimato esconde ou sufoca.

Quantas histórias caminham na gangorra dessas pedras? Quantas dúvidas, decepções e sonhos se escondem nas frestas desse chão?

Da ponte, vejo o movimento de toda gente. Um ir e vir de esperanças, desistências e vaidades se misturam ao cheiro de pipoca, espetinhos e algodão-doce. Poetas, artistas e músicos oferecem sua arte, clamam por atenção, enquanto o povo passa pronto para reverenciar os que já estão abençoados com o sucesso, que uns saboreiam e outros já não suportam mais.

Quantas histórias, letras e poemas são sepultados antes de ver a luz do mundo? Quem tem o poder de decidir entre os que serão salvos, batizados e conduzidos ao trono do reconhecimento e os que serão sacrificados?

Sigo para o auditório central sem saber direito se trago comigo dois natimortos ou se meus bebês ainda estão na incubadora, esperando por quem possa salvá-los com o olhar.

Soraya Jordão

Soraya Jordão é psicóloga e escritora. Nasceu no Rio de Janeiro em 1968, sob o signo de Virgem. Durante a pandemia, descobriu seu interesse pela escrita. É autora do e-book de contos Histórias que contei pra Lua, publicado pela Amazon, em 2022. No mesmo ano, publicou o livro infantil O plano do tomate Tomé, pela editora Itapuca. Foi finalista do concurso Poeta Saia da Gaveta do Verso Falado (2021) e do concurso de crônicas do Instituto Fome Zero (2022). Recebeu menção honrosa no Concurso Literário Relâmpago Virtual, da FALARJ, em 2023. Seu primeiro romance Ciranda de mamutes foi selecionado e publicado pela Editora Patuá em 2023. Escreve para os sites Crônicas Cariocas e Crônica do Dia.

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