Coluna ‘Crônicas’ de quinta

  • Trama subjetiva nas mentes!

    O poder político mantém certas ideias para gerir uma nação, desenha caminhos fartos de opções no cotidiano do povo, que está à espera de sua colaboração e sustento. 

    O poder da biologia carrega em suas raízes a capacidade de escrever a data de seu velório. 

    O poder espiritual, sustenta a igreja com certas regras e posturas limitadas pela fé, diferenciado substancialmente com espírito e alma aos pés de sua prole. 

    Carrega a eternidade como salvação das almas e mantém o religioso atento às esperanças de paz no céu após sua partida. 

    Como entender o predomínio de um poder que tal data manda, tal povo, tal decisão e aspirações, se os propósitos parecem distintos e as forças diferenciadas? 

    No tempo de Milcíades, um jovem General Helenico que comandou a vitória sobre os Persas no mundo mediterrâneo, ignorava-se a existência do mundo extremo-oriental, e o poder exercido em tal época não tomava conhecimento de absolutamente nada mais, além da poderosa Atenas, maior potência da antiga Grécia. 

    Esse isolamento vaidoso, transformou esse general soberbo em um derrotado, e preso, ao final malogrado. 

    De maneira similar faziam os guerreiros de Atenas, para suas mulheres. 

    Elas Teceram para seus homens, soldados, ausentes além da morte, dedicadas aos filhos e sustento da família. Subservientes a supremacia masculina, talentosas, entregaram suas vidas e desejos ao se dedicarem exclusivamente as lides domésticas, a servidão sexual, a procriação, para alimentar a guerra, e por isso sofreram suas perdas.

    A Grécia Antiga não era uma nação, mas sim um conjunto de cidades-estados cujos povos possuíam algumas características em comum, como a semelhança linguística, por isso foram chamados genericamente de gregos. 

    Porém, ninguém jamais exerceu tanto poder na terra quanto a soberania da opinião pública, que é a força radical, e que produz, nas sociedades, o fenômeno de mandar e descobrir o que é verdadeiro.

    A verdade é algo instável, resultado de uma negociação, porque a história é contada com a versão de cada narrador, e o poder é a questão central de nossa existência, é a maneira como estamos dispostos a aceitar o valor de certos discursos contra outros. 

    E isso depende de quem está falando, se é poderoso, homem ou mulher, branco ou negro, sempre irá exercer uma trama subjetiva nas mentes do povo, que se mantém na expectativa do próximo passo, que o leve a redenção. 

    Além da morte, não sabemos ao certo o que é verdade, apenas até o seu momento.

  • Ao final de tanto!

    No teatro Pantomima presenciamos uma apresentação onde metade do sentido da obra surge através dos gestos dos atores. A outra metade, você mesmo cria a seu prazer. 

    Em nossas mentes pode aparecer uma cena de horror quando os dias estão carregados, ou uma paisagem deslumbrante, sinônimo de como estamos de bem com a vida. Sua metade imaginada ao vivo, tem o mesmo gosto do prazer exclusivo de sua escolha, porque somos egoístas no quesito felicidade, empacotada nas mãos a disposição de um instante para se expor, ou enxugar os olhos marejados. 

    Mas se a cena no palco partir de seres sem rosto, recém chegados nesse planeta, descobrindo o mundo como se acabassem de nascer, o que você escolheria para começar tudo de novo? Onde iniciaria sua desventura repaginada com uma lista de quero mais, ou nunca faria novamente o que tanto me desgastou? 

    O silêncio das ideias, traz a tona o sonho, a espera de um despertar magoado pela demora em se desmanchar em vida.

    Nem todos os atos nos levam imaginar existe uma luz no final do túnel, ou “Lanterne Rouge”, expressão tirada do transporte ferroviário, popular no século XIX, como o último vagão do trem que acendia uma luz vermelha para mostrar que era de fato a última composição.

    Nossas escolhas estão sempre em transformação, se modificam na fila da esperança de todos os dias, por isso fica difícil nos chamar de Lanterna nesse campeonato da existência.

    Manter-se a frente das novidades nos permite escapar da sinfonia do Flautista de Hamelin, que conduziu cento e trinta crianças para uma caverna sem saída. 

    “Ao final de tanto viver, não tenha pena dos mortos, mas sim dos vivos, dos que vivem sem amor”. J. K. Rowling.

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