A cama desarrumada.
O livro (quase) aberto.
Páginas escurecidas.
A caneta largada no meio.
No relógio um horário impróprio; “já é dia?”
Sob os travesseiros, um único pijama
não se sabe porquê; não se sabe para quem.
Clareou.
As plantas espreguiçam-se:
um girassol retorce lentamente
pétalas, amarelas, miolo, marrom
em direção à promessa
De sol
De luz
De felicidade com prazo de validade
Vencida
De repente
Dois passos contrabalanceiam o peso de um único corpo
Um, dois, três, um dois, três… gira!
Girassol rodopia, entre as mãos agitadas
Madrugada infinita
Há barulho – feliz idades
Há sussurros – ocas gargalhadas expressivas
A cama desarrumada.
O livro (quase) aberto.
Páginas manuscritas.
Um mercado; um abridor de latas. Um saca-rolhas.
Nômade, sem ser, sendo.
Desiste-se; retorna.
Pacote 2×1.
Repensa.
Compras todas amarelas:
Banana.
Limão siciliano.
Milho.
Angu.
Girassol e gelosia…
Alba dal balcone
Água de coco, rega da vida
Eis o vento acalmando as turbinas
Eu te amo
Eu também.
O lado esquerdo da cama.
Criado mudo.
Coração.
Uma pera.
Mordida pera.
Religiosa pera.
Compartilhada à distância.
A cama desarrumada.
O livro desaberto.
Páginas escritas.