Solto em São Paulo, aonde iria?
Rompia a noite, não decidia.
Abria as asas: para onde ia?
Se fosse Batman, já saberia
qual o combate de cada esquina.
Mas nem pra Coringa prestaria.
Vampiro? Não, desmaiaria
à vista de sangue.
Dos predadores recusava
até a fantasia.
Ao encontro da rua,
sumiria.
De encontro ao muro,
desaparecer: será, seria?
Solto em São Paulo, sobrevoaria
avenidas edifícios várzeas varandas tabacarias
mercados de luxo
de porcarias
sobejas ninharias.
Aberto ao acaso,
negociaria com o tempo?
render-se: ia?
Embalado pelo eco incômodo,
cantaria, não cantaria
dançaria, não dançaria
as sirenes, dedilharia
o silêncio, ouviria.
Do presente, o futuro.
Do futuro, o passado.
Os tempos imperfeitos
impecavelmente alinhados.
Com ou sem condições,
fazer o que faria
em qualquer São Paulo.