Poesias de Valéria Soares da Silva

  • Poema #03: Magia

    O outono deixa cair seu manto branco sobre as montanhas
    Nada mais é nítido, nada mais é real.
    Tudo vira sonho .
    Há magia sob o tecido d’água que misteriosamente pede aconchego.
    Todos são um. Confundidos, ofuscados.

    O outono salpica a noite com estrelas tantas
    O olhar se perde, tudo parece sonho.
    Há magia sob o céu bordado, que misteriosamente provoca suspiros.
    Todos são encantados. Confundidos, ofuscados

    O outono desenha montanhas azul-marinho guardando a cidade
    Nada mais é nítido, nada mais é real.
    O olhar é impedido, tudo parece sonho.
    Há magia nos limites, que misteriosamente convidam à introspecção.
    Todos são iludidos. Confundidos, ofuscados.

    O outono exibe luares que emudecem
    Tudo é nítido, tudo parece sonho.
    Há magia sob a luz delicada, que misteriosamente desperta amantes.
    Todos são tocados. Confundidos, ofuscados.

    O outono azula o dia, clareia até a cegueira
    Tudo é perturbadoramente nítido, tudo é real.
    O olhar é indiscreto, nada é segredo.
    Há magia sob a luz, que misteriosamente revela.
    Todos são desprotegidos, todos são desvendados.

  • Poema #02: Involuto

    Quero a involução
    A proteção contra os ventos
    Útero da mãe
    Turbulência amniótica.

    O desequilíbrio de voltar
    O ser ainda sem ser
    Todos os caminhos por andar
    Todas as guerras por vencer

    Quero o grito de mãe
    Na hora de parir 
    O choro engasgado
    A dor de nascer

    Coragem para voltar
    Tudo feito novo
    Certeza de não errar
    Leite materno como sustento

    Quero vida inteira
    Apagadas as besteiras
    Quero vento novo
    Soprando semente verdadeira.

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Desative para continuar