século XIX

  • Avidez e honra no tempo!

    Em épocas muito passadas, os abastados entediados, não aproveitavam suas vidas ocas, por que não existiam ofertas de lazer e compras atraentes aos olhos exigentes dessas criaturas bem nutridas. A massa de gente, seguia rumos cotidianos sem graça no viver e rotineiramente contavam suas desventuras aos olhos de todos, que em sua companhia vagavam pela próxima busca de motivação diária, surgida nas mãos de alguém mais genial. Os dias de plenitude de alguns séculos atrás, tornaram-se quase pó, mesmo tendo já sido uma deslumbrante idade de ouro. Nosso tempo se caracteriza por uma presunção estranha de ser mais que qualquer outro passado. Apesar das ofertas de compras e novas tecnologias, disponíveis a carteira de qualquer humanoide a solta no planeta azul. 

    Mas a performance  intelectual média, se aproximou de uma decadência rasa, passível de ser omitida pela envergadura descomunal do ter, em detrimento ao ser. Na verdade vivemos num tempo muito capaz de realizar, mas não se sabe o que, pois domina tantas coisas que se torna incapaz de ser dono de si mesmo, e se perde em sua própria abundância. Isso tudo é um pouco do mesmo pensamento escrito no livro “A Rebelião das Massas”, escrito pelo genial José Ortega Y Gasset, considerado de grande importância para o século XX, como foi Carl Marx para o século XIX.

    Os indivíduos fragilizam suas ideias proliferadas pela oferta no menu de escolhas diárias, e se tornam fracos pilares de si e de suas bases intelectuais, sempre á mercê de uma nova teoria que desfaz em breve o que era verdade concreta até então. 

    Nos tornamos criaturas bem mais frágeis que um ventifact, que é uma rocha desgastada, perfurada, gravada, sulcada por areia ou cristais de gelo, movidos pelo vento, por milhares de anos. Sofrem o mesmo grande ataque que recebemos nas ofertas mundanas de nosso viver atual, mas a nós fragiliza, nos deixa atrás do que surpreendentemente surge em instantes, nos envelhecendo e desligando do que é novo e aceito como melhor. 

    A liberdade nos coloca em contato com o desejo, e cria um medo de ser assumido pela incerteza da não aceitação e a provável infelicidade no final.

    As Ventifact são feições geomórficas encontradas em ambientes áridos onde há pouca vegetação para interferir no transporte de partículas eólicas, onde há ventos fortes com frequência e onde há um suprimento constante, esmagador, de areia. 

    Assim como nós, parece impossível essa rocha se manter de pé, mas a natureza tem seus mistérios e surpresas. Quem poderia retirar o suco dessa rocha que nasce dura para sorver em nosso sangue suas benesses. Ela que mesmo perdendo sua estrutura original, se torna outra pedra sem perder a beleza. A nós, cabe a inveja dessa manutenção da avidez e honra no tempo, esse mágico que sempre nos tira um pouco.

  • Mais lúdicos e sutis!

    Na história do Reino Unido, a era vitoriana foi o período do reinado da Rainha Vitória, de Junho de 1837 até sua morte em Janeiro de 1901. 

    Aqueles foram árduos anos para o povo famélico que andava pelas ruas difíceis e vazias. 

    Muitos homens não tinham casa para dormir e se reuniam com outros, em espaços exíguos, para respirar e descansar. 

    A pobreza da época em Londres fazia com que o povo optasse por dormir em caixões do tamanho de seu corpo, caso tivesse como pagar quatro centavos por noite, e ganhavam cobertores feitos de plástico. 

    Se o cidadão tivesse em seu bolso, somente dois centavos, a única opção seria sentar em um banquinho e pendurar-se com os braços, em uma longa corda, que impediria de cair caso adormecesse. 

    A mesma corda segurava outros pobretões esfomeados que tinham tão pouca saúde, quanto dinheiro em seus casacos rasgados.

    De qual lamúria ou incômodo você se compara com aqueles que tentavam sobreviver em tempos onde pouco se tinha, inclusive esperanças?

    Vivemos embriagados com ofertas consumistas e estéticas da última moda, com intenso apego ao valor monetário das vidas que cruzam nas redes sociais ou com os carrões coloridos que se mostram nas esquinas mais limpas, parecendo desfile de Carnaval fora de época.

    A geração da ressaca de dois centavos, assistiu a palavra tornar-se associada ao álcool no século passado. 

    Ela apareceu pela primeira vez no vocabulário inglês no século XIX como uma expressão para descrever negócios inacabados de reuniões, mas foi somente em 1904 que a palavra começou a surgir em referência ao álcool. 

    Na realidade, o significado relacionado ao álcool é um desdobramento de seu conceito anterior, para se referir a negócios ruins ou às consequências de outros eventos.

    Há uma expressão em inglês que diz o seguinte: “he could sleep on a clothesline”, que significa que uma pessoa pode dormir em qualquer lugar. 

    Podendo ser daqueles lugares para passar a noite que a expressão se originou.

    Diferente daquele povo, ao despertar todos os dias, poderíamos ter a mesma sensação de um garoto cigano que vive num vilarejo das colinas da Transilvânia. 

    Que assiste cavalos e carroças descerem a estrada, vacas voltando devagar para o vilarejo no cair da noite, e durante o dia perseguir patos e filhotes.

    Histórias como essas de momentos sanguíneos, merecem consternação, assim como os mais lúdicos e sutis, que nos servem para exercitar a vida entre um respirar e outro.

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