Teresópolis

  • Crônica Canina – parte 5: Uma crônica de despedida

    Escrever crônicas de despedida não é uma boa experiência… Escrever crônicas de despedida, no fundo, tem o papel de confortar o coração, desabafar, cumprir um rito.

    No entanto, escrever uma crônica de despedida é sempre doloroso!

    Eu não pensei que escreveria esta crônica…

    Entre tantos assuntos e os assuntos que repetidamente viram crônica, não pensei que este seria o motivo…

    Há alguns dias, perdemos o nosso querido Todd! Um golden retriever amoroso e educadíssimo!

    Um gigante gentil!

    E tudo foi rápido demais! De maneira inesperada, num de repente que não prepara (e nunca estamos preparados mesmo)!

    E sempre perguntamos o porquê!

    Por que você se foi grandão?

    E agora? Quem vai ficar com os olhos grandes no pão, no tão desejado pedaço de bolo?

    Quem vai soltar quilos e mais quilos de pelos pra todo o lugar?

    Quem vai pular na água como se não houvesse amanhã?

    Lembro que levamos o Todd a última vez na Cachoeira dos Frades, um lugar muito bonito em Teresópolis. Todd não se fez de rogado, todo alegre, correu em direção às águas frias da montanha…

    Levamos a Chiara também! E não preciso dizer que ela não tinha o menor interesse em água!

    Aquele dia passou devagar (como os bons dias devem ser)! E vou guardar esse dia como uma boa fotografia na memória!

    Cada oportunidade, era um mergulho e uma satisfação!

    Todd viveu o que se espera de um bom cão: correu atrás de bolas, saltou, fez inúmeras festas quando voltávamos pra casa, dormiu em praticamente todos os cômodos e lugares possíveis e, acima de tudo, se fez presente com a sua doçura e lealdade sem igual!

    Nós, humanos, precisamos aprender o senso de lealdade com os cães! Eles são insuperáveis!

    Desde pequeno, já me despedi de vários amigos de quatro patas… Entretanto, é sempre difícil se despedir… A verdade é que não queremos essa despedida!

    Com o pouco tempo que passam aqui, os cães nos ensinam a ter urgência com o presente e com as horas preciosas do que chamamos vida!

    A urgência é esta: amar! Viver em cada gesto a gratidão e a lealdade!

    Obrigado Todd por nos ensinar mais um pouco disso!

    Antes que as lágrimas encerrem o texto, prefiro terminar por aqui… Imaginando nosso grandão pulando na piscina e sendo feliz aproveitando o dia, a vida como deve ser!

  • Admirável mundo novo

    Admirável mundo novo: prédios que desafiam a gravidade, veículos que se movimentam cada vez mais rápidos, produtos e aparelhos eletrônicos que prometem revolucionar a vida de todos nós… E compramos e acreditamos e nos iludimos.

    Admirável mundo novo! Problemas sempre os mesmos. A fome sempre a mesma. A violência sempre afiada. A palavra dos políticos desgastada. O poder e o pudor, desequilibrados e distantes. Caminhos errantes. Mas compramos a ideia. Acreditamos no futuro e nos desiludimos.

    Entre fios e chips e terminais de alta tecnologia, chineses, japoneses e norte-americanos desenvolvem robôs almejando uma cópia fiel do homem. E os cientistas buscam os movimentos precisos, a emoção perfeita, o sorriso certo, o calor medido, o humano. Compramos, acreditamos e nos iludimos.

    Carros andam sozinhos, casas reconhecem seus donos, câmeras espalhadas por todo o lugar. Tudo feito de forma rápida e precisa e direta. Não há tempo a perder porque, afinal, tempo é sempre dinheiro. Não importa o sonho, pela metade ou inteiro…

    Admirável mundo novo: praticidade, estética e velocidade. Precisamos resolver as coisas. As coisas precisam ser belas para nós, assim como nós precisamos ser belos para os outros. Nós e as coisas precisamos ser rápidos. Tudo prático, bonito e rápido.

    Admirável mundo novo! Mendigos e barracos e fuzis e diversos Brasis. O ser ainda humano, cibernético e plastificado, olha, dentro de uma redoma, o novo mundo que inventou. Um mundo cheio de prazeres a preços promocionais, remédios de todas as cores e para todas as dores. O mundo que contempla é de plástico e não há mais água nem cheiro e muito menos verde.

    Mas ainda existem viadutos e criaturas humanas que estão fora da redoma. E ainda há os que choram e que lamentam e que morrem… Ainda há fome e miséria!

    Inexplicável mundo novo!

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