Crônicas

Votos Teimosos

Meu coração transborda desejos teimosos, daqueles que povoam o peito da gente e não arredam pé. Que no ano que se aproxima o amor seja maior que o ódio, e nenhum ser humano neste Brasil de meu Deus fique sem almoçar, tomar café da manhã ou jantar.

Que o carnaval, de fora a fora no Brasil, siga firme e forte, pois brincar ainda é coisa séria, e a fantasia é o que nos ajuda a suportar a vida. Desejo que os homens, ao se separarem de uma mulher, ergam a cabeça e saiam andando, sem jamais cogitar levantar a mão. Que cada vizinho sorria e dê um bom-dia ao triste e solitário, todos os dias, sempre com um sorriso de acompanhamento. Que o amor pela leitura contagie crianças, velhos, idosos, homens ou mulheres.

Desejo que filmes, livros, exposições de arte, música e poemas — tudo isso que chamamos de cultura — entrem na cesta básica de todo brasileiro. Ainda que aprendamos a conviver com quem pensa diferente: o que votou no outro candidato, o que curte outra música, o que nasceu em família oposta à nossa. Que essa pessoa jamais seja inimigo, mas tratada com respeito e cordialidade, até nas redes sociais.

Que quem gosta da cachacinha beba só o necessário, sem exageros; que o amor jamais saia de moda, e tenhamos liberdade para amar e desejar quem quisermos. Que a luta por um mundo mais justo não nos tire os olhos do amor, guiando escolhas políticas e relações privadas. Que ninguém saia a roubar o bem alheio, mas conquiste desejos com trabalho digno e condições justas. Que apreciemos as coisas supérfluas da vida, não só o essencial.

Que os jovens redescubram o prazer da vida ao vivo e a cores, sem telas o tempo todo; que vivamos em harmonia com peles, finanças e idades diferentes, velhos e moços aprendendo uns com os outros. Que ninguém fume exageradamente, que ignoremos desaforos no trânsito, e que quem tem fé seja respeitado — assim como quem não tem. Esses são os votos mais sinceros do meu coração para o ano que vem. Até a próxima.

Leandro Alves

Leandro Alves é mineiro. Formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, a PUC Minas. Como cronista, participou do Jornal Porta Voz de Venda Nova, criou o blog Preciso De Uma Crônica, além de ter publicado também no site OperaMundi. Cinéfilo apaixonado pelo cinema brasileiro, pela MPB, por poesia, Carnaval, sem falar em ler seus cronistas preferidos como Rubem Braga, Carlinhos de Oliveira, Martha Medeiros e Affonso Romano de Sant'anna.

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