
A ordem é amar?
O parlamento da Dinamarca aprovou, recentemente, uma lei que proíbe o acesso de menores de quinze anos às redes sociais. Com essa atitude, o governo determina que a relação dos seus cidadãos com as plataformas digitais transcende o escopo da educação familiar e se torna um problema de saúde pública.
A Austrália também adotou medidas semelhantes. Contudo, por lá, a idade mínima para acesso será dezesseis anos. Outros países da Europa estudam seguir nessa mesma direção.
O velho discurso de que as redes sociais são espaços que promovem liberdade de expressão, diversão e conexões sociais importantes não se sustenta mais diante do alarmante crescimento da dependência emocional e da ansiedade coletiva entre crianças e adolescentes. Muito embora alguns críticos chamem a lei de moralista e paternalista, a Dinamarca afirma não se tratar de censura, mas de regulação preventiva.
O projeto se baseou numa estatística preocupante: os índices de depressão e ansiedade entre jovens dobraram nos últimos dez anos e não se pode ignorar a correlação entre esse fato e o tempo das telas.
Para além da discussão sobre quem deve ter o poder de cuidar do bem-estar e da saúde mental das crianças e jovens, é absolutamente necessário
refletir sobre a invasão que os espaços afetivos têm sofrido por parte dos eletrônicos, das redes sociais e plataformas digitais. Não temos como negar que, muitas vezes, negligenciamos as pessoas que amamos e, até mesmo, a nós mesmos e aos nossos objetivos e planos, seduzidos pelo vagar solitário e despretensioso nas redes.
As crianças e os adolescentes denunciam sua dependência e adoecimento com sinais cotidianos, muitas vezes, naturalizados por nós, como por exemplo: crises coléricas ao não poder acessar o eletrônico, resistência e desinteresse em relação a qualquer outra atividade que não envolva o celular ou o game, agressividade e descontrole diante da frustração no jogo ou por impedimento de acesso, isolamento no quarto, afastamento do contato familiar, entre tantas outras coisas.
Os adultos também já experimentam, de forma explícita, as consequências dessa relação desmedida com as redes sociais. Quem nunca sentiu inveja da felicidade alheia e fake postada nas redes? Todo dia, ali, na nossa frente, tem alguém que parece ser mais feliz, mais bem-sucedido, mais amado, mais elegante, mais sortudo do que nós. E pior, assistimos e aplaudimos a vida dos outros enquanto a nossa fica parada na mesma estação. As relações amorosas também têm sofrido com a soberania virtual. Já ouviram falar sobre phubbing? Não? Eu posso apostar que, em algum momento, vocês já o experimentaram de forma ativa ou passiva. Phubbing é o ato de ignorar uma pessoa ou situação social para prestar atenção ao celular. O resultado? Prejuízo da conexão e da intimidade e, consequentemente, distanciamento emocional.
A situação é tão bizarra que, mesmo quando escrevemos, lemos ou conversamos sobre o assunto, ainda assim, somos capazes de praticar o “crime”.
Como desarmar o feitiço?
Algo me diz que a solução está na arte, na literatura, na música…
Lembrei da letra: “Quando a luz dos olhos meus e a luz dos olhos teus decidem se encontrar… Meu amor, juro por Deus que a luz dos olhos seus vence o meu celular”.














Muito bom!! Rs…
Tinha certeza de que vc gostaria.
É sempre bom ler suas crônicas!
Fico muito feliz em saber disso! Obrigada! 😊