Cães & Pessoas

Crônica Canina – parte 4: Uma crônica de despedida

Escrever crônicas de despedida não é uma boa experiência… Escrever crônicas de despedida, no fundo, tem o papel de confortar o coração, desabafar, cumprir um rito.

No entanto, escrever uma crônica de despedida é sempre doloroso!

Eu não pensei que escreveria esta crônica…

Entre tantos assuntos e os assuntos que repetidamente viram crônica, não pensei que este seria o motivo…

Há alguns dias, perdemos o nosso querido Todd! Um golden retriever amoroso e educadíssimo!

Um gigante gentil!

E tudo foi rápido demais! De maneira inesperada, num de repente que não prepara (e nunca estamos preparados mesmo)!

E sempre perguntamos o porquê!

Por que você se foi grandão?

E agora? Quem vai ficar com os olhos grandes no pão, no tão desejado pedaço de bolo?

Quem vai soltar quilos e mais quilos de pelos pra todo o lugar?

Quem vai pular na água como se não houvesse amanhã?

Lembro que levamos o Todd a última vez na Cachoeira dos Frades, um lugar muito bonito em Teresópolis. Todd não se fez de rogado, todo alegre, correu em direção às águas frias da montanha…

Levamos a Chiara também! E não preciso dizer que ela não tinha o menor interesse em água!

Aquele dia passou devagar (como os bons dias devem ser)! E vou guardar esse dia como uma boa fotografia na memória!

Cada oportunidade, era um mergulho e uma satisfação!

Todd viveu o que se espera de um bom cão: correu atrás de bolas, saltou, fez inúmeras festas quando voltávamos pra casa, dormiu em praticamente todos os cômodos e lugares possíveis e, acima de tudo, se fez presente com a sua doçura e lealdade sem igual!

Nós, humanos, precisamos aprender o senso de lealdade com os cães! Eles são insuperáveis!

Desde pequeno, já me despedi de vários amigos de quatro patas… Entretanto, é sempre difícil se despedir… A verdade é que não queremos essa despedida!

Com o pouco tempo que passam aqui, os cães nos ensinam a ter urgência com o presente e com as horas preciosas do que chamamos vida!

A urgência é esta: amar! Viver em cada gesto a gratidão e a lealdade!

Obrigado Todd por nos ensinar mais um pouco disso!

Antes que as lágrimas encerrem o texto, prefiro terminar por aqui… Imaginando nosso grandão pulando na piscina e sendo feliz aproveitando o dia, a vida como deve ser!

Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.

2 comentários

  1. Que as boas lembranças deste amigo tornem a vida de vocês mais doce e gentil. São mesmo nossos melhores professores… Fiquem bem!

  2. Imagino a dor de todos que tiveram a felicidade de conviver com o Todd! Nesse paradoxo, de dor e alegria que a vida nos imerge, externo meu sentimento de pesar pela partida precoce desse Amigão! 🥲🥲

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