Crônicas

Deixa o mundo lá fora, vai

À primeira vista, nenhuma graça. A turma está lá fora, jogando bola, tomando cerveja no boteco, nadando no clube. E você? Está ali, concentrado, alheio, lendo. “Que programa mais besta!”, “Quem lê demais fica doido!” — já ouvi de tudo.

Mas ler é outra história. Bem diferente de ver série, filme ou novela. Quando alguém filma, quer que você compre a ideia dele. No livro, a escolha é sua. Você decide o que quer, do jeito que gosta, no seu ritmo.

E qual é a graça, então? A leitura dá assunto pra conversa: política, comida, viagem, cinema… Você não fica com aquela cara de paisagem quando alguém chega pra bater um papo.

Mais que isso: tem personagem que parece até irmão gêmeo da gente. E, na imaginação, o herói pode ser você — ou o vilão. A escolha é sua.

Ler não prende. Dá pra aproveitar no intervalo do almoço, esperando no banco, no aeroporto, até dentro do táxi.

E o melhor: é barato. Um amor que cabe no bolso, sempre por perto.

Quem lê não engole qualquer coisa que o primo, o padre ou o pastor falam.

Um livro pode virar tudo de cabeça pra baixo. Pode fazer você mudar de profissão, trocar de cidade, experimentar uma comida nova, viver outros amores, botar gente chata pra correr.

Pode provocar risos altos na rua, lágrimas diante de um prato de sopa, aquela cara engraçada no ônibus.

No fim das contas, um livro é uma fonte de prazer sem fim. Pena que nem todo mundo sabe disso.

Leandro Alves

Leandro Alves é mineiro. Formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, a PUC Minas. Como cronista, participou do Jornal Porta Voz de Venda Nova, criou o blog Preciso De Uma Crônica, além de ter publicado também no site OperaMundi. Cinéfilo apaixonado pelo cinema brasileiro, pela MPB, por poesia, Carnaval, sem falar em ler seus cronistas preferidos como Rubem Braga, Carlinhos de Oliveira, Martha Medeiros e Affonso Romano de Sant'anna.

2 comentários

  1. Excelente texto do cronista Leandro Alves. A cada dia que passa, está escrevendo melhor!

  2. Excelente texto do cronista Leandro Alves. A casa dia que passa, está escrevendo melhor!

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