
Então é Natal!
Faça a conta. Faça a compra. Faça a lista.
Afinal, dentro de poucas semanas será Natal.
“É apenas mais um”, dirá o jovem.
“Talvez seja o último”, pensará o idoso.
“Vou ter que gastar meu décimo terceiro”, pensa o pai. Ou a mãe.
“O serviço vai dobrar”, lamentam a vendedora, a empregada, o patrão, o carteiro.
“Preciso variar e garantir o estoque”, diz o quitandeiro gourmet.
Ovos, uvas, pêssegos e toda a sorte de frutas ditas natalinas.
Ah, sem esquecer da famigerada e hilária uva-passa.
Os avós, os tios ricos, os pais de primeira viagem, os de última ou até os de ocasião fazem uma vistoria geral na casa. Afinal, Natal é festa da família.
É hora de mandar lavar os tapetes, consertar cadeiras, fazer inventário de copos, pratos e talheres.
Hum… chegou a hora da decisão: vai mesmo ter amigo-oculto?
Aquele costume sem autor conhecido, o verdadeiro elefante branco na sala, ou no espaço-cenário onde a família vai se reunir.
A tal brincadeira que não brinca, mas insiste em aparecer.
Apesar de todos, e cada um , jurarem que detestam.
Ou não?
Ah, sei bem…
Presentes úteis, inúteis, indefinidos, caros, errados, “nada a ver”.
Comprados com ou sem boa vontade. Com antecedência ou de última hora, em lojas cheias, vendedores apressados, cuja maior preocupação, no momento, é a comissão de venda.
Esse é um assunto tabu.
Assim como o tio inconveniente que bebe e conta a mesma piadinha de sempre;
a prima de nariz empinado que vai dar “só uma passadinha”;
o décimo namorado que a irmã leva às festas de família .
E que ela jura que desta vez “é prá valer!”
E assim se tem a festa de Natal.
O Menino Jesus?
Dorme, cercado de ovelhinhas e reis magos, debaixo da árvore pisca-pisca comprada na promoção relâmpago do site da Shein.
E o espírito natalino? Ah…
Esse talvez esteja embrulhado, sem etiqueta,
perdido entre os papéis de presente e as sobras do peru.
Então é Natal!













