A vida como deveria ser

  • A vida como deveria ser

    A gente pensa na vida como algo a ser resolvido depois porque tem urgências urgentíssimas sempre por fazer!

    E esquece, com isso, a flor, o amor, o amar, o mar e as rimas todas que estão no ar.

    A gente pensa que tem tempo, mas tempo, na verdade, não há!

    E esquece aquele encontro, o jogo com os amigos, simplesmente ficar de papo para o ar!

    A gente deixa o cinza e o concreto e o sinal fechado interromperem a fluidez das relações, a espontaneidade das coisas e, quando vê, não há mais nada o que fazer.

    A urgência mesmo é a própria vida nas suas explosões e contradições.

    A urgência simples das coisas é viver a vida a cada dia…

    A urgência urgentíssima é sentir, olhar, perceber, respirar, encontrar, fazer acontecer na conversa na varanda entre samambaias.

    Nas risadas entre um jogo e outro de futebol. Nos olhares cúmplices de irmãos trocados na cozinha e nas palavras que deveriam ser ditas e foram ditas… A vida no seu cotidiano!

    Que tal escrever aquele poema que estava esperando sair do papel?

    Que tal subir uma montanha e gastar os pés e o calçado?

    Que tal parar tudo e escutar o som da própria vida?

    A vida como deveria ser…

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