Encontraram o tio Pedro perdido na estrada, perto da cidade vizinha. Estava velhinho, meio caduco; as pernas trôpegas, mal se aguentava em pé; ninguém entendia como tinha chegado até ali, arrastando na poeira da estrada os chinelinhos gastos.
Morava com a Maria, no asilo; não porque fosse um asilado: Maria era a filha; ela e o marido trabalhavam no asilo; moravam numa casinha bem na entrada.
– Por que, pai? – ela perguntou, sabendo que ele não saberia responder.
– Muito sozinho, filha – ele disse.
– Como sozinho, pai? E eu, e o João, e os meninos, nós não estamos aqui?
– Meus irmãos, onde estão os meus irmãos? Todo mundo morreu… Eu estou tão sozinho!
Logo chegaram os outros filhos, que moravam perto, vinham sempre, com as crianças, que adoravam o avô. E vieram os velhos do asilo, fraquinhos, cheios de dengues com o tio Pedro.
– Eu estou tão sozinho – dizia o tio Pedro, sentado no meio de todos eles, os olhos perdidos no ar.