Estreia de Lorena Coutinho no Crônicas Cariocas

  • Qual seu sonho hoje?

    Talvez a melhor maneira de realizar sonhos seja reparti-los em porções diárias. Se sonhar é a realização de desejos, como disse Freud, o pai da psicanálise, até mesmo os que se disfarçam de pesadelos tentam construir novos significados para abrir nossos caminhos.

    O sonho sempre está noutro lugar, ali onde não estou. Ele está no outro lado da montanha, na caída do sol, no ano seguinte, no tardar da maturidade, no horizonte do ideal e assim nosso imaginário viaja para longe do real.

    O encontro marcado com o sonho já produz, por si, prazer.

    O entusiasmo que nos proporciona sonhar nos inebria feito realizar, então, guardamos sonhos sempre as mãos, para que não nos escapem. Quando se realizam, se acabam, como a lua cheia que míngua tão logo atinja sua plenitude.

    Assim como o desejo só se interessa por desejar, o sonho só quer sonhar. Quando mais jovens, aprendemos que adultos precisam ter a sabedoria de adiar as gratificações e a satisfação imediata, que devem plantar com esforço e esperar com paciência para colher. Difícil mesmo é suportar o angustiante tempo da espera, não é à toa que dela, da espera, nasceu a esperança e nos agarramos a ela, na aposta de um ‘Royal street flush’ e lançamos nossa bola para os céus na tentativa de um ´strike´.

    Mas se para viver é preciso plantar e colher todos os dias, não deixe que a fantasia da grande safra do porvir atrapalhe seus planos. Quando “+ adultos” somos, sabedoria é perceber que nunca deixamos de ser crianças, que de maduros só temos a casca e que de imortal só mesmo o inconsciente.

    A vida é uma atleta de alta performance. Corre rápido demais.

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