Poesias de 1 a 99

  • Poesias de 1 a 99

    #01 – ímpetos de reformulação e atitude

    .

    Acendi uma vela, e me veio
    De outro plano
    que não eu, mas era eu, também
    Acender 8
    o 8, deitado, é o infinito
    8, em pé, conforme as coloquei
    tornou-se fogueira

    O fogo ardeu, ardeu e
    enquanto eu vivia o momento presente
    As duas coisas ligaram-se
    Dançado ardentemente
    Pavios como mãos dadas
    Fogo fátuo, feito, farto

    De repente
    minha atenção recor-
    tou-se em du-as
    duas
    e eu estava
    um olho em algo,
    outro na labareda,
    e quando
    as parafinas
    finas de cada vela comprida –
    enfim fundiram-se em uma
    só coisa ardente
    pude ver-me eu
    como mãe
    de mim mesma
    e minha filha – que ainda não veio
    e mais um ser,
    nós duas em 1
    Três
    Três
    Três chamas que dançavam
    como que se conversassem
    por horas
    Anos
    Gerações
    E então o ar tornou-se perfume
    o perfume das mil velas que queimam
    dentro das catedrais
    E meu ventre
    tal qual um oráculo divino
    Escureceu
    Não era peso ou dor,
    Mas silêncio
    um peso nuvem
    Um descanso

    Hibernação
    Libertação
    dentro de uma jornada que se finda

    Aos poucos
    Infinitamente
    Para Três
    Três almas
    Três sabores
    a vida lançou-se para o infinito
    para cima
    potência de início –
    a chama única dentro do pote de vidro
    enegrecido
    abraço de fim.
    E
    Adormeci
    Nova
    para um novo amanhã


  • Poesias de 1 a 99

    04# – RÉQUIEM I

    Estou hoje calado
    como se houvesse
    roubado o silêncio
    dos mortos.

    Estou hoje tranquilo
    como se a calma
    fosse um atributo
    dos homens enfermos.

    Estou hoje festivo
    como se estivesse
    numa festa, e lúcido,
    como se a lucidez
    fosse a própria festa.

    Estou hoje vencido
    como se soubesse a verdade
    e sozinho vou indo mesmo
    a uma festa, atendendo ao
    convite dos mortos.


    05# – RÉQUIEM II

    cérebro inchado
    em recônditas gavetas,
    minha cabeça não deixa
    de doer. fui de mim
    o meu maior inimigo.


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    #01 – METAMORPHOTHRILLER

    Liberdade ilusão
    Vontade reprimida
    Prisão de si mesmo
    Encaixe em moldes
    DECEPÇÃO…
    Nunca foi o que realmente era, considerava o seu próprio ser repugnante aos grandes olhos dos filtros sociais. Lamentava, vestia a máscara e… FIN-
    GI-A…
    DECEPÇÃO…
    Continuava a Tentar…Encaixar…
    Nos moldes | Nos padrões
    Eram pequenos, causavam desconforto
    O Desconforto… DESconfortava
    DECEPCIONAVA…
    Necessidade de…FUGA
    Medo/co…co…co…co…
    CORAGEM!
    Coragem/necessidade

    ATITUDE…
    Olhos fechados ao alheio
    Poder sobre as próprias escolhas
    Atitudes e… CORAGEM
    NOVA VIDA | VIDA NOVA


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    #03: Paredes

    Estou cercado de objetos
    sem expressão ou significados
    (utensílios para o desempenho
    de um trabalho sem utilidade).

    Tenho as mãos ocupadas
    na tarefa de preencher
    o vazio com papéis
    de números impressos.

    A cabeça gira à procura
    de lembranças que possam
    desviá-la do tédio
    de ver gentes.

    Arquiteto planos
    sem propósito algum
    além de preencher
    as horas de um expediente.

    Estou cercado pelos
    quatro lados de um cômodo
    onde recebo clientes
    de um banco de dados.

    Tudo é muito lento
    como o motor ligado
    de um ar-condicionado
    a esfriar meus pés.

    Tenho um olhar cansado
    de olhar o silêncio e
    estar calado, ouvindo
    vozes que não decifro
    e tenho medo.

    Inventário de Sombras


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    002# – AGUACEIRO

    A chuva cessou de chover
    e já agora eu posso
    tirar as mãos dos bolsos
    e atravessar a rua.

    Mas já não tenho mãos
    e nem tampouco posso
    atravessar esta rua, pois
    a água levou-me as pernas.

    E a rua, embora chovida, está seca.
    Eu fui a chuva que choveu e ninguém viu.

    Milton Rezende in “O Acaso das Manhãs”


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