Cães & Pessoas

Uma Crônica Canina – parte 3

Um é obediente, calmo, regrado, um gentleman.

A outra é impulsiva, agitada, desobediente, uma doida…

Um é devagar, sonolento, brincalhão.

A outra é rápida em tudo e uma excelente saltadora! Parece um canguru!

Ambos são carinhosos e demonstram uma lealdade sem igual!

Para fechar a sequência dessas crônicas caninas, não poderia deixar de falar dos meus cães! Todd, um golden retriever, e Chiara, uma vira-lata de dar nó em pingo d´água!

Todd vem de uma linhagem de nobres e educados cães das montanhas friburguenses.

Chiara veio de uma feira de adoção que o meu filho insistiu duzentas vezes para que eu ficasse. Detalhe: eu morava em um apartamento e, a julgar pelo tamanho do filhote que ele me apresentou, parecia que eu estava prestes a adotar um rottweiler

É difícil adequar um espaço pequeno e um cão grande ou médio! Pelo menos pra mim! E assim foi a aventura de ter mais uma vez um cachorro em casa!

Chinelos e móveis mordidos, pé em cocô, reclamações dos vizinhos… Enfim, uma loucura só! Até que conseguimos nos mudar para uma casa e o tão sonhado quintal!

Pronto! Agora podíamos ficar com os dois cães!

Outro detalhe: Todd tem guarda compartilhada! Ele fica um período comigo e depois volta para Friburgo na casa dos meus sogros!

Todd fica dentro de casa! Chiara fica fora! Todd pede para ir ao banheiro! Chiara não precisa pedir! Todd passa quase o dia todo dormindo! Chiara passa quase o dia todo correndo e latindo para o nada!

E você pode me perguntar: como eles conseguem ficar juntos? Eles ficam! E se respeitam quase sempre!

Passeiam muitas vezes juntos. Se alguém estiver com algum alimento na mão (não importa o que seja), os dois vão abrir bem os olhos! Os dois vão ficar olhando até você dar um pedaço (ou não)!

Todd tem uma mansidão quase budista. Chiara parece em ebulição!

Mas o curioso disso tudo é ver que, mesmo tão diferentes, possuem a graça e a simplicidade que todo cão tem!

Hoje, entre latidos e muitos pelos, vejo que a felicidade está realmente nas pequenas coisas…

Termino esta sequência de crônicas caninas com a certeza de que os cães sabem mais da vida do que nós…

Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.

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