Crônicas

“Felicidade se acha em horinhas de descuido”

Bia Mies, sobre citação de escritor consagrado

Foi o Guimarães quem disse. O Rosa, que não é flor, tampouco cor. Ele disse, eu refleti. Me perdi nas horas, horas longas e não pequeninas, que atravessaram meu corpo, minhas ideias e minhas versões, desde o nascimento. Me descuidei, por um fio, horas a fio, fios de cabelos que ainda não embranqueceram.

E foi neste descuido, chamado felicidade, que os fios de meus cabelos foram abraçados, silenciosa, vigorosa e funcionalmente por uma piranha cor-de-rosa.

Não a ofensa feminicida, não o peixe;

Apenas uma presilha.

E não o Guimarães.

Em tantos segundos misturados, um único observador acima de minha cabeça.

No descuido de não arrumar sequer o cabelo, felicidade.

Devolvo, sob a forma de texto-memória, a piranha que o Gabriel Cardoso me deu, uma escrita criativa registrada no tempo (obrigada!)

Bia Mies

BIA MIES é carioca da Serra Fluminense, autointitula-se "do mundo" e reflete em sua escrita um olhar sensível sobre a vida do seu "entremeio": cada crônica torna-se uma interação entre o trivial e a reflexão poética, uma tapeçaria de influências e insights. Tece pontes entre arquitetura, urbanismo, artes visuais e cênicas, moda, leituras, cafés, viagens, família, amores, Zeca (seu fiel companheiro de quatro patas), amigos, Itália e "experiências dos usuários", área na qual atualmente se especializa. Cada percepção transforma-se em texto, numa busca exploratória de pensamentos e emoções, através de uma visão pessoal do cotidiano e do extraordinário. Celebra a beleza da imperfeição e convida o leitor a uma jornada introspectiva, onde cada palavra é cuidadosamente escolhida para ressoar e provocar. Como o sopro das vivências que se entrelaçam pelo seu caminho, Bia Mies homenageia quase duas décadas de exploração literária no Crônicas Cariocas.

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