Poesias de 1 a 99

Poema #02: Trinta e sete tonais de tinta

Foram precisos tantos
e tais quais tonais
de tons entonados
de tamanho eterno
e com ternura tal..

Teria tido eu
um tempo ao qual
tenro, turvo, talho,
traços de tinta em rabiscos

e tirando tudo de trás…
teria eu tentado?

Se tentei foi por tentar.
Tirava tudo o que me trazia,
talvez até mais…
onde coubesse tanto.

Traste! – terminei traçando,
“É o que se diz”, entoei
“quando muito se tem,
pouco se tenta”
.

Pois quero tentar ter nada.
Ou mesmo tais tonais quais
que não tires de mim tanto
que sou tinta entornada,

tecido traçado no túnel
de um tempo tirano;

em torno de tudo,
envolto de tanto,
esboço de lata

Pedro D’Ambrosio

Pedro D’Ambrosio é ítalo-brasileiro, artista independente e assistente jurídico, atualmente habitando o interior do norte fluminense (RJ). Escreve entre a inquietação do pensamento e a delicadeza da forma, explorando temas como linguagem, existência, silêncio e travessia. Seu trabalho se movimenta entre a filosofia, a poesia, a música e a arte como gesto. É Licenciando em Filosofia pela UNINTER e também Bacharelando em Direito pela Universidade Candido Mendes, mas é no espaço sensível das ideias e das criações que constrói sua estrada. Fala inglês e italiano, e além da escrita, encontra nas viagens e no montanhismo experiências de escuta e abertura ao mundo.

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