Poesias de 1 a 99

Poema #13: As Naus e o Sonho

Entre as naus e os sonhos de antes
Anterior à memória, objeto estranho…
o mar era só… sem os seus navegantes.
Calmo, vário e tamanho,

As águas, um mistério, um senão
porém, quando teima a criatura humana
o desejo insistente instiga a mão
a alcançar tudo, com toda a gana…

brota na alma um querer
mais que tudo e muito mais!
Indo sem ir e vendo sem ver
do precipício à beira do cais.

Da imagem fez-se o nobre canto
do canto nobre fez-se a triste sina
da sina triste revelou-se, no entanto,
o mundo de todos, de todos a cisma

de içar ao alto a mais alta vela,
cortar as ondas e caminhos abrir
aos gritos triunfantes da sentinela,
vendo sem ver, indo sem ir…

Vendo sem ver, indo sem ir
A história do tempo mostrou
Lágrimas, morte, um pesado porvir
O que figura humana jamais imaginou…

Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.

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