Poesias de 1 a 99

Poema #55: Linguagem do escuro

Agora que a luz se apagou
e a solidão restabeleceu seu domínio,
ouço com receio a linguagem do escuro
que me des-norteia a vida.

Nasci sob o signo da morte
mas prefiro-a assim,
conquistada aos poucos.
Porção diária de veneno
que injeto na raiz da vida
até que ela, afinal, desapareça.

E a linguagem do escuro prevalece
(ainda que se acendam todas as luzes)
como sendo a linguagem universal de tudo
a tecer as teias da incompreensão fraterna.

Areia (À Fragmentação da Pedra)

Milton Rezende

Milton Rezende, poeta e escritor, nasceu em Ervália (MG), em 23 de setembro de 1962. Viveu parte da sua vida em Juiz de Fora (MG), onde foi estudante de Letras na UFJF, depois morou e trabalhou em Varginha (MG). Funcionário público aposentado, morou em Campinas (SP), Ervália (MG) e retornou a Campinas (SP). Escreve em prosa e poesia e sua obra consiste de quinze livros publicados e quatro e-books. Fortuna crítica: “Tempo de Poesia: Intertextualidade, heteronímia e inventário poético em Milton Rezende”, de Maria José Rezende Campos (Penalux, 2015).

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