Poema #08: Alteridade

  • Poema #08: Alteridade

    Este que vos premedita
    Devia dizer-lhes algo
    Mas o profundo que é o sereno
    Mais errôneo que o acaso tornou-se

    Então dizes ao papel:
    Das tuas palavras fizestes
    De pouco caso;
    Que se bastasse um punhado
    ‘Inda que só coubesse o que lhe atava.

    Sonoridade tal das águas já lhes assoavam
    Os cascos empoeirados da vigília
    E tu sonhastes teu atraso…

    O não que dizes é certeiro
    Ressoa pra longe, bem longe se estende.
    Caronas apanhas; onde te encontras?
    Ao retorno te encostas
    De onde trazes teu perdão e tua luta.

    A complacência sempre ouve teu discurso
    E a vergonha nunca toma tua teima.
    É que de verdade, amigo, lhe juro
    Veneno bom fizestes, em fatos,
    Contigo ninguém pode;
    Comigo, jamais pude.

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