Cães & Pessoas

Uma Crônica Canina – Parte 1

Como escrever uma crônica canina?

Lambidas, olhar pidão, um rabo que tem vida própria e muitas alegrias!

É a minha primeira crônica canina! Experiência com cães eu tenho, desde pequeno! Lembro de um dálmata lindo que tive quando era criança! Duquesa! As lembranças são poucas porque era muito criança!

Mas do primeiro cachorro que levei pra casa (sem contar obviamente para os meus pais) eu tenho as primeiras memórias afetivas que marcaram a minha vida! Apolo era o nome de um vira-lata baixinho, troncudinho e esperto que adorava lasanha, pizza e espetinho de frango! Corria atrás de bola, fugia de casa com frequência e matava as galinhas da casa da minha avó com uma patada só!

Apolo viveu bem sua vida: correndo, brincando e viajando. De todos os cães que tive foi o que mais viajou, embaixo do banco do carona onde sentava a minha mãe, ficava ali quietinho até uma parada! Quando parávamos, ele atacava dois espetinhos de frango e estava pronto para seguir a estrada…

Infelizmente, como todos os bons cães, ele não pôde ficar aqui nessa vida com a gente e nos deixou por causa do coração!

A outra experiência foi com um cão fofoqueiro! Sim, fofoqueiro! Ele passava muitas horas do dia pendurado no portão da garagem olhando a rua e prestando atenção a todos os movimentos. O nome dele era Baggio! Sim, o nome do jogador italiano que perdeu o pênalti e deu o tetra ao Brasil. O nome quem deu foi o meu pai e nunca entendi o porquê do setter irlandês nunca ter sido chamado de Dunga, Bebeto, Romário, enfim… Ficou Baggio mesmo!

Baggio viajou pouco! Ele não curtia ficar muito tempo dentro de um carro e, por isso, perdeu algumas oportunidades que o Apolo soube bem aproveitar!

Mas, a despeito das viagens e das estradas, tanto Apolo quanto Baggio mostraram em cada olhar e em cada lambida a intensidade que todo cão vive a vida. A intensidade de todas as esperas! A intensidade de fazer a criatura humana feliz…

Continua…

Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.

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