vira-lata

  • O nome dele é Cookie

    O nome dele é Cookie. Abri a porta e ele entrou puxando uma das minhas filhas. É um cachorro vira-lata. Mas com todas as vacinas, banho tomado e bem cheiroso, assim me asseguraram. Pus meu nariz longe do seu pêlo curto sem qualquer vontade de tirar a prova se ele é mesmo esse modelo de asseio.

    Sou alérgico a pelo de cachorro, gato, cavalo, anta, leão, vaca e por aí afora. Meu nariz entope, tusso como se fosse cuspir os pulmões, o ar me foge e meus olhos lacrimejam. Em resumo, fico de um jeito em que deplorável é elogio.

    Por isso a visão dele entrando pela sala cheirando tudo a torto e a direito me irritou.

    De personalidade, meu temperamento vai mais com o gato. Silencioso e tranquilo, apesar do pêlo. A movimentação frenética dos cães somado ao latido deles definitivamente não me agradam. Sem espaço para correr livres eles precisam dos donos para atender suas necessidades diárias de exercícios. Algumas raças, não sei dizer quais e nem sem os sem-raça estão incluídos, tem uma atração especial por roer tênis, sandálias e sapatos. E nem vou mencionar os óbvios xixi e cocô diários. Só de imaginar suspiro aborrecido.

    Mas Cookie tem seus encantos.

    É bonitinho e alegre como todo cachorrinho novo. Esperto e simpático como cabe a um vira-lata que se preze. Se fosse de raça podia se dar ao luxo de ser esnobe. Sem raça definida o imperativo da sobrevivência grita mais alto. Ser gentil, comunicativo e afável são suas armas para conquistar o mundo. Somada a pouca idade do filhote, ele tem tudo para ir bem na vida.

    Me juraram que não terei de participar da vida de Cookie a saber limpar as sujeiras diárias, passear, dar banho e ir ao veterinário.

    Não vai crescer muito porque foi castrado já. Estava aos cuidados de uma ONG de bom coração que acolhe os animaizinhos. Muito fofo.

    Cuidar já tenho duas filhas para cuidar e me bastam. E elas, agora tem Cookie.

  • Uma Crônica Canina – Parte 1

    Como escrever uma crônica canina?

    Lambidas, olhar pidão, um rabo que tem vida própria e muitas alegrias!

    É a minha primeira crônica canina! Experiência com cães eu tenho, desde pequeno! Lembro de um dálmata lindo que tive quando era criança! Duquesa! As lembranças são poucas porque era muito criança!

    Mas do primeiro cachorro que levei pra casa (sem contar obviamente para os meus pais) eu tenho as primeiras memórias afetivas que marcaram a minha vida! Apolo era o nome de um vira-lata baixinho, troncudinho e esperto que adorava lasanha, pizza e espetinho de frango! Corria atrás de bola, fugia de casa com frequência e matava as galinhas da casa da minha avó com uma patada só!

    Apolo viveu bem sua vida: correndo, brincando e viajando. De todos os cães que tive foi o que mais viajou, embaixo do banco do carona onde sentava a minha mãe, ficava ali quietinho até uma parada! Quando parávamos, ele atacava dois espetinhos de frango e estava pronto para seguir a estrada…

    Infelizmente, como todos os bons cães, ele não pôde ficar aqui nessa vida com a gente e nos deixou por causa do coração!

    A outra experiência foi com um cão fofoqueiro! Sim, fofoqueiro! Ele passava muitas horas do dia pendurado no portão da garagem olhando a rua e prestando atenção a todos os movimentos. O nome dele era Baggio! Sim, o nome do jogador italiano que perdeu o pênalti e deu o tetra ao Brasil. O nome quem deu foi o meu pai e nunca entendi o porquê do setter irlandês nunca ter sido chamado de Dunga, Bebeto, Romário, enfim… Ficou Baggio mesmo!

    Baggio viajou pouco! Ele não curtia ficar muito tempo dentro de um carro e, por isso, perdeu algumas oportunidades que o Apolo soube bem aproveitar!

    Mas, a despeito das viagens e das estradas, tanto Apolo quanto Baggio mostraram em cada olhar e em cada lambida a intensidade que todo cão vive a vida. A intensidade de todas as esperas! A intensidade de fazer a criatura humana feliz…

    Continua…

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