Poesias de 1 a 99
É um espaço destinado para poemas de novos e autores consagrados.
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Um laço e um nóe o engasgo e o silêncioa palavra muda amordaçada e nadado que fizera antes apagao fluxo do poema e da prosae as mãos frágeis do poeta-cronistatentam a todo custo segurar o textoo desejoa insensatez e a loucura e o rio de letrassílabas palavras-
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Alguns dos meuspoemas são comoletras de músicasem música. Alguns dos meusgestos são comoatos de uma peçasem atores. Alguns dos meussonhos são comoum comício públicosem plateia. Alguns dos meusatos são comoum filme mudosem cenário. Alguns dos meusdelírios são c
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Estou debruçadosob a fagulha do instante.Me distorço enquanto crioa ilusão de um esboço para algoque sequer sei o quê. Ouso um salto, um pêndulo.Giro de cá e de lá.Laço-me à vertente de um vértice,dobro os olhares e os reviro, o sintoma.Tu, que me devoraste. A
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Subtraímos da vidaa sua menor parcelapara o preenchimentode nossas carências. Mas ao assumirmos ocontrole desta mínimapropriedade, sentimos que ela não nos bastaposto que a enxergamosapartada de sua totalidade. Acrescentamos então à vidaa parte restante que fa
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Sentar-se à varanda e deliciar-se com aspassadas, dos sons da cidade,com a corrente inóspita do tempo… Ao silêncio de um lago turvoque se desdobra,sobre as luzes que escapam, e a vida queexiste… como que omundo as retirasse de si. E notar as ondas eterna
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A chuva veio tomaros meus pensamentose me puxou pelo braço… assim inteiroe já não me sou…deixei de ser…somos e não somos.Várias vozes… absorção.Um senão! E fica a impressãode que a vida se abandonana brevidade acelerada das coisas…
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A palavra dada tem valorinsuscetível de medir.Pode-se apenas estimar o pesona palma da mão estendida. O corpo intui o preçoque o verbo não soube exprimir.Em troca, a renúncia ao trocoabrevia o lapso do som ao silêncio. No mercado das promessas,a confiança é so
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O teu corpo,pássaro esculpidono assento dosofá da salade visitas,é uma ampla salaonde te visito(abolida a noçãode sonhosob o teu vestido),sempre que o desejodo corpo desenhaa moldura de umpássaroem teu assentoInventário de Sombras
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onda mortiça,que oculta em seu manto de espuma?pérola ou lixo?fragmento de concha ou ponta de vidro?cobertor de areiaespelho de estrelapoça onde a sereia afônica afunda os pés sem dedos O corpo inteiro afogado no poço sem fundo.A memória em desordem de molho n
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Sem querer descansoUm espantoVoluptuosa correnteSente que é noiteDentro da gente. Sem querer remansoMansoMato verde molhadoSente que é serenoEnluarado. Sem qualquer prantoPronto:Torre de vento e estrelaSabe que é madrugadaNada. Vem molhada de cantoQuer tantoBo
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talvez uma nota sósurge avulso na meia luzmonótono feito o cantoque se destina a embalaro teto o chão as paredes a coreografia do póprojeta no espaço em brancoo sonho de não morrero ritmo é a bolha que estourano silêncio da distância rebate elástico o nóduelo
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“… você marcou a minha vida, viveu, morreu na minha história, chego a ter medo do futuro e dasolidão que em minha porta bate… eu corro e fujo destas sombras, em sonhos vejo este passado, ena parede do meu quarto, ainda está o seu retrato, não quero ver pra não
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Vê onde há dor,vá onde se avista,doa o que não se pede,perca o que não se dói. Foi o que não se via,viu o que não se achava,trouxe o que não devia,deveu o que não se tinha. “Terei onde ser um outro,verei o que há de novo”,tentou ser tudo que tinhav
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“eu cavalguei por ruínas e era preciso ter coragem para a troca de guarda”Bob Dylan Algo me diz que é chegada a horada troca de guarda. devo sair. Estive 35 anos de pé junto ao balcãovigiando os esquifes dos homens mesquinhosque idolatravam a coroa de latão qu
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inspirado em versos de Lennon/McCartney Estamos num barcono meio do oceano.Toda compreensão de mundoque temos não ultrapassao nosso raio de visão. E como nossa visão é curta(e não nos conformamos com isso),às vezes utilizamos algum instrumentoque nos dê a sens
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Foram precisos tantose tais quais tonaisde tons entonadosde tamanho eternoe com ternura tal.. Teria tido euum tempo ao qualtenro, turvo, talho,traços de tinta em rabiscos e tirando tudo de trás…teria eu tentado? Se tentei foi por tentar.Tirava tudo o que me tr
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A gente corre e esqueceO tempo aquece, escorreSe a vida dança, eu rioSe a vida flui, eu sambo De lá eu vejo, sintoDe longe eu peço, e ficoDa rua, a terra, o transeA moita, espreita, um tanto Eu tive sede e sonhoVivi a luz, a sombraTimbrei um brado, um tintoUm
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a gentesempre se ressentecontra quemsupostamentese diz muitofeliz Da Essencialidade da Água
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Milton Rezende22.07.2025
Poema #31: CACTOS
No meio da tardeNo meio do mundoNo meio da salaestamos plantadoscomo uns cactos. No meio da vidaNo meio do sonhoNo meio do amorestamos atadoscomo uns escravos. No meio do caminhoNo meio da raivaNo meio do medoestamos presoscomo uns condenados. No meio de tudoN
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Gosto do silêncio.Prefiro ficar em silêncio.Vejo as pessoas conversandoe a imagem que me fica é ado cuspe trocado entre elas.
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Terminantemente cego pelo brilho da sua voz,custei a compreender que o farol era oco.Lançam-se às ondas os que não veem.Os olhos,mal acostumados à claridade nua,não distinguem o contorno do timbre que os feriu.Perfil de muitos rostosou nenhum. Vem de lá o jogr
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A tosse que se ouviu pulsar,entranhada nas dobras do ar, ouvi que nunca houve outra igual,engasgo ou sintoma de um malque se ouvisse sem se escutar. Como prever em qual lugar,incontrolável como o mar,recairia o surto canibal que se ouviu pulsar? Nesse jogo de
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Estou acordadoe não sonho,mas a realidadeantecipadame envolve. A barba se medesprende do rostofio a fio num friomaior onde estoume enregelando. Tudo se dissolvena aparência de ossosde que fui formado,e que é minha formamais resistente no mundo. Mas a terra(com
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Da onda ao pé da praia,recolho as relíquias do mar:sigilodeslumbrante encantopronúncia sincera de uma fé sem dogmas. Preservo meus amuletos.Quisera crer somente na forçadas águas que os trouxeram,banhados em luz e sal,sutil religação do corpo ao mistério. Algo
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Eu estava de tocaia na praça em frente à sua casaaí ela chegou de bicicleta e quando foi abrir a portaeu ataquei, agarrando-a por trás e já sentindo o delíriodaquelas carnes macias que me foram negadas em vida. Havia crianças por perto e então eu achei melhori
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Inunda o céu a invasãodesse voo vadio sem asasde volteios fora do tempoa trapacear a vertigem. Fora de ordem e selvagenssão as aves que sequeras mais hábeis artimanhasmantiveram na gaiola. Em silêncio, em liberdadefuram a fila das nuvense enganam sombras e luz
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quando eu tinha todos os movimentoseu era sol entre nuvensaves de arribaçãoqualquer coisa de menos sólidapor haver.eu via cachoeiras em meus sonhosremanso de riospedra grande de sentar meninoflorestas a esculpir. Da Essencialidade da Água
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Ouço os passos do ventoOuço e estremeço… Tempo EntretempoOuço rumores de ventoE penso que sou euo ventoe o rumor Momento…E o meu corpodescolado das palavrasé brisa marinhaAs ondas me invadem uma a umae a sensação da vida e do amor preenchem os espa
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Repara a frente do verso.Gêmeas, capa e contracapadispensam qualquer remendo.Abrem-se livres, pois sãoasas de uma ave vadiaa desnortear perspectivas(no alto, embaixo, início, fim). Enumerar as palavrasno caderno é exercícioárduo de caligrafia.Um sem-número de
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eu faço versoscomo quem martelaas sílabas do vocabulário:trôpego quase sempre. eu faço poemascomo quem sofreas pancadas do destino:difíceis como sempre. eu sobrevivocomo quem hibernana escuridão da noite:dilacerado sempre e sempre. com a música do Led Zeppelin
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