Poesias de 1 a 99
É um espaço destinado para poemas de novos e autores consagrados.
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Este pedaço de céuque me foi permitido entreverentre os edifícios,assemelha-se a uma parte de mimque ainda se resguardapara nada.Areia (À Fragmentação da Pedra)
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A paixãoé a antessalade uma paranoiana qual entramoscom um sorriso largode quem não sabeque penetrou num túmulo.A Sentinela em Fuga e Outras Ausências
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“meu Deus, porque me abandonaste?se sabias que eu não era Deus,se sabias que eu era fraco”Drummond protagonistade minha vida pregressahoje sou coadjuvantede ruinas. nas águas do riofiz algumas tentativasmas acabei afogandona correnteza. mudei de fase:virei pes
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. “e ficam tristes e no rastro da tristeza chegam à crueldade” Drummond fica estabelecido queos meus concidadãos,mesmo aqueles quemoram em águas-furtadasserão livres à maneira deles. fica estabelecido queapesar do sonho játer acabado desdeo anúncio de John Len
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. Vozes inaudíveisgolpeiam meu silênciode bicho entocado. Sou perseguido por fantasmas(desdobramentos de mim)e os apascentoem precária unidade. Sei da existência sem vidae dos hálitos fétidos da morteque povoam a noite dos túmulos. Meu corpo é um mapaonde se c
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Numa ocasião em que eu estava(como das outras vezes) prestesa me naufragar no abismo do delírio,houve um sorriso de dentes postiços. Mas eu já não queria mais cairna cilada do amor fugaz e preferiaestar quieto e fugir para longe doalcance de uma outra decepção
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Nada consta.Consta que seja um nadaem face a uma constânciade extremos inarredáveis.Enfimum nada consta sobreoutro consta um nada— A vida incerta do homem —Nas folhas gastas do mundonão consta nada emdetrimento desse nome.Um simples nome em meioa t
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. “o peixe sabe de tudo e nada”autoria desconhecida, século XIII tenho dois mesespara morrero ódiome circunscrevecomo camadasde água que veminundando tudo,desde as primeiras célulasaos últimos fios de cabeloe são águas salobras, escurasde quando faço a descida
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. Um escritor nunca escreve sozinho…Antes, escreve com todas as vozesQue sussurram a todo instantehistórias e versosAcertos e desacertosMelodias e ilhasDesconcertos… Sou Cecília…Oswald, Mário, Carlos… Andrades!Sou também Bandeira! Camõe
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. Na penumbrame faço grandecomo minha sombra na parede. Porém a paredenão é intactacomo a cerâmica do banheiro. Suas imperfeiçõesremetem-me para além dela mesmae me vejo em cada detalhemal sucedido de sua arquitetura. Na penumbrame faço gentecomo as presenças
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. Tudo é poesiaA agitação da ruaO sinalE a correria!A voz do vendedorO som do dia. Tudo é poesiaA propagandaO chafarizAté a melancoliaO engarrafamentoO papelão pra noite fria. Tudo é poesiaOs menores na esquina,Uma bola ou um limãoAcrobaciaNo alto dos edifício
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foi precisoque eu fosseenvelhecendopara entender(em parte) oerotismo tardionos poemas deDrummond. é que precisamosir perdendo parapoder reconquistar.é preciso ir morrendopra aprender a gostarda vida e tentar(quando não é mais possível)usufruir da beleza da águ
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Da janela da casa onde moroaguardo a chegada de algunsamigos para a festa deaniversário. Nada se move, exceto a minhasombra na varanda, vazada deangústia, silêncio e noite. Fecho as janelas da casaonde moro e ainda douuma última olhada atravésdas frestas da ve
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. Sob uma chuva de outubroo germe penetrouno solo árido de mim,onde as emoções se resguardavam. Mas o sol e o raciocíniodos meses subsequentesatrofiaram o germe ávidoque havia trazido o amor. E foram tantos os desencontrosdo clima naquele anoque a meteorologia
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Cinco anos depois da pandemia ser anunciada, revisito este texto que nasceu em meio ao isolamento — ecos de um tempo que ainda ressoa. O horizonte anunciou um desafioNa época que trariaTanta luz e liberdadeChegaram tempos de trevasFomos convidados ao exílioUm
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. sabe,há um momentoem que a luafica escura. é quando,a escuridão maiorvinda dos montescobre a Rua Fácil. e tudo,vira um só quadronegro, uma lousafria que antecedea morte. Da Essencialidade da Água
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E todo verso que façoUm pedaço de mim está e fica e se vêUm outro ninguém sabe, um laçoque não se sabe onde fica e nenhuma vista lê E toda estrofe que nasceMeus sonhos e verdades lá estãoNum outro canto, outras verdadesNo esquecimento ficarão Quando o poema, i
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No silêncio sepulcral desta noiteabro a janelae recebo a visita do demônio.Juntos travamos um pequeno diálogoacerca da destruição do mundo. Depois percorremos os cemitériose os ninhos dos pássaros agourentos,respiramos o hálito da mortee compactuamos da miséri
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. Nossos filhos nascem cegospela poeira do nosso tempo.Nós ainda enxergamosporque já entendemos o mundoa partir da poeira que há nele,e que não nos incomoda muito.Areia (À Fragmentação da Pedra)
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Quando acordei do comaeu já não tinha maisa mobilidade de antes.Olhei para as paredesde vidro do isolamentoe já não tinha a mesma visãode antesa mesma audiçãode antes. O mundo parecia ser outro. Perna e braço direitosestavam paralisados,dormentes e um sonode l
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. – Fala o poeta de vanguarda: A estrutura do verso está invertida em meu caleidoscópio. Preciso de uma máquina rápida e perfeita para fazer uma circuncisão mental: “Quero que a estrofe gravada ao jeito do vídeo cassete saia nítida, sem um defeito”. – Fala a c
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hoje eu mordium chumaço depapel higiênicopara estancar(ou tentar conter)o sangramentoda língua dilacerada:como um cadáverantecipado que devorao seu próprio sudário. Um Andarilho Dentro de Casa
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. A ilha com seu silênciome comunica a mortedos seres espectraisque nela vivem ou já viveram. A ilha cercada por manguesé um poço de lama e óleo. Os pescadores da ilhame comunicam o fimdos pescadores da ilha. Os pescadores da ilhame apresentam a pesca de um di
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. cheguei cansado para deitarsobre a cama de papelão no chãoe debaixo da marquise gotejante. uma poça de água da pingadeirasobre o passeio do mercado desativadoonde dormiam indigentes à espera do fim. dormir é dócil como o bebê embriagadodesapercebido dos plan
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#06 – FAZER POÉTICO O primeiro verso é um pouco como o arPalavras soltas, palavras para cá e para láMas mãos cuidadosas vão caçando no brincarE o céu poético se ordena e tudo lá está. O quinto verso, já encorpado, é como a terraPalavras fortes e consistentes q
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. “sob a luz de neon, o silêncio cresce como um câncer.as pessoas se curvaram e rezarampara o deus de neon que elas criaram.as palavras dos profetas estão escritas nas paredes do metrôe nos corredores do cortiço”Simon & Garfunkel era a noite fria e chuvosa
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. “entre os anos de 1764 e 1767 os habitantes da pequena província francesa de Gevaudan, atualmente parte de Lazere, próximo das montanhas Margueride foram aterrorizados por uma criatura lupina que passou a ser conhecida como La Bête Du Gevaudan ou “A Besta de
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Noite fria, sombria, quieta.Ele, calado, encolhido, matutando.Eu, na espreita, alerta, sentinela.Nós, famintos, sedentos, enjeitados.Olhos remelentos, húmidos, arregalados.Corpos esquálidos, caquéticos, patéticos.Dentes que bambeiam, rareiam, vadios.Garrafa va
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#04 – O Piso da Minha Alma . ressoam em meu cérebroecos de canções que eununca escreverei jamais. mas existem em mimcomo acordes tangíveisdo que se aspira a ser. à sombra do músico adormecidoeu vivi a minha vida inteira assimdisfarçado de poeta como se f
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