Crônicas

Nada de Novo no Front

Nada de novo no front.

Mais uma guerra… E as guerras não têm nada de bom…

E esta crônica, infelizmente, se repete. Mais uma crônica sobre as guerras, quando não se deveria escrever crônicas sobre guerras!

Contudo, mais uma vez, preciso escrever que não há nada mais estúpido do que a guerra!

A guerra interrompe o canto. Paralisa o jogo. Congela sentimentos.

A guerra separa amores, aniquila sonhos, pulveriza infâncias, desmaterializa as coisas e desumaniza os humanos.

A guerra vive de farrapos e de figuras esquálidas. A guerra se alimenta do medo!

E por que fazemos tantas guerras?

A mesma ganância, o mesmo poder, a mesma influência…

Às vezes, faz-se guerra pelo simples prazer de guerrear. Assim, animalesco e brutal.

Às vezes, faz-se a guerra por não ouvir. Por não querer ouvir! Por jamais ouvir o que é diferente!

Outras vezes, faz-se a guerra por querer gritar verdades específicas que um grupo toma para si como a única verdade!

No entanto, a verdade mesmo é que as guerras ensinam dor e solidão.

A tradução de uma guerra está nos olhos marejados de uma mãe que não receberá seu filho.

A tradução de uma guerra está nos traumas e nas memórias de uma nação inteira que segue enfrentando fantasmas…

A guerra e os estúpidos que a veneram.

Estes estúpidos amam bombas, flertam com mísseis, beijam metralhadoras e se insinuam com tanques. Não sabem nada da vida! Não querem vida!

Tragicamente, são sempre os estúpidos a governar e a iniciar todas as guerras…

Nada de novo no front…

Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.

2 comentários

  1. Pior que há algo de novo que ainda não foi entendido. Tal realidade que nos toma de assalto está na fala de Clarice Lispector “E nós é um.” E haja consequência. 🙁

  2. Triste realidade eterna (enquanto vem durando) é essa das guerras! Nós humanos parecemos ser mesmo belicosos.
    Temos prazer na discórdia, na confusão. Tudo pelo poder, pela ganância. Tudo por falta de segurança. Começa com simples discussões em família ou entre amigos. Passa pelas perseguições, lacrações, boicotes… Até chegar às torturas psicológicas e agressões físicas. Daí, o discurso da guerra se torna natural. Quando vamos para de nos matar? Quando vamos para de quebrar? Quando vamos parar de aniquilar e de destruir inclusive o que não é material? Só vejo resposta na fé.

    Um excelente texto, amigo!

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