Poesias de 1 a 99

Poema #10: OUÇO RUMORES

Ouço os passos do vento
Ouço e estremeço…

Tempo

Entretempo

Ouço rumores de vento

E penso que sou eu
o vento
e o rumor

Momento…

E o meu corpo
descolado das palavras
é brisa marinha

As ondas me invadem

uma a uma
e a sensação da vida e do amor

preenchem os espaços outrora vazios

preenchem cada canto
o olhar de sal

e as mãos que se quebram de tanto escrever

As ondas e o vento
e o meu corpo ainda intacto

Depois?

Não ouço mais nada…

Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.

Um comentário

  1. Destaco “E penso que sou eu”. Vdd., como nos confundimos com os rumores, Somos muito barulhentos, já perceberam? Mesmo que consigamos fugir dos rumores externos, os internos nos perseguem.;)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Desative para continuar