Crônicas

  • maio- 2026 -
    10 maio

    Dia das Mães

    Mãe. Palavra pequena que significa tanta coisa! Abraço, afago, aconchego mesmo no cansaço, presença, cuidado… Mãe. A matemática de contar feijão! Um a um na palma da mão… Mãe. Saber a palavra certa ou não ter palavra alguma e mesmo assim, falar com os olhos. Mãe. Toda mãe tem seus silêncios! E os silêncios continuam a dizer coisas, só que como um sussurro… Há coisas que não precisam ser ditas com palavras, não é? Há coisas que chegam assim, num sussurro… N

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  • 10 maio

    O outro pé da meia

    Noite fria, escura.Abre a portinhola. A roda gira.De cabeça coberta, estica os olhos para os dois lados sem virar o rosto.Ninguém à vista. Por um momento titubeia. Mas já está feito. Não há volta.Segue em passadas trôpegas seu caminho. **** Sentindo um ardor na boca do estômago, Stefano serviu-se de uma caneca grande de café, entrou no quarto e fechou a porta. Permaneceu alguns minutos diante da janela, até que o calor da bebida agasalhasse um pouco o cora

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  • 10 maio

    Rosane desistiu

    Meu nome é Rosane. Detesto quando me chamam de Rosana. Friso sempre o “e” no final. Não sou uma mulher exigente. E a carência está me fazendo ficar ainda menos. Sinto falta de transar, sinto falta de romance, sinto falta de um homem a quem possa admirar. A questão é que não me encanto com facilidade. Não será um abdômen definido, um bíceps malhado ou um rostinho perfeito que me fará ficar animada. Homens com barriga, pouco cabelo, aceito desde quemostrem v

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  • 9 maio

    Mundos Paralelos

    As pessoas se levantam cedo, tomam seu café e vão trabalhar. Trabalhos variados, perto de onde moram ou longe talvez; trabalhos fáceis, difíceis e até penosos. Existe um ditado muito popular que diz: “O trabalho dignifica o homem.” Não sei ao certo quem primeiro disse isso. A frase atravessou o tempo, ganhou força, repetição e certo prestígio moral. Embora, em alguns momentos, também pareça servir para romantizar excessos e medir a dignidade humana apenas

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  • 9 maio

    CARAS E COROAS

    “Esse cara sou eu” (Roberto Carlos) Esse texto vai para aqueles que, como eu, já foram caras e, sem aviso prévio, foram remanejados para a turma dos coroas. Devo ter faltado à assembleia deliberativa que cravou essa arbitrária realocação, à revelia dos afetados. Acho que criaram as regras desse jogo para me infligir essa fatalidade metafísica em que o resultado do arremesso da moeda do destino estabelece ‘cara’ para a fase ascendente da existência e ‘coroa

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  • 8 maio

    Ulisses à beira da lagoa Rodrigo de Freitas

    Alguém já disse que um dia de sol no verão do Rio de Janeiro chega a ser musical. Há no ar uma atmosfera positiva, de bom humor e de vontade que a vida dê certo. As pessoas circulam mais leves, esbanjam-se sorrisos e há uma eletricidade positiva no ar conectando a todos. O clichê que diz que o carioca é um ser solar se encaixa com perfeição quando chega o verão. Esse era justamente um domingo desses. Ele acordou cedo desperto pela claridade intensa que inv

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  • 7 maio

    Um gênio e um louco

    Em 1879, o Professor James Murray candidatou-se para liderar a tarefa de elaborar o célebre Oxford Dictionary of English. Monstruosa empreitada que consistiu em colocar toda a língua inglesa em livros, bem como a etimologia das palavras e o sentido de cada termo. O filme “O Gênio e o Louco”, que foi aos cinemas em 2019, contou essa história: um grupo de sábios reuniu-se para resolver a pendência de 20 anos da Universidade de Oxford. No papel do Dr. William

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  • 3 maio

    O que há de velho?

    Li, há muito tempo, um conto em que o protagonista se queixava de que os amigos sempre lhe faziam a mesma pergunta: o que há de novo? Não recordo o nome do conto nem do autor, a quem humildemente peço desculpas, embora estas soem falsas dado que ele deve ser falecido. O protagonista do tal conto, cansado da mesmice repetitiva da pergunta, decidiu vingar-se e passou a responder com notícias bombásticas. Lembro-me que uma delas dava conta de um avassalador t

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  • 3 maio

    No raso, a/mar não ensina — derruba

    Aquosa, a superfície reflexiva. – custa a – Imprópria ao banho… Mergulhar machuca [jamais acolhe]; rasga, sangra, desfaz a um e à outra sem que se fundam; era ela o acaso. – …entender que aquela é – (A/) Ela – narrativa, aqui; não fofoca – que, sem distorcer o sentido da prosa, faleciam palavras para exprimir o que sentia. Sentia – e segue sentindo – a falta de si, dela própria; demora-se na compreensão da charada. Só então veste-se de si mesma. – …

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  • 3 maio

    Sucesso

    Diana Duran, cantora e compositora, planejava lançar seu novo álbum com músicas inéditas. Algumas faixas em inglês. Quando Diana cantava em outro idioma, inventava erros linguísticos somente pela graça do viés poético. Adorava aliterações, repetições de sons para dar ênfase ao conceito. Para ela, certos sons se encaixavam melhor nas canções, ainda que pudessem soar algo inusuais. As letras simples falavam de amor e solidão. Tinha um tipo de poesia blasé co

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  • 3 maio

    Arca em regime fechado

    Como se não bastassem os quarenta dias de dilúvio, ainda teve o Pandê. Consta que tudo começou com um morcego infiltrado — desses ressentidos — que embarcou sem autorização enquanto Noé se distraía organizando a fila dos puros e impuros. As corujas, sempre oportunistas, deram cabo do invasor. Tarde demais. Instalada a contaminação, veio a ordem: isolamento imediato. Cada casal no seu quadrado. Sem visitas. Sem circulação. Sem desculpas. E assim começou o v

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  • 3 maio

    Crônica sobre uma foto: a estação rodoviária

    Organizando algumas caixas no armário, umas com papel sem importância ou importância pouca e burocrática — notas de cartão de crédito, documentos, tíquetes de estacionamento —, deparei-me com algumas fotos antigas. Fotos do tempo de eu-menino, como diria Manuel Bandeira. Mas não era Pasárgada, não. Era São Roque, cidade do interior de São Paulo. É… O cronista que agora tece esta crônica morou um bom tempo em São Paulo. Precisamente no interior: Cacho

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  • 2 maio

    Sertanejo Universitário

    “Ô saudade que eu tava da vida de cachorrada, da vida de putaria” — (Gusttavo Lima) Quando ouvi pela primeira falar em ‘sertanejo universitário’, a ideia que me passou pela cabeça é que se tratava de uma versão mais elaborada do sertanejo ‘mainstream’ que dominava o mercado, também conhecido como ‘sertanejo romântico’, de duplas como Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Zezé di Camargo & Luciano. O adjetivo ‘universitário’ suge

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  • 2 maio

    Metamorfose

    A lagarta vira borboleta.      Mas a borboleta não volta a                  ser lagarta.  Existem as boas mudanças e aquelas diante das quais exclamamos: eu achei que não podia piorar! Quando mais jovem ouvi a expressão: A mudança é a única constante da vida. Adquirimos novos gostos, costumes, amores, desafetos, casas, amigos, opiniões e o que mais quisermos, ao longo da nossa vida. Sem perceber… mudamos. É bom? Depende do ponto de vista. Os pais acham óti

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  • 1 maio

    Zebras à vista na copa do mundo

    Estava passando em revista os 12 grupos da copa do mundo de futebol e conhecendo as 48 equipes. Um comportamento estranho, admito, porque nunca fui fã de copa do mundo, como atestam as pessoas que me conhecem. Verdade. Me entusiasmei mais com a copa do mundo de clubes, aquela do ano passado em que meu Fluminense surpreendeu a todos que não o conhecem, naturalmente. Visto isso, por que diabo queimei minhas pestanas conferindo quem vai participar? Porque eu

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  • abr- 2026 -
    30 abril

    Lugar interno

    Há mendigos que não estendem a mão nas esquinas, nem carregam embrulhos com roupas sujas. Sua fome não é de pão, mas de palavras; sua sede é de olhares que os reconheçam. São os mendigos emocionais, aqueles que vagueiam pelos corredores das relações com uma tigela invisível, pedindo migalhas de afeto. Você os encontra em todos os lugares. No trabalho, aquele colega que, após cada tarefa, busca um “muito bem!” como se fosse um prêmio vital. No amigo que con

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  • 28 abril

    Todos os meus amigos são caretas

    Todos os meus amigos são caretas. Talvez um só não seja, mas os outros, todos, são. Foi esta frase que, de repente, ao acordar — antes mesmo do café da manhã —, vim correndo aqui anotar. Nenhum amigo meu bebe, fuma; nenhum é notívago, folião de carnaval. Não tem, sequer, um que pense fora da caixa. Certa vez, uma amiga minha — que já é avó e tem filhos grandes — foi comigo a um show da Virada Cultural, na Praça 7. Tinha uma banda independente tocando blues

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  • 26 abril

    Fluxo e pulso das horas

    “A gente jamais esquece o primeiro relógio.”¹ “ […] As últimas datas, descobertas, invenções,sociedades, autores antigos e novos,Meu jantar, roupas, amigos, olhares, cumprimentos, dívidas,A indiferença real ou fantasiosa de um homemou mulher que eu amo,A doença de alguém de minha gente ou de mimmesmo, ou ato doentio, ou perda ou falta dedinheiro, depressões ou exaltações,Batalhas, os horrores da guerra fratricida, a febrede notícias duvidosas, os terríveis

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  • 26 abril

    Match fatal

    Nunca tinha entrado em sites de relacionamento, mas naquela noite decidiu experimentar. O universo digital estava ali, ao alcance de um clique — por que não se aventurar? Ouviu dizer que era uma forma infalível de conhecer mulheres disponíveis. Bastava preencher alguns parâmetros, fazer a triagem virtual e pronto: nada de encontros no escuro, indicados por amigos bem-intencionados que terminam em desastre. Pior ainda: depois a pessoa já sabe seu nome, seu

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  • 26 abril

    O talento dos outros

    Tenho imensa gratidão pelas pessoas que fazem aquilo que não sei ou não gosto de fazer. Cozinhar, ainda que a contragosto, é possível, mas fazer meus próprios sapatos está fora de questão. A lista das profissões que me atraem é infinitamente menor do que a lista das outras; e entre as que me agradam para várias falta-me a devida competência. Não levo jeito para uma porção de coisas a despeito de apreciá-las muitíssimo. Ballet é a perfeita tradução desse de

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  • 26 abril

    COMPULSÃO

    Elisa sempre quis ser advogada. Formou-se bacharel em Direito e exerceu a atividade jurídica durante quatro anos numa firma de advocacia, especializada em Direito Familiar. Após a graduação, passou em concurso público para ocupar o cargo de Juíza Substituta. Começou a atuar ao lado de um Juiz Titular, para adquirir experiência. Depois de cinco anos, foi promovida a Juíza de Direito. No seu fazer cotidiano, lidava com divórcios amargos, disputa por guarda d

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  • 25 abril

    Detesto o meu novo amigo!

    Ele sempre me corrige, acha que sabe mais do que eu, e pior, quer empurrar a ideia dele, na força das argumentações. Sim, pois nisso ele é bom! Me põe como sonsa, fútil e até ignorante. Destila o seu suposto saber, com exemplos, ideias atravessadas, tudo em nome de me ajudar! Não o abandonei ainda, porque às vezes, ele me atende em dúvidas pontuais, concretas. Nesse contexto, quando eu o oriento, ele é um bom parceiro. Outra coisa que me deixa aborrecida é

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  • 25 abril

    É difício

    “Da força da grana que ergue e destrói coisas belas” (Caetano Veloso, Sampa) Quem tem, como eu, a desventura de residir em São Paulo, já se deu conta, angustiado, da incontrolável proliferação de novos prédios que vêm pipocando pela metrópole, em especial nos bairros mais valorizados (e cobiçados). São torres que abrigam escritórios e apartamentos para todos os tamanhos e gostos que brotam como ervas daninhas por todos os cantos, à revelia de qualquer proj

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  • 24 abril

    O papagaio de Humboldt

    Em fevereiro de 1800, o barão Alexander von Humboldt inicia a exploração do rio Orinoco. Recolhe diversas espécies de plantas e animais desconhecidos, mede meticulosamente a temperatura do rio, do solo e do ar, a pressão atmosférica e a inclinação magnética. Descobre uma passagem navegável entre o Orinoco e o Amazonas. É uma pesquisa atribulada, cheia de perigos e descobertas. Numa das pausas de tantas aventuras, Humboldt ganha de presente um papagaio. Ten

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  • 23 abril

    Aprendi a ser o máximo de mim mesmo!

    Essas foram palavras deixadas por Nelson Rodrigues, um mago da literatura, escritor, jornalista, romancista, teatrólogo, contista e cronista de costumes, e de futebol brasileiro. É considerado o mais influente dramaturgo do Brasil.  Além dessas palavras, acrescento outras que moldaram histórias por muitos. A luta. “Lutar foi sempre mais ou menos uma forma de cegueira, isto é diferente, farás o que melhor te parecer, mas não te esqueças daquilo que so

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  • 22 abril

    O chamado

    O telefone tocou. Não olhei, de primeira, porque estava preparando o café e o pão com mortadela, para o desjejum. Entre uma coisa e outra, vacilei e vi o nome de Iasmin na tela do celular. Por que fiz isso? Foi instintivo ou uma premonição? Uma coisa absolutamente inesperada e absurda aconteceu. Era ela mesma. Quem diria… Fiquei a me perguntar se estava alucinando. Passei segundos rodopiando pela cozinha, em busca de alguma explicação, sem saber o que faze

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  • 22 abril

    O fantasma do ferro-velho

    Nunca fui de me impressionar com coisas sobrenaturais. Acho-as, inclusive, enfadonhas e desnecessárias, pois em nada contribuem para a vida prática. Trata-se de um mercado tão comum como qualquer outro. Primeiro criam um problema, depois vendem soluções fracionárias, sempre à mercê de um adicional aqui ou ali. Enrolam um pouco falando dos benefícios daquilo, simulam algum imperdível desconto e pronto, venda concluída. E não adianta, nessas e noutras, só ca

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  • 21 abril

    As 7 Palavras de Cristo na Cruz

    A pergunta foi direta como um chute do infalível Bruce Lee em seus melhores dias: por que as últimas 7 palavras de Cristo na cruz? E o poeta, sem querer fazer poesia, respondeu na sua forma sertaneja de ser. Mas, afinal, por que “sertaneja”? Simples. O poeta, escritor e dramaturgo premiado no Concurso Nacional Universitário de Peças Teatrais, promovido pelo Serviço Nacional de Teatro do Rio de Janeiro, com a peça “A Cruz da Menina”, nasceu na cidade de Pat

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  • 21 abril

    A certeza que cansa o olhar

    Otto Lara Resende escreveu uma das minhas crônicas favoritas: “Vista cansada”. Li pela primeira vez na faculdade de Letras. Depois, voltei a ela muitas vezes, sempre com o mesmo incômodo. É uma crônica triste, muito triste. Diz que, de tanto ver, chega uma hora em que já não se vê mais ninguém — nem o porteiro, nem a mulher, nem o vizinho. Mas o que fica, mesmo, não é só a tristeza. É a suspeita. Ao ler Otto, me ocorre que a gente não deixa de ver por dist

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  • 19 abril

    Duas sessões: um respiro, apesar de # e @

    Quanto mais Inteligência Artificial, maior a cobrança por performance, por entrega, por prazos que já deixaram de ser humanos. O mundo segue tendo seus ciclos — noite e dia, dias que viram semanas, semanas que viram meses — e, num piscar de olhos, os anos passam. A urgência urge. Respirar é um ato de vida: ar que entra, ar que sai — e, nesse intervalo mínimo, quase imperceptível, algo em nós se reorganiza. Quem já parou para meditar sabe: criamos espaço. S

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