Crônicas

  • fev- 2026 -
    1 fevereiro

    Comunismo na prática

    São Petersburgo é uma das cidades mais espetaculares do mundo. Estive lá em três ocasiões, as duas primeiras quando ainda atendia pelo nome de Leningrado, em pleno regime comunista. Naquela época, se o visitante não tivesse incluído todas as refeições no pacot

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  • jan- 2026 -
    31 janeiro

    BBB

    Aconchegue-se no sofá e prepare a pipoca. Esqueça preocupações do trabalho, problemas domésticos, aluguel, guerras, corrupção, mudanças climáticas, contas atrasadas, taxa de colesterol e todas as coisas chatas sobre as quais, quando questionado a respeito, voc

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  • 31 janeiro

    A Presença

    Como assim o prêmio do concurso foi uma viagem a Gumi-si? Onde fica? É cidade, é país? Em que continente? Essas eram as perguntas que eu me fazia, repetidas vezes, enquanto também as dirigia ao agente de viagens que me contactou para dar os parabéns pelo prêmi

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  • 31 janeiro

    Minha menina

    Ao final de um dia silenciado pela perda de uma amiga querida, bagunçado por estilhaços de memória, invadiu os meus ouvidos um som de infância vindo do parquinho do condomínio. Uma leveza quase me alcançou, não fosse a rispidez com que a tristeza amordaçou min

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  • 30 janeiro

    Voz de IA

    Vou te falar, adotar essa postura tem evitado que eu me aborrecesse com mais frequência. Você tira a emoção das palavras e responde praticamente ao pé da letra tudo que te perguntam. Em alguns casos repete a mesma resposta se a pergunta for igual ou bem pareci

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  • 30 janeiro

    Entre o que se escreve e o que se publica

    Até os melhores poetas já escreveram os piores versos, mas só os piores poetas os publicam. Isso já foi dito e redito, e aqui digo mais uma vez, porque parece extremamente certo e ainda necessário. A questão que se coloca é a da seleção dos poemas na formação

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  • 29 janeiro

    Trevas de nossas dúvidas!

    As coleiras com espinhos, consideradas um dos primeiros dispositivos de proteção para cães, foram criadas na Grécia antiga. Apesar de parecerem rudimentares pelos padrões atuais, essas coleiras cumpriram um papel essencial na segurança dos cães da época, espec

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  • 27 janeiro

    O Bom Humor de Cada Dia

    Não sei quanto a vocês, mas acho que o bom humor anda em falta no mercado. Houve um tempo em que bastava virar pro sujeito no ponto de ônibus, reclamar da demora, e alguém já emendava uma piada. O dono da banca comentava o calor, o porteiro dizia qualquer boba

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  • 25 janeiro

    Solas

    Me apaixonei, ou pelo menos acho que me apaixonei; fui a uma festa e perdi a cabeça. Comprei um cavalo que não preciso de jeito nenhum. Regras. Não ofereça preço por algo que você não precisa. Ao chegar a um baile, convide alguém para dançar imediatamente e da

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  • 25 janeiro

    Chegar partindo

    Sempre é tarde quando se pede perdão. Tarde demais para apagar o que não devia ter sido feito, falado, sentido, e até pensado, mas que explodiu algumas vezes em uma súbita golfada, outras em uma enxurro daquilo que fermentava há tempos. E aí, a dor é sufocante

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  • 25 janeiro

    Quando deixamos de ser heróis

    É… Não sei em que ponto e não sei e talvez nunca saiba o momento exato em que deixamos de ser heróis para nos transformarmos em vilões! Não deveria ser assim, mas é… Quando crianças, olhamos nossos pais como nossos heróis, prontos para nos defender! Entr

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  • 24 janeiro

    Eu sou motoboy

    Você que me vê um pivete mau caráter, um delinquente montado numa moto assassina, presta atenção. Não fosse o motoboy aqui, o folgado aí não teria em domicílio o game das crianças, a ração do dogue ou o tênis da patroa comprado barato no aplicativo. Você me de

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  • 24 janeiro

    O Encontro

    O encontro durou dias, e mesmo assim teve gosto de quero mais… Não teve atrasos, cada um chegou no seu tempo… Tinha tema, mas não script. O comando era a vontade e a alegria em participar. O sorriso feliz de cada participante ao chegar ao local do encontro e m

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  • 24 janeiro

    Sabedoria de bar

    Três amigos se encontravam com frequência em um botequim no Bairro dos Prazeres. Depois de uns goles de cerveja, ganhava fôlego o debate sobre as idiossincrasiasda humanidade. A cada semana uma nova reflexão. — Ser humano é um bic

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  • 23 janeiro

    Para entender aquarela – ou não

    É assim, quando você pinta aquarela você se põe diante de uma situação que beira a ficção. No momento em que você coloca as tintas sobre o papel tem início uma relação estranha, quase surreal, entre artista e cores. Veja bem, você sabe o que você quer pintar m

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  • 22 janeiro

    A verdade pela mentira!

    A composição de um mosaico de histórias, pode ser aprendido nas páginas de um livro bem narrado, que nos transporta ao momento da escrita do autor. Se o livro for mal-ajambrado, e não nos levar ao fundo dos sentimentos do personagem, fica difícil ser atraente

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  • 20 janeiro

    Anotações sobre Mario Quintana

    “Porta giratória”, de Mário Quintana, é, de longe, o melhor livro de crônicas que já li na minha vida. Se levanto de manhã, quero abrir o livro. Se estou longe de casa, quero chegar logo para ler, nem que seja um trecho, antes de dormir. Neste caso

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  • 18 janeiro

    Rio abaixo…

    Reconectar, rever, retomar a amizade – foi o mantra de Clô ao receber o convite para a festa dos 40 anos de formatura. Quarenta! Ela leu a lista de colegas com um sorriso nostálgico no rosto e um pensamento ligeiramente suspeito: “Que tempos maravilhosos

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  • 18 janeiro

    vida [e mundo] como um sopro

    Intranscritível o sussurro aerado dos tempos à beira de uma lagoa. Folhas balançam, cabelos se descabelam, passarinhos tentam passarinhar, todo um compasso descompassado e, por isso mesmo, incrivelmente belo. Há algo de poético em se perceber só existindo, às

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  • 15 janeiro

    O Último Azul

    Qual é o maior pecado que devemos temer em face de nossa caminhada escaldante, que por vezes é gélida de emoções?  A certeza. Essa é a grande inimiga da união entre os povos, e da tolerância que espreita nossos atos mais dignos.  Quando Jesus estava

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  • 13 janeiro

    Sem frases motivacionais daqui pra frente

    Não sei se vocês já repararam, mas, depois dos 40, o mundo parece decretar: “Pronto, acabou o estoque de incentivos”. Aos 20, todo mundo te empurra pra frente — “Estuda! Viaja! Conquista o mundo!”. Aos 30, ainda rola um “Vai lá, c

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  • 12 janeiro

    SUB VIDA

    A sobrinha perguntou para o tio no churrasco da família: ‘Quando você percebeu que estava fodido e não tinha mais volta?’ O tio respondeu: ‘Desde cedo, nos anos 70, no primeiro dia na escola, aos quatro anos. Eu apenas não sabia expressar em palavras o que sen

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  • 11 janeiro

    Looping quotidiano

    O calor voltara, sem dó, piedade ou qualquer advertência de brisas amistosas. Já desgastada do clima instável, como da própria prudência em largar o vício do sedentarismo, Cíntia tinha na ponta da língua todas as séries numéricas que a identificavam: — Data de

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  • 11 janeiro

    TOC-TOC: crônica das loucuras cotidianas

    Desconfio que, em vidas passadas, andei frequentando a Casa Verde do Simão Bacamarte. Não que eu me dedique profissionalmente ao estudo da loucura, mas traçar o perfil das manias alheias é um talento que cultivo com facilidade — e um tantinho de desfaçatez. Ou

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  • 11 janeiro

    Nada de novo no front II

    Começamos mais um ano e notícias de guerra voam pelos ares, atravessam fronteiras e chegam às nossas casas, em todas as casas. A despeito da poesia e da vida, velhos amargurados jogam meninos no campo de batalha e exigem vitória. A despeito do pulso e do pulsa

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  • 10 janeiro

    Bora

    Brasileiros de todas regiões e rincões têm o privilégio de dispor de um cardápio infindável de palavras para expressar ideias e sentimentos, com folga de opções semânticas. Nem mesmo o meio milhão de verbetes (além de gírias, regionalismos, neologismos e termo

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  • 4 janeiro

    Palavras nem tão bonitinhas assim

    Toca, por primeira vez em meus ouvidos, uma canção intrigante: I’m All I Got, de um grupo chamado Dead Brothers. O nome não passa incólume. Há algo ali que cheira a flores murchas, deixadas tempo demais num vaso a mercê de sabe-se-lá-o-quê. Palavras que já for

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  • 3 janeiro

    Infeliz Ano Novo

    Passadas as comemorações de fim de ano, quando já cumprimos o aborrecido ritual de cumprimentar por educação o petista (ou o bolsonarista) que mora ao lado, podemos voltar a odiá-lo como sempre e desejar-lhe, sem remorsos, uma morte sofrida. Após o congraçamen

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  • 3 janeiro

    Quero morar no mato

    Não por muito tempo… talvez só o suficiente para que passem as especulações de final de ano. Quais? As econômicas, as astrológicas, as políticas, as de tendências de moda, artísticas e até mesmo as da cor para 2026. Acreditam? Essa é realmente nova para mim. E

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  • 2 janeiro

    Deixe-se levar

    No ano que começou agora há pouco desejo menos organização e mais espontaneidade. Mais espaço para contemplação e menos para observação. Compromisso só nas obrigações, porque são implacáveis. No mais, vamos levando em espirais diáfanas. Planejar é preciso, cer

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