Crônicas
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dez- 2025 -20 dezembro
Reflexões em tempos de espanto
Nas últimas semanas, tenho pensado a respeito de uma dúvida que sempre me ocorreu: as palavras têm, por si só, o poder de iludir ou é a paixão quem confere a elas esse dote? Quem não conhece a facilidade do sujeito apaixonado para confundir alô com amor? Não a
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19 dezembro
Morrer de amor
Uma noite dessas tive a boa ideia de assistir a apresentação de um coral onde uma amiga querida canta. O programa foi todo dedicado à Rita Lee e, de repente, durante a apresentação algo me tocou e foi a letra de “Saúde”. A parte que acendeu uma lâmpada, ou cha
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18 dezembro
Nossa frágil condição humana!
Histórias e piadas contadas por nossa família e amigos, invariavelmente nos fazem rir, mas se forem das boas. Observando no detalhe, elas contam histórias sobre o mal, ou de uma desgraça alheia. A bondade não tem graça nenhuma, somente se ao final a hist
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16 dezembro
Está tão difícil ser eu
Uma das coisas mais surreais que me ocorreram foi, sem dúvida, ser confundido com outra pessoa. Gente mais nova não sabe bem o que é isso, mas, na época do telefone fixo, quando sequer existia WhatsApp, quando redes sociais eram ficção científica, a pessoa te
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14 dezembro
Nota de abertura
(nota de abertura – curta, decisiva) Esta crônica acontece no intervalo.Quinze minutos entre um ato e outro.DIIIM. As cortinas estão abertas, mas ninguém está olhando para o palco. DIIIIIIM. Ando por esse tempo suspenso como quem flana: não chego, não parto —
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14 dezembro
Só a bailarina que não tem
Um dia desses, lendo uma crônica do Vinicius de Moraes — O estranho ofício de escrever — senti um alívio maior do que aquele que experimentava, na infância em colégio de freiras, ao sair do confessionário. Minha consciência, até então abalada pelos pecados ven
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14 dezembro
Uma crônica quase poesia
Uma crônica leve bem leve. Uma crônica como se fosse um beijo. Isso. Como se fosse um beijo. Uma crônica limpa. Sem manchas de maldade ou de egoísmo. Ambição de conto? Nem pensar! Uma crônica suave e mansa. Dessas que o vento leva de tão leve e descontraída. U
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13 dezembro
Por que as pessoas gritam?
Tenho pavor, trauma e medo de quem grita. O grito, para mim, é quase sempre a antecâmara da violência, do caos anunciado. “A violência seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota“, já disse o filósofo A opressão, a intimidação e o
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13 dezembro
A ordem é amar?
O parlamento da Dinamarca aprovou, recentemente, uma lei que proíbe o acesso de menores de quinze anos às redes sociais. Com essa atitude, o governo determina que a relação dos seus cidadãos com as plataformas digitais transcende o escopo da educação familiar
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11 dezembro
Um tom diferente na tinta da retina
No Renascimento foi inventada a sopa fortificante e restauradora, feita de carne de boi, carneiro e legumes, servida como refeição no século XVIII aos viajantes ou indivíduos extenuados, após um longo dia de trabalho. Era servida nas estalagens, tabernas
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9 dezembro
O mar é logo ali
Na semana passada, fui ao Rio de Janeiro para o lançamento do livro “A reinvenção da metáfora: as bodas de Rogério Salgado”, publicado pela Ventura Editora, com organização do poeta Luiz Otávio Oliani, e que tive o orgulho de apresen
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7 dezembro
Caos contraproducente
Cheira à baunilha. Há banana e aveia em formato de osso e olhos ainda vacilantes e resistentes aos raios dominicais. Uma miríade de folhas, bocejos e pelos esparrama-se sobre o sofá-cama amarrotado pelas horas adormecidas. O sábado à noite fora um misto de con
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7 dezembro
A Leoa e o menino
O menino sonha os seus sonhos de menino. Voar, cantar, adestrar leões! A leoa faz o que uma leoa sabe fazer, observar atentamente e esperar o momento certo para atacar, afinal, o que um leão faz de melhor a não ser atacar com precisão a sua presa? O menino foi
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7 dezembro
O retratista fiel
Folhear álbuns de fotografias antigas — em papel ou digitais — tem me causado um certo estranhamento, uma sensação de que os ambientes, as pessoas, as fisionomias não eram bem assim como estão retratadas. Na foto do meu aniversário de 15 anos, o vestido que, à
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6 dezembro
Um ouvido novo, para uma história velha…
Que atire a primeira pedra quem não passou por isso! Todos nós conhecemos alguém que adora quando perguntam: e aí, tudo bem? Pronto, lá vem a amiga ou amigo traída(o) contar detalhes: como passou a desconfiar, quais sinais ela não percebeu, o quanto acreditou
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6 dezembro
Breve encontro
Hoje, por acaso, tropecei no passado. Um banco de madeira, daqueles que encontramos nas pracinhas, a sombra de uma árvore de flores amarelas e a brisa suave de um fim de tarde me levaram à infância. Lá encontrei minha inocência, o castelo suntuoso dos meus son
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5 dezembro
O amor, sem querer, acaba
“Sim, o amor acaba”, assim, Paulo Mendes Campos começou uma das suas mais célebres crônicas. Iniciou com uma assertiva que, no íntimo, sabemos ser verdade; não obstante algumas tentativas de mistificação, como na frase tantas vezes escutada “se acabou, é porqu
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5 dezembro
Cultura popular
Ah, essa cultura popular do momento. Você leu direito: cultura popular do momento. Eu faço essa distinção porque entendo que existe aquela que é eterna em nossa memória. E outra que é tão densa quanto fumaça de xícara de café. Tem gente que prefere chamar esse
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4 dezembro
Não se deixe levar pelo contágio alheio!
A Sociedade Teosófica é um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor. Pode ser considerada uma das poucas democráticas disponíveis a todos os povos. Ela encoraja o estudo da Religião comparada a Filosofia
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3 dezembro
Palavras insólitas, insólitas palavras
Viajava de ônibus outra vez pelo interior do estado. Na época, isso me era tão rotineiro quanto a atual preocupação com os seguidos e rechonchudos boletos, que parecem ter um prazer mórbido em aparecer sem avisar no meu e-mail, ou, de quando em vez, aqueles ma
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2 dezembro
O mundo nunca será só virtual
Quando inventaram o DVD, mataram o VHS. Pelo menos era essa a intenção — empurrar todo mundo para o novo aparelho brilhando no rack da sala. Depois o vinil virou CD. O CD virou arquivo. O arquivo virou link perdido no YouTube, no Spotify e em mais uma dúzia de
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nov- 2025 -30 novembro
Ode aos meus 3.7
Quero-me a mim como nunca antes,como quem encontra uma versão esquecida de si no fundo de uma gaveta emperrada: força um pouco e…– Crrrrr…..[o reconhecimento é recíproco pelo cheiro] Quero-me a mim com a presença de um personagem que não sofr
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30 novembro
A lágrima extra
O dia prometia ser quente e úmido — combinação ideal para cabelos rebelados e para quem trabalha imóvel ao ar livre. Depois de entregar o filho à vizinha que o levaria à creche, voltou ao seu reino: um quarto-cozinha-banheiro, tudo no mesmo perímetro afetivo.
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30 novembro
A fome
Uma mão vasculha alguma coisa que se possa comer no meio do papel, do plástico… Outra mão manuseia as teclas de um computador em um lugar distante e escreve este texto… Alguns olhos procuram nas calçadas e nas caçambas de lixo um alimento qualquer… Em uma esqu
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29 novembro
Me dê um lyke?
As redes sociais dominaram, não há como negar. Se aconteceu, está na rede. Se não estiver, deve ser irrelevante, e nem interessará a ninguém. Em tempos não tão longínquos, eram as redes de televisão e, antes ainda, os jornais e revistas. Os expoentes da comuni
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28 novembro
Vê se me enrola pouco, pediu a musa
Vamos esclarecer esse negócio de musa inspiradora. Para início de conversa na tradição clássica ocidental eram nove as musas, todas filhas de Mnemósine, divindade grega da Memória, com o todo poderoso Zeus. Elas eram Calíope, Clio, Érato, Euterpe, Melpômene, P
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25 novembro
Quando um amigo bom tem uma playlist ruim
Pois é: eu ali, de carona com um amigo que não via fazia um tempo, recém-chegado da Europa, que me chamou para um chope — e eu aceitei. Só que, infelizmente, não sei se tinha tomado iogurte vencido, ou algo parecido, mas a playlist do meu amigo estava horrível
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23 novembro
Therian: Espanto no Parque
Semana passada, no parque, me deparei com um grupinho de adolescentes usando máscaras de felinos. Saltavam, subiam em troncos, miavam uns para os outros. A princípio, achei que fosse ensaio da escola — alguma versão alternativa de Cats, quem sabe. Mas logo vi
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22 novembro
Retalhos
Sobre o que o tempo leva, e o que ele nunca tira. Graças a Deus, sou forte. Sou guerreira. Sou abençoada. E por isso, os retalhos das minhas memórias não pesam. Não me ferem. Não me entristecem. Sou apenas espectadora deles. É bom quando se olha para uma casa
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22 novembro
O Diabo é ardiloso, mas eu sou malandra
Por tudo se paga um preço nessa vida. Inclusive, pelo saber. Minha vó costumava afirmar: “a ignorância é uma benção.” Certamente, esse era seu jeito de dizer que certas verdades são difíceis de digerir. Na época, eu ouvia suas frases enigmáticas, mas o sentido
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