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  • jul- 2025 -
    7 julho

    Poema #05: Procura dos sentidos

    Terminantemente cego pelo brilho da sua voz,custei a compreender que o farol era oco.Lançam-se às ondas os que não veem.Os olhos,mal acostumados à claridade nua,não distinguem o contorno do timbre que os feriu.Perfil de muitos rostosou nenhum. Vem de lá o jogr

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  • 7 julho

    Poema #30: Porém, Nada Dizia

    Gosto do silêncio.Prefiro ficar em silêncio.Vejo as pessoas conversandoe a imagem que me fica é ado cuspe trocado entre elas.

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  • 6 julho

    Na extrema curva do caminho extremo

    Eu não deveria escrever sobre se a terra é de fato esférica… Eu não deveria dizer o óbvio! Eu não deveria repetir tantas coisas… Eu não deveria escrever e me esforçar para que as pessoas saibam e entendam que o nazismo foi um movimento de extrema d

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  • 6 julho

    Onde Está Você?

    Cabelos desalinhados, Débora esfrega os olhos fundos, sonolentos. Busca o roupão na cadeira ao lado da cama e se debruça de novo sobre o travesseiro vazio que repousa ao seu lado. Sente o perfume de lavanda ainda presente na fronha — o que lhe restou. No silên

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  • 5 julho

    Direção Defensiva

    Uma pesquisa realizada na Universidade de Viena, com sapos comuns (Bufo-bufo), conseguiu registrar um comportamento curioso e inusitado. As sapos-fêmeas, diante da aproximação e assédio de machos indesejáveis e insistentes, se fingem de mortas.  A estratégia c

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  • 5 julho

    Frio com Memórias

    Mãos enregeladas, dedinhos roxos de frio, boca seca e gretada, olhos lacrimejando… Que frio! O assovio do vento, misturado ao fungar dos narizes, soma-se ao barulho das vozes tagarelas dos valentes meninos e meninas que dobram a esquina correndo, apressados pa

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  • 3 julho

    Striptease

    De longe, só se vê que há luz no quarto, mas pouco se distingue o que acontece lá dentro. Com meu binóculo, escondido atrás da cortina no apartamento do prédio em frente, tenho visão privilegiada e posso ver tudo com detalhe. Posso vê-la tirar a roupa, por exe

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  • 3 julho

    Trama subjetiva nas mentes!

    O poder político mantém certas ideias para gerir uma nação, desenha caminhos fartos de opções no cotidiano do povo, que está a espera de sua colaboração e sustento.  O poder da biologia carrega em suas raízes a capacidade de escrever a data de seu velório

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  • 1 julho

    Deixa o mundo lá fora, vai

    À primeira vista, nenhuma graça. A turma está lá fora, jogando bola, tomando cerveja no boteco, nadando no clube. E você? Está ali, concentrado, alheio, lendo. “Que programa mais besta!”, “Quem lê demais fica doido!” — já ouvi de tudo. Mas ler é outra história

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  • jun- 2025 -
    30 junho

    Poema #4: Rondó randômico

    A tosse que se ouviu pulsar,entranhada nas dobras do ar, ouvi que nunca houve outra igual,engasgo ou sintoma de um malque se ouvisse sem se escutar. Como prever em qual lugar,incontrolável como o mar,recairia o surto canibal que se ouviu pulsar? Nesse jogo de

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  • 30 junho

    Poema #30: A Voz do Silêncio

    Estou acordadoe não sonho,mas a realidadeantecipadame envolve. A barba se medesprende do rostofio a fio num friomaior onde estoume enregelando. Tudo se dissolvena aparência de ossosde que fui formado,e que é minha formamais resistente no mundo. Mas a terra(com

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  • 29 junho

    O crítico perfeito

    Não havia estática no ambiente coabitado por seis espaços, sexta-feira inaugural de um coquetel em meio a formas geométricas suspensas; horas que se observavam tentando segurar a respiração e manter o mesmo compasso entre os minutos. Perder-se não é uma brecha

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  • 29 junho

    Nada de Novo no Front

    Nada de novo no front. Mais uma guerra… E as guerras não têm nada de bom… E esta crônica, infelizmente, se repete. Mais uma crônica sobre as guerras, quando não se deveria escrever crônicas sobre guerras! Contudo, mais uma vez, preciso escrever que

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  • 29 junho

    Os Jardins de Áurea

    O ambiente cheirava a alfazema, misturada ao odor morno da roupa de cama recém-trocada, que aguardava no cesto para ser levada à lavanderia. Do lado de fora, um beija-flor pairava diante da janela, como se buscasse algo que havia perdido. Áurea já estava pront

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  • 28 junho

    Sobre viver em tempos bárbaros

    Acesso a internet e me deparo com o genocídio em Gaza, o ataque de Israel ao Irã, outra demonstração do exibicionismo doentio dos EUA e o descaso da Indonésia com a nossa menina brasileira. Respiro um ar rarefeito. Falta saliva para deglutir todo esse horror.

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  • 28 junho

    O Poema da Crônica

    Neste final de semana, chega ao fim meu descanso ou férias de inverno em Salvador. Como assim, férias, se sou aposentada? Ah, mas férias não significam apenas pausa do trabalho ou dos estudos. Recesso, férias, repouso, trégua, ou algo similar pode ser o deslig

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  • 28 junho

    ORDEM, PROGRESSO E… AMOR

    “O amor vem por princípio, a ordem por base / O progresso é que deve vir por fim / Desprezastes esta lei de Auguste Comte / E fostes ser feliz longe de mim” (POSITIVISMO, Noel Rosa e Orestes Barbosa) Bandeiras são símbolos que remetem à identidade de uma nação

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  • 27 junho

    Crepúsculo da bruxa

    A chuva forte não convidava a sair. Em outros tempos era o momento de dar uma ajeitadinha no visual, montar na vassoura e voar pelo mundo. Agora não. A vassoura está ali mas a confiança em subir nela desapareceu. Ou melhor, está adormecida. Não é de hoje que e

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  • 27 junho

    O verso e seu inverso

    Frequentemente, uma leitura puxa a outra e acabamos em um fim diverso do que planejamos. Foi assim que caí em Massaud Moisés. Melhor, na sua obra A criação literária, que, há um bom tempo, aguardava na estante o meu retorno. Procurando ser uma introdução ao es

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  • 26 junho

    Ao final de tanto!

    No teatro Pantomima presenciamos uma apresentação onde metade do sentido da obra surge através dos gestos dos atores. A outra metade, você mesmo cria a seu bel-prazer.  Em sua mente pode aparecer uma cena de horror quando seus dias estão carregados, ou um

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  • 26 junho

    Uma nova quadrilha

    Carlos gostava dos dias frios. Laura, dos ensolarados e quentes. João, dos chuvosos. Laura assistia a todas as telenovelas. Carlos, às partidas de futebol. João preferia os livros. Laura falava muito, sempre. Carlos, um pouco menos. João, só o necessário. Laur

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  • 25 junho

    Temístocles, a filosofia e o ônibus

    Por muitos anos Temístocles esperou o ônibus na mesma parada, bem perto da sua casa. O ônibus passava pontualmente, às 7h17, e o levava para a escola. Aos amigos ele contava qual curso faria na Universidade. Tinha planos, como todo jovem sonhador, um tanto bob

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  • 24 junho

    O porteiro que era dono de uma ilha de livros

    No trabalho, ele anotava placas e nomes de pessoas. Na hora do almoço, abria livros. Porteiro da Praia do Forte, na Bahia, dono de uma ilha de livros, guardião de entradas e saídas. E, sem que ninguém desconfiasse, dono também de uma ilha de livros. Começou qu

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  • 23 junho

    Poema #03: Oferenda

    Da onda ao pé da praia,recolho as relíquias do mar:sigilodeslumbrante encantopronúncia sincera de uma fé sem dogmas. Preservo meus amuletos.Quisera crer somente na forçadas águas que os trouxeram,banhados em luz e sal,sutil religação do corpo ao mistério. Algo

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  • 23 junho

    Poema #29: Novas Lendas Urbanas Inventadas do Nada

    Eu estava de tocaia na praça em frente à sua casaaí ela chegou de bicicleta e quando foi abrir a portaeu ataquei, agarrando-a por trás e já sentindo o delíriodaquelas carnes macias que me foram negadas em vida. Havia crianças por perto e então eu achei melhori

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  • 22 junho

    Dois cafés e um canto de bar

    Engraçado perceber como, com o passar do tempo, o ser humano perde alguns centímetros de altura; não é somente pela coluna que enverga para aqueles que não se exercitam. Mas há um efeito mais profundo da pressão da gravidade no tamanho dos idosos. Há um bom te

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  • 22 junho

    Crônica para Cronistas

    Você que faz crônicas, que olha para a rua, para os rostos, sente o vento e insinua um parágrafo… Você que, no banco de uma praça ou em uma calçada, vê o movimento da vida e escreve… Você sabe o peso de uma crônica? Escrever crônicas é traduzir o c

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  • 22 junho

    Bandeira branca

    Chega um momento na vida em que é melhor hastear a bandeira branca e desistir de certas lutas. Insistir em batalhas perdidas só serve para agigantar o inimigo que vive dentro de nós. É tempo de revisitar as bases que um dia abandonamos por medo ou fraqueza — e

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  • 21 junho

    Algoz Ritmo

    Esqueça o tempo em que você era explorado pelos patrões e tinha de brigar por seus direitos. Precisava se filiar a anacrônicos sindicatos, contar com um Estado falido e ineficiente e políticos corruptos para que suas condições de vida pudessem ser melhoradas.

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  • 21 junho

    Modo Economia de Energia

    Vamos falar de bateria social? Para mim, está cada vez mais difícil não prestar atenção, calibrar, recarregar ou mesmo optar se devo usar essa tal ferramenta. Todos os dias eu percebo o quanto ela está se tornando indispensável e necessária em nossas vidas. Em

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