Crônicas
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ago- 2025 -21 agosto
Comer, morar e sobreviver!
Vivi minha primeira vez em muitas descobertas, durante essa existência por vezes cansada de novas buscas. A primeira viagem, a visita ao Museu, o primeiro castelo na areia, a roupa nova no verão. A primeira comunhão, e a festa de minha formatura na faculdade,
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20 agosto
Minha luta
Não sei se ainda estou perdida. As guerras de minha mãe e de meu pai devem ter afetado o meu psicológico severamente. Eles digladiavam com tudo, entre si, com o mundo. Tinham trabalhos que odiavam. Chegavam a casa resmungando ou gritando. Quase sempre eu era b
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19 agosto
O Prazer de Desviar
Não sei quanto a vocês, mas há palavras que me cansam só de ouvir. “Focar”, por exemplo. Palavra querida de coachs e gurus, parece um cabresto moderno: manda olhar sempre na mesma direção, quando é das distrações que a vida se enche de beleza. É como se, nos ú
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17 agosto
Testemunho de um incêndio criminoso
Eu não me lembro desde quando estou aqui. Não aprendi a medir o passar do tempo por calendários. Sei que é outra, a época, pela camada que veste apenas parte da minha pele, a que cobre o meu esqueleto. Essa é a que tem de estar a serviço da moda, das decisões
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17 agosto
Cuidado: mosca na sopa!
Em 1974, Raul Seixas lançou a música “Eu sou a mosca que pousou na sua sopa”, marco de um período sombrio da ditadura no Brasil. Essa metáfora é genial, e tem sido aplicada a diferentes situações, nem sempre políticas. Quem não se lembra de moscas que pousaram
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17 agosto
O Homem Perverso
Esta é a história de um homem perverso! Mais um homem perverso… O que há de mais trágico na humanidade é que, de tempos em tempos, sempre um homem perverso assume o controle das coisas! E, como todos os homens perversos, quer controlar todas as coi
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16 agosto
Vovós tagarelas?
Minha mãe chegou à velhice. Só pode! Anda muito pensativa e, se a gente pergunta, ela resmunga. Não quer ser interrompida em seu silêncio. Sabe por que eu sei? Porque me lembra a minha avó, a mãe dela. Ela também passou a ser econômica com as palavras. Poxa, e
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16 agosto
Chupa que é de uva
Ainda não me recuperei da moda do bebê reborn e já tenho que lidar com outra tendência que está bombando no momento: o uso de chupeta por adolescentes e adultos para diminuir o estresse e a ansiedade. Quanto aos adolescentes, entendo que a fase é de transição,
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15 agosto
Cinco gravatas
Cinco gravatas estavam sobre a cama. Ele as escolhera para aquela semana de trabalho. Fazia muito tempo que não vestia nada tão formal e curiosamente sentia saudade. Escolhera aquele quinteto cada uma por uma razão. A primeira era justamente como sua re-estréi
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15 agosto
Notícia primeira da morte
Eu tinha quatro, talvez cinco anos. Lembro perfeitamente da situação, das pessoas, dos gestos, das reações, menos dos diálogos. Quanto a estes, o tempo fez questão de enterrar; minhas inúmeras tentativas de rememoração nunca lograram os exumar. Mas o que jamai
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14 agosto
Em grupo sempre fomos imensos!
Muitos propósitos acompanham nossa trajetória em vida, porque possuímos livre arbítrio no desenvolver de ideias e atitudes, similares com as de outros, porém, ficamos ansiosos em viver o máximo possível, no tempo que nos foi concedido. Porque inesperadamente p
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13 agosto
Sucesso ou o quê?
Linete não tinha nada a perder, pensava. Ela jurava que conseguiria rápido um emprego melhor, apesar de sempre escutar que o mar não estava para peixe, que o certo mesmo, e garantido, era fazer um concurso público, como o seu pai dizia, sendo funcionário públi
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12 agosto
O Clube dos Poetas Amadores em Extinção
Era madrugada, por volta de uma da manhã. M. faz um grande esforço para sair de seu apartamento sem fazer barulho. Precisava se fazer invisível. Caminha até a porta e observa o movimento da rua. Embora conhecesse todos os pontos não filmados por onde poderia p
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12 agosto
Quando a amizade vira crônica
A amizade é cheia de mistérios — e é isso que deixa a vida mais bonita. Ter amigos deixa tudo mais rico, mais leve, às vezes até mais suportável. Ninguém nasceu pra viver sozinho. Quando algo bom acontece, e não temos com quem dividir, o brilho se perde um pou
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10 agosto
Na ponta do lápis
Na ponta do lápis, o cronista passeia pelo Rio e vê o mar e o barulho do mar. Na ponta do lápis, o cronista espera o sinal abrir para poder atravessar a avenida que corta o Aterro. Os carros são muitos e ligeiros e, ao que parece, ninguém dá muita atenção ao q
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10 agosto
Do Gerúndio ao Pão Quentinho
Hoje passei quase uma hora tentando cancelar uma linha telefônica. No meio da espera interminável, lembrei de uma crônica genial de Paulo Mendes Campos, escrita em 1959: Coisas Abomináveis. Ele listou 60 situações insuportáveis e, pasme, muitas continuam valen
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9 agosto
Sonhos Juvenis
Eu queria amar! Quem manda ficar lendo livros românticos? Não devo culpar os escritores. Não eram heroínas épicas, grandiosas, orgulhosas, princesas. Nem moças descendentes de famílias tradicionais, preparadas para encontrar namorado entre os filhos dos freque
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9 agosto
Veganismo
O costume de consumir cadáveres de animais grelhados, vulgarmente conhecidos como ‘churrasco’, está encravado em nossa civilização, associado a um congraçamento pagão, envolvendo farra, uma informalidade ligeiramente transgressora e, não raras vezes, embriague
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9 agosto
Oração para os fortes
Ultimamente tenho pensado na diferença entre maturidade, alienação e libertação existencial. A reflexão surge com base nas situações em que algo nos incomoda, aborrece ou se mostra absurdo, e, por diferentes justificativas, silenciamos ou entubamos em nome do
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6 agosto
O menino e o mundo
Nos idos de 1990, eu era um menino, com tantos sonhos. Nessa época já intuía o modus operandi da vida. Percebia as incumbências de meu pai, sempre muito atrasado para o trabalho, onde sequer às vezes podia tomar um café e era chamado de “cabra”, por seu chefe,
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5 agosto
Amizade caça jeito
Alguém já se perguntou como ficam as nossas amizades depois dos 40? Sorry, mas não é a mesma coisa. As pessoas casam, separam, brigam por pensão, focam no trabalho (aliás, o que uma palavra tão feia quanto “focar” está fazendo aqui? Arre!). O tempo para ver os
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5 agosto
Vontade de boneca
Ponto de ônibus lotado. Pedestres, buzinas, barulhos. Um agudo. A criança chora. Largada. Calçada. Penso na fome. Ela dói. O pai embala. O choro não passa. O ônibus também não. O choro aumenta. A menina se agita. Estrebucha no ar. O choro aumenta e dói em mim.
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3 agosto
Bolinhas e fofocas em forma de sombra: perceba-as, antes de abrir os olhos
Inspira… Expira… (por 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1 segundo….) Inspira… Meu cachorro me vê sentada, coluna alinhada, joelhos e pernas e pés num emaranhado yogui, posição de lótus. Antes que eu expire, Zeca já está colocando a sua bolinha preferid
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3 agosto
Rio abaixo…
Reconectar, rever, retomar a amizade – foi o mantra de Clô ao receber o convite para a festa dos 40 anos de formatura. Quarenta! Ela leu a lista de colegas com um sorriso nostálgico no rosto e um pensamento ligeiramente suspeito: “Que tempos maravilhosos
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2 agosto
Existir ou Exibir?
Em tempos de redes sociais, todos sabem de tudo. Há os que entendem mais de determinados assuntos e se tornam mentores ou especialistas disso e daquilo; os que vendem cursos, os que criam clubes de assinaturas para seguidores fiéis, os novos ricos ensinando co
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2 agosto
O famoso ninguém
Andar pelas ruas de Paraty, nesses dias de FLIP, tem me feito pensar na realidade farta que o anonimato esconde ou sufoca. Quantas histórias caminham na gangorra dessas pedras? Quantas dúvidas, decepções e sonhos se escondem nas frestas desse chão? Da ponte, v
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jul- 2025 -31 julho
Síndrome do bebê fantasma!
Na pracinha do bairro, clara caminha com seu carrinho de bebê. O sol da tarde ilumina o rosto rosado da “criança” que ela exibe com orgulho. Os vizinhos sorriem, mas, ao se aproximarem, congelam. Nos braços dela, há um boneco reborn: olhos de vidro, veias dese
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31 julho
Tudo muda
Um estalo e tudo muda. Bruna saiu de casa muito cedo, para ir ao treino na academia. Não tomou o café da manhã direito. Precisava ir rápido para poder, depois, trabalhar. Muita pressa para uma vida tão curta. E ela que tanto defendia o cuidado com o tempo… Na
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29 julho
Preta foi para o céu
Preta Gil foi para o céu. O Brasil ficou órfão de sua alegria escandalosa. Preta perdeu sua última batalha contra o câncer. Perdemos a cantora, a empresária, a apresentadora, o exemplo de mãe, a mulher inspiradora que ela foi. Preta foi embora no último doming
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27 julho
Órfã
Somos inseparáveis. Sabe aquela dupla que passa a maior parte do tempo colada? Pois é, somos assim – tipo queijo com goiabada –, um não pode viver sem o outro. Fazemos tudo juntinhos, uma mão lavando a outra, parceria que já vem de longa data. Seja de dia, sej
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