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out- 2025 -6 outubro
Poema #40: Interstícios da Vida
Deixar de ser cúmplice da vidade outros que em mim personificama parcela da culpa que subtraiodo erro coletivo e meu, individualizado. Obscurecer o reflexo do sofrimentode homens que não vejo em presença,mas que em espécie me julgam dignode vê-los (como testem
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6 outubro
Por que os bons morrem cedo?
Não sei por onde começar. Dói muito falar, lembrar de tudo isso. Gislane me contou de supetão, mulher sem coração: “Vá visitar logo, antes que ele morra!”. Disse assim, na bucha, que Renato estava doente, em fase terminal, nível quatro de cancro no cérebro. Re
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5 outubro
Dias quase perfeitos
Recentemente assisti Perfect Days, uma coprodução entre Japão e Alemanha lançada em 2023. O filme é estrelado por Kōji Yakusho, no papel de um limpador de banheiros. Confesso que, no início, precisei de algum esforço para entrar no ritmo. A narrativa é lenta.
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4 outubro
Incomodada ficava a sua avó
Há pouco tempo assisti a uma entrevista do ator Wagner Moura onde ele dizia que vivemos uma crise da verdade. Não há mais certeza ou garantia de que aquilo que se vê, lê, ouve ou se experiencia é real. Tudo pode não ser o que parece ou se afirma. Até o que con
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4 outubro
Festa ao Entardecer
Daqui a poucos dias faço aniversário… O que vou pedir de presente? Alguma lembrancinha, mais para atender aos filhos e netos que me olham atentamente, tentando adivinhar meus sentimentos, ou meu estado de espírito, nesse dia que me leva cada vez mais ao entard
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3 outubro
Ultimo café
Contemplou em silêncio o burburinho alegre à sua frente. Da mesa de canto no terraço onde estava sentado espiava as demais espalhadas. A maioria com casais, fora uma grande com seis pessoas. Na sua, permanecia só. O sol da tarde era ameno e com luz leve. Escon
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2 outubro
Febre de sentir!
Algumas pessoas têm habilidade em se doar, sentir que em sua condição humana há mais espaço para atender aos interesses dos outros ao invés de suas próprias dores cotidianas. São indivíduos que emocionam em manter uma relação mais frequente com o outro trocand
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2 outubro
ARREBATADO
Quase morto de sede, o homem implorou ao céu por chuva, mas não caiu uma gota. Olhou pra cima e não viu uma só nuvem, só luz e azul. Rogou uma praga. Perambulou pela estrada poeirenta, o sol na cabeça. Viu algo no meio do caminho: uma escultura de madeira que
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1 outubro
A tarde e a crase
Quando Carlos Emilio Faraco disse: “Se você me desse a tarde, eu alegremente a trocaria por uma crase”, não falava apenas de gramática. Ele nos oferecia um jogo perigoso, desses em que uma vírgula é um abismo e um acento decide o destino de uma frase. Um duplo
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1 outubro
Nosso mundo
Enquanto meu filho brincava, eu atestava a sua inteligência e engenhosidade, emocionado. Como ele crescera rápido? Ao mesmo tempo em que me surpreendi, me assustei, como se um portal se abrisse em minha frente. A verdade é que não acompanhei bem seus últimos d
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set- 2025 -30 setembro
Não basta ser leitor, é preciso parecer também
De uns tempos pra cá, virou moda fingir-se leitor ou leitora. De fachada, claro. Nas fotos do Instagram, o rapaz ou a moça é visto ou vista lendo clássicos, carregando ecobags com estampas de livros e autores. Querem posar de inteligentes, eruditos, atraentes.
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29 setembro
Avarias
Na sala do apartamento que dividia com Mila Cox, Zími cantava e tocava no teclado dela uma versão de ‘Always the sun’, dos Stranglers. Usando apenas acordes rudimentares, executou a canção de maneira belíssima. A rouquidão de sua voz, a falta de té
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29 setembro
Poema #39: House Of Dying
FebreSudoreseIncontinênciasVômitosSitofobiaExcesso de salivaFalta de arPalidezConvulsõesFeridasGritosRoncosFedorEspumas na bocaExcesso de gáscatinguentoDor no calcanhare cansaço no mesmo. Uma pequena listado que somos eainda tem genteque se jacta. O Jardim Sim
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28 setembro
Metacrítica
Como uma sugestão literária pode desencadear reflexões íntimas A taça agora reflete um leve nuance púrpuro, apenas; eu, nesta fria estadia serrana, pretendia perder-me entre os dois novos volumes machadianos, ou, quem sabe, afogar-me nos sentimentos mais belos
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28 setembro
Poema: #12: UM LAÇO E UM NÓ
Um laço e um nóe o engasgo e o silêncioa palavra muda amordaçada e nadado que fizera antes apagao fluxo do poema e da prosae as mãos frágeis do poeta-cronistatentam a todo custo segurar o textoo desejoa insensatez e a loucura e o rio de letrassílabas palavras-
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28 setembro
O botox da Monalisa. Quando a estética paralisa também os sentimentos
O sorriso é universal e uma das únicas expressões que já nascemos sabendo fazer e reconhecer, não importa o lugar do mundo onde estejamos. Segundo o dicionário, é uma expressão em que os lábios se curvam nos cantos, e é essa curvatura que acaba dando o tom do
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27 setembro
As voltas que o mundo dá
Cada dia mais me convenço de que o universo se comunica com a humanidade por sinais sutis e precisos. Essa linguagem delicada costuma ser nomeada, por muitos de nós, como coincidência ou intuição. Eu, de minha parte, acredito tratar-se de um idioma ancestral,
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25 setembro
Tempo da mudança de atitude!
Possuo muitas bibliotecas perdidas em sonhos, que descrevem experiências que vivi. Não lembro de alguns detalhes saborosos de minha infância, mas recordo que meus pais me deram muito amor e carinho, que eu gostaria de rever em meus olhos, tocar novamente
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25 setembro
Os olhos dela
Ele ia deixá-los abertos, os olhos dela, mas decidiu cerrá-los para parecer que dormia. Conheceram-se numa festa de final de ano, na casa de amigos. Ele gostou do jeito e da graça com que ela levantou a taça de vinho durante o brinde para a contagem regressiva
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24 setembro
Mano velho
Já não tenho tempo para nada, com oitenta e nove anos. Ele, o dono de tudo, se esvai, mais lento que outrora. Não suporto os achaques e as dores, que me atacam diuturnamente. A velhice é uma covardia, uma falsa esperança. O que posso esperar daqui para a frent
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23 setembro
Reencontros
Reencontrar alguém é como ganhar presente de Natal antecipado, de aniversário ou de amigo oculto. É como se, de certa forma, fosse possível voltar ao passado, reviver um tempo antigo de alegrias e ingenuidade. Outro dia reencontrei uma amiga que não via há trê
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22 setembro
Cheiro de jaula
Ainda era um pensionato aquela casa da rua Humaitá, onde Zími sempre parava na frente quando passava por ela, e ficava olhando durante a duração de um cigarro . Ele havia morado lá por alguns anos, atravessando o período da pandemia ali. Aquele lugar não havia
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22 setembro
Poema #38: Em Brancas Nuvens
Alguns dos meuspoemas são comoletras de músicasem música. Alguns dos meusgestos são comoatos de uma peçasem atores. Alguns dos meussonhos são comoum comício públicosem plateia. Alguns dos meusatos são comoum filme mudosem cenário. Alguns dos meusdelírios são c
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22 setembro
Poema #05: Não É Aqui, Mas Perto
Estou debruçadosob a fagulha do instante.Me distorço enquanto crioa ilusão de um esboço para algoque sequer sei o quê. Ouso um salto, um pêndulo.Giro de cá e de lá.Laço-me à vertente de um vértice,dobro os olhares e os reviro, o sintoma.Tu, que me devoraste. A
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21 setembro
Por que falar de amor?
Por que falar de amor? Por que falar do amor? Tantos versos já eu sei… Versos que foram escritos e vistos e sentidos com bocas e ouvidos, com café ou sem café, mas com açúcar e afeto? Por que falar de amor? Por que falar do amor? Tantas linhas e parágraf
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21 setembro
O retratista fiel
Folhear álbuns de fotografias antigas — em papel ou digitais — tem me causado um certo estranhamento, uma sensação de que os ambientes, as pessoas, as fisionomias não eram bem assim como estão retratadas. Na foto do meu aniversário de 15 anos, o vestido que, à
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20 setembro
QUARENTENA
Com um sobressalto, fui arrancado da cama por um sonho apocalíptico. Ainda grogue e alarmado, abri as cortinas e meu humor logo mudou. Lá fora, me acenava um maravilhoso céu azul. Era sábado de aleluia. Aleluia! Que lindo sol! Um dia claro com temperatura amen
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20 setembro
Enxurrada
Quem morou em cidades do interior, em tempos idos, vai se lembrar da enxurrada. Do barulho, da intensidade, da cor, do tempo que durava. Hoje, talvez, poucas crianças tenham visto, ou até mesmo ouvido falar dela. Esse fenômeno da natureza não era o evento em s
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20 setembro
Eu vejo flores em você
Não tem nesse mundo quem nunca escutou falar que as palavras têm poder, seja para tornar realidade o que estava no campo dos sonhos, seja para elevar ou destruir alguém. Eu mesma lembro de algumas palavras que, atiradas contra mim, me fizeram sangrar por um te
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19 setembro
Com um tirano na barriga
“Fulano tem um rei na barriga”, todos conhecem o dito e, sem dúvida, ao menos uma pessoa que se enquadra no tipo que ele procura representar. De igual maneira, há quem possua um tirano na barriga. Mesmo que nunca tenha ouvido a expressão, tenho certeza de que
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