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  • dez- 2025 -
    19 dezembro

    Maria Quitéria

    Boca aberta, torta para um lado, os olhos para o outro, parados na morte. “Não faça isso comigo. Volte, Paizinho.” Olha para a esquerda, vesgo na eternidade. “Paizinho, eu prometo ser boazinha. Eu faço tudo.” A ponta da língua no canto da boca, quer sair. O sa

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  • 19 dezembro

    Morrer de amor

    Uma noite dessas tive a boa ideia de assistir a apresentação de um coral onde uma amiga querida canta. O programa foi todo dedicado à Rita Lee e, de repente, durante a apresentação algo me tocou e foi a letra de “Saúde”. A parte que acendeu uma lâmpada, ou cha

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  • 18 dezembro

    Pelos olhos de um cavalo

    Subi até o Morro do Gavião e de lá olhei a cidade. Não era uma cidade grande, mas era bela, e mais bela ainda vista de cima em toda a sua extensão. Abraçar uma cidade inteira com o olhar não é simples, exige senso de contemplação e silêncio. Vi o rio marrom qu

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  • 18 dezembro

    Nossa frágil condição humana!

    Histórias e piadas contadas por nossa família e amigos, invariavelmente nos fazem rir, mas se forem das boas. Observando no detalhe, elas contam histórias sobre o mal, ou de uma desgraça alheia.  A bondade não tem graça nenhuma, somente se ao final a hist

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  • 17 dezembro

    Peregrinação

    Nikita mandou o recado por Leozinho. Disse que queria me ver morto. Leozinho pediu para eu tomar cuidado, porque o velho Nikita é brabo e vive ameaçando o povo. Mas não sei o porquê dessa desavença toda. Nikita mal me conhece, exceto pelas andanças no bairro.

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  • 16 dezembro

    Está tão difícil ser eu

    Uma das coisas mais surreais que me ocorreram foi, sem dúvida, ser confundido com outra pessoa. Gente mais nova não sabe bem o que é isso, mas, na época do telefone fixo, quando sequer existia WhatsApp, quando redes sociais eram ficção científica, a pessoa te

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  • 15 dezembro

    Sacripantas

    Zími acompanhou Silvano num sábado pela manhã, para que fizessem um serviço de carreto na Vila Mariana. Às oito horas saíram da garagem do prédio onde moravam, no centro de São Paulo. Era um trabalho rápido, e já estariam livres na hora do almoço. Zími, com um

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  • 14 dezembro

    Nota de abertura

    (nota de abertura – curta, decisiva) Esta crônica acontece no intervalo.Quinze minutos entre um ato e outro.DIIIM. As cortinas estão abertas, mas ninguém está olhando para o palco. DIIIIIIM. Ando por esse tempo suspenso como quem flana: não chego, não parto —

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  • 14 dezembro

    Só a bailarina que não tem

    Um dia desses, lendo uma crônica do Vinicius de Moraes — O estranho ofício de escrever — senti um alívio maior do que aquele que experimentava, na infância em colégio de freiras, ao sair do confessionário. Minha consciência, até então abalada pelos pecados ven

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  • 14 dezembro

    Uma crônica quase poesia

    Uma crônica leve bem leve. Uma crônica como se fosse um beijo. Isso. Como se fosse um beijo. Uma crônica limpa. Sem manchas de maldade ou de egoísmo. Ambição de conto? Nem pensar! Uma crônica suave e mansa. Dessas que o vento leva de tão leve e descontraída. U

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  • 13 dezembro

    Por que as pessoas gritam?

    Tenho pavor, trauma e medo de quem grita. O grito, para mim, é quase sempre a antecâmara da violência, do caos anunciado. “A violência seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota“, já disse o filósofo A opressão, a intimidação e o

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  • 13 dezembro

    A ordem é amar?

    O parlamento da Dinamarca aprovou, recentemente, uma lei que proíbe o acesso de menores de quinze anos às redes sociais. Com essa atitude, o governo determina que a relação dos seus cidadãos com as plataformas digitais transcende o escopo da educação familiar

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  • 12 dezembro

    A Manquinha

    Pulava numa perna só – bicando um grão aqui, um grão ali, enchendo o papo. Arrulhava, cabeça no ar, o peito cheio – com um orgulho triste. Os moleques espantavam as outras pombas – “Suas cagonas!” Ela, não; era respeitada – ou a gente tinha dó. Que pena a Manq

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  • 11 dezembro

    O peregrino

    Levanta-te e anda!, disse aquele visionário de barba crespa e suja e olhos que anunciavam divindade. Lázaro, farto de mentiras sobre a vida e a morte, levantou-se e começou a caminhar. No meio da tarde estava já longe de tudo, do povoado coalhado de caseb

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  • 11 dezembro

    Um tom diferente na tinta da retina

    No Renascimento foi inventada a sopa fortificante e restauradora, feita de carne de boi, carneiro e legumes, servida como refeição no século XVIII aos viajantes ou indivíduos extenuados, após um longo dia de trabalho.  Era servida nas estalagens, tabernas

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  • 10 dezembro

    Nova idade

    Nunca imaginei que fosse me apegar. Não fui do tipo dado a animais. Não porque os odeie, mas, sim, porque achava que os bichos não deveriam ser criados como gente e por gente. Tia Beta trata os seus cachorros melhor que muita gente por aí, e isso nunca entendi

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  • 9 dezembro

    O mar é logo ali

    Na semana passada, fui ao Rio de Janeiro para o lançamento do livro “A reinvenção da metáfora: as bodas de Rogério Salgado”, publicado pela Ventura Editora, com organização do poeta Luiz Otávio Oliani, e que tive o orgulho de apresen

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  • 8 dezembro

    Poema #48: Instante de delírio

    Olho para o vaziode meus olhos.O espelhonão reflete mais o amor,outrora visível. Imagens tão nítidasse me afloram perdidasna incongruência do vidro,uma vez descascada sua tintaprateada de reflexão. E agora as manhãstrazem o hálito da perda,do que fui e que no

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  • 8 dezembro

    Poema #09: Dominó

    Não escanda a minha fala.Escancarar uma taranem sempre é um bom negócio. Esconda, miúdo, as manias que lhe movem.Um dia, quando nada sobrar,elas ainda farão o seu coração bater. É como diziam os romanos:tudo em latim.Ninguém entende, todo mundo concorda.

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  • 8 dezembro

    Obscuros

    No dia seguinte à festinha de lançamento do primeiro single da banda Hollow Clowns, Zími ficou sabendo por redes sociais que Samir, baterista da banda, havia morrido por overdose de cocaína. Era considerado grande baterista, pela força, influência e domínio té

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  • 7 dezembro

    Caos contraproducente

    Cheira à baunilha. Há banana e aveia em formato de osso e olhos ainda vacilantes e resistentes aos raios dominicais. Uma miríade de folhas, bocejos e pelos esparrama-se sobre o sofá-cama amarrotado pelas horas adormecidas. O sábado à noite fora um misto de con

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  • 7 dezembro

    A Leoa e o menino

    O menino sonha os seus sonhos de menino. Voar, cantar, adestrar leões! A leoa faz o que uma leoa sabe fazer, observar atentamente e esperar o momento certo para atacar, afinal, o que um leão faz de melhor a não ser atacar com precisão a sua presa? O menino foi

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  • 7 dezembro

    O retratista fiel

    Folhear álbuns de fotografias antigas — em papel ou digitais — tem me causado um certo estranhamento, uma sensação de que os ambientes, as pessoas, as fisionomias não eram bem assim como estão retratadas. Na foto do meu aniversário de 15 anos, o vestido que, à

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  • 6 dezembro

    Breve encontro

    Hoje, por acaso, tropecei no passado. Um banco de madeira, daqueles que encontramos nas pracinhas, a sombra de uma árvore de flores amarelas e a brisa suave de um fim de tarde me levaram à infância. Lá encontrei minha inocência, o castelo suntuoso dos meus son

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  • 6 dezembro

    Um ouvido novo, para uma história velha…

    Que atire a primeira pedra quem não passou por isso! Todos nós conhecemos alguém que adora quando perguntam: e aí, tudo bem? Pronto, lá vem a amiga ou amigo traída(o) contar detalhes: como passou a desconfiar, quais sinais ela não percebeu, o quanto acreditou

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  • 5 dezembro

    Cultura popular

    Ah, essa cultura popular do momento. Você leu direito: cultura popular do momento. Eu faço essa distinção porque entendo que existe aquela que é eterna em nossa memória. E outra que é tão densa quanto fumaça de xícara de café. Tem gente que prefere chamar esse

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  • 5 dezembro

    O amor, sem querer, acaba

    “Sim, o amor acaba”, assim, Paulo Mendes Campos começou uma das suas mais célebres crônicas. Iniciou com uma assertiva que, no íntimo, sabemos ser verdade; não obstante algumas tentativas de mistificação, como na frase tantas vezes escutada “se acabou, é porqu

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  • 5 dezembro

    O Ouriço

    Estou grudado no alto da porteira da mangueira das vacas. Lá embaixo o Duque late feito doido. Avança, negaceia, avança de novo – uma bruta valentia. É um ouriço acuado junto ao mourão da porteira. Ele rodopia, se eriça todo – coisinha indefesa, só tentando fu

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  • 4 dezembro

    Não se deixe levar pelo contágio alheio!

    A Sociedade Teosófica é um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor. Pode ser considerada uma das poucas democráticas disponíveis a todos os povos. Ela encoraja o estudo da Religião comparada a Filosofia 

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  • 4 dezembro

    Lurdinha

    No exato instante em que Lurdinha nasceu, exclamaram Coitada! Com o passar dos meses, acrescentaram ao Coitada! a frase Olhe a cabecinha dela, que pequenininha! Lurdinha cresceu com sua pequena cabeça e foi feliz, mesmo que não entende

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