Autores

  • ago- 2025 -
    31 agosto

    O crítico perfeito

    Não havia estática no ambiente coabitado por seis espaços, sexta-feira inaugural de um coquetel em meio a formas geométricas suspensas; horas que se observavam tentando segurar a respiração e manter o mesmo compasso entre os minutos. Perder-se não é uma brecha no tempo, pelo contrário. São chaves que não abrem porta alguma, mas pendulam na possibilidade. Está introduzido o conceito curatorial de luz, memória e tempo. São todos os fusos horários em um coro

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  • 31 agosto

    Uma crônica para o Luis

    Eu não sei exatamente com quantos anos li pela primeira vez um texto de Luis Fernando Veríssimo. O que sei é que era ainda bem jovem. Um estudante de muitos e muitos anos atrás… Sei também que quando li, não parava de rir e de achar que o texto era simplesmente incrível! Leve, divertido e com uma linguagem muito acessível. Pra variar, o texto em questão, era uma crônica! E, desde então, estava com algum texto do Veríssimo pronto pra ler. Construí meu

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  • 30 agosto

    Estou pobre de heroínas…

    Neste site, onde publicamos crônicas, poemas, contos e reflexões, existe uma aba chamada Autores. Lá está a nossa descrição: quem somos, o que nos qualifica como escritores, nossa formação. Enfim, um retrato resumido de cada um. Tenho filhos, netos, família e amigos. Estudo. Publiquei livros de contos e crônicas, além da minha autobiografia. Tenho três graduações, fiz pós-graduação e posso afirmar: estudar foi e, ainda é parte importante de quem sou. No en

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  • 30 agosto

    A eternidade possível

    Morreu o meu primeiro beijo. Junto com ele foi enterrada uma fração da minha eternidade. Memórias dos medos compartilhados, dos sonhos impregnados na pele, do riso frouxo de nossa meninice.  Foram sepultadas as emoções que eu causei, as palavras e gestos que de mim fugiram para morar em sua recordação.  Diante da notícia crua, áspera, concretada na impossibilidade de um adeus, surge como um rito acessível, a crônica, corpo real da palavra sobrevivente do f

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  • 29 agosto

    Duas dedicatórias, duas supostas histórias

    Toda obra literária contém mais do que aquilo que o autor quis entregar nas linhas por ele redigidas. Mas os livros enquanto objetos (embora de caráter quase metafísico) também nos contam mais do que o que há impresso nas suas páginas. O processo de editoração, a capa, os paratextos, tudo isso diz algo. E há a própria história do exemplar que temos, assim como as que ocorreram em torno dele, ambas deixando os seus vestígios. Nesse aspecto, os antigos são i

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  • 29 agosto

    Conversas aos pedaços

    Nada mais moderno e urbano do que escutar parte de uma conversa. Na rua, no elevador, em uma loja, no metrô, no cinema, enfim em qualquer lugar onde seres humanos circulem falando. Você passa e capta um pedaço da frase. Algo como “leva o cachorro para passear antes” e não conseguia escutar mais nada. Tinha que imaginar o restante do que seria dito. Na maior parte dos casos não valia à pena o exercício mental porque era sempre algum papo trivial demais. Ao

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  • 28 agosto

    Febre de sentir!

    Algumas pessoas têm habilidade em se doar, sentir que em sua condição humana há mais espaço para atender aos interesses dos outros ao invés de suas próprias dores cotidianas. São indivíduos que emocionam em manter uma relação mais frequente com o outro trocando ideias, pensamentos, conversas, sem pedras nos bolsos, que são raras e caras para muitos. Já, as pessoas pesadas, pessimistas e invejosas, tornam as relações diárias um prato azedo e temperado com s

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  • 28 agosto

    Na casa do pasto

    Perto do pasto só há uma casa. Em pé na soleira, um homem e uma mulher discutem. Em questão de horas sairá dela outro filho, a parteira já deve estar chegando. As outras crianças, cinco ou seis, já crescidas, brincam na terra com o cachorro. Da barriga da mulher escorregou uma menina. Pequena, chorona, magricela, sem muita roupa para vestir, ainda bem que estava fazendo calor. A comida que há na casa do pasto não é suficiente para a fome de todos. A mãe pr

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  • 27 agosto

    Uma grande amizade

    Estava prestes a entrar na casa do Ricardo. O calafrio bateu, com a força do vento gélido, de um dia de chuva, que dava do décimo primeiro andar, de um prédio no nascente. Fiquei minutos paralisado, sem saber como proceder, o que dizer, para o meu tão grande amigo. Nós nos conhecemos no colégio, quando tínhamos cinco para seis anos. Estudávamos na mesma sala, fomos alfabetizados e seguimos para o primeiro, segundo e terceiro anos do ensino fundamental, à é

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  • 26 agosto

    Que graça tem um livro?

    A graça de um livro? Ele te dá prazer. Se você não está lendo por obrigação, está envolvido na viagem mais deliciosa que poderia fazer — não apenas por países, sem precisar de passaporte, mas também por épocas. Um livro faz voltar no tempo. E a razão é única: prazer. Você escolhe uma história, se delicia lendo sinopses, acolhe a dica de um amigo e vai. Um livro não precisa te dar lições de vida, nem te deixar rico, nem transformar a sua existência. Eu era

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  • 26 agosto

    BORNOUT

    Nasci um nada. Fui criado para ser um nada. Desde pequeno, nunca soube que o dinheiro pode ser usado para o lazer. Aliás, qual o significado disso? Meus pais só trabalhavam e tudo era minimamente economizado para podermos pagar as parcelas de nossa casa em um condomínio classe média e do carro do ano, a grande paixão do meu genitor. Objetos nos quais ele empregava seu tempo livre e sua matéria. Enfim, fui criado para ser insignificante e decidi vencer esse

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  • 25 agosto

    Poema #36: Nu

    O teu corpo,pássaro esculpidono assento dosofá da salade visitas,é uma ampla salaonde te visito(abolida a noçãode sonhosob o teu vestido),sempre que o desejodo corpo desenhaa moldura de umpássaroem teu assentoInventário de Sombras

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  • 25 agosto

    Poema #07: Ressaca

    onda mortiça,que oculta em seu manto de espuma?pérola ou lixo?fragmento de concha ou ponta de vidro?cobertor de areiaespelho de estrelapoça onde a sereia afônica afunda os pés sem dedos O corpo inteiro afogado no poço sem fundo.A memória em desordem de molho no sal.O olhar que vacila (à procura de terra firme?)vê diluir-se um segredo na força da água. no avançono refluxoo vaivém ritmadopinta no chãouma sombra onduladaque apaga São suas ondas, maré postiça,

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  • 24 agosto

    Poema: #11: REMANSO

    Sem querer descansoUm espantoVoluptuosa correnteSente que é noiteDentro da gente. Sem querer remansoMansoMato verde molhadoSente que é serenoEnluarado. Sem qualquer prantoPronto:Torre de vento e estrelaSabe que é madrugadaNada. Vem molhada de cantoQuer tantoBoca de lua jogadaSol quente na estrada

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  • 24 agosto

    Acaso e correlações à brasileira

    Não há o nostálgico soar do ‘tic tac’ de relógios analógicos, mas a tela mágica do meu notebook indica que já ultrapassa a meia-noite. Desato nós de uma miríade de tarefas quando um barulhinho agudo e oco ecoa por cima da lauda da peça teatral que em breve encenarei, em minha improvisada mesa de home office: Uma joaninha. O corpinho vermelho hesita em emergir por entre asas a se debater, incessantemente. As características pintas pretas estão lá, e eis uma

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  • 24 agosto

    Manual atualizado da sofrência

    Nunca tinha me atentado para a existência desse termo. Com a morte prematura de Marília Mendonça e a retomada dos comentários sobre a autora, que faria 30 anos em 2025, a palavra ganhou espaço na mídia e me levou a pensar um pouco no sentido de se cantar a sofrência — e no quanto esse canto ecoou no coração de uma multidão. Procurando pela origem da palavra, descobri que se trata de um neologismo da língua portuguesa, formado pela junção de “sofrimento” e

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  • 23 agosto

    Por aí

    Todo mortal que se preze já experimentou, em algum momento da existência, o desejo profundo de sumir sem deixar rastros. Não me refiro aqui a nenhum tipo de ideação suicida. No caso em questão, a pessoa deseja apenas evaporar, ela não quer morrer. Pelo contrário, intenciona viver plenamente, começar do zero, porém, longe do cenário no qual se encontra inserida seja por não suportar as pressões familiares, as cobranças sociais, as relações abusivas, as dívi

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  • 23 agosto

    Uma Noite Alucinante

    zzzzzzzzzzzzz….. zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz……. Júlio mexeu na cama enquanto se recusava a abrir os olhos. “Pernilongo maldito.” Pensou tentando não despertar por completo. SLAP! Uma batida de palma na escuridão, inútil. O diabo do mosquito pousou em seu nariz. “Isso é um despeito.” SLAP! “Aí!” Gritou enquanto massageava o nariz e abria os olhos contra sua vontade. Tateou ao lado da cama em busca da raquet

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  • 23 agosto

    Módicos Médicos

    A discussão em torno da presença de médicos cubanos no Programa Mais Médicos, alvo de retaliações do governo americano sob a alegação de que se encontrariam sob “regime escravo” e a serviço de uma ditadura, é um exemplo infeliz de como o clima de debate ideológico contamina até programas sociais que mereciam uma análise isenta e menos apaixonada. Para os apoiadores brasileiros de Trump, por ter sido instituído durante a gestão Dilma e por abranger profissi

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  • 23 agosto

    O Que Serei Quando Eu Crescer?

    Não… não vou escrever sobre os influencers… nem falar da infância usurpada… tampouco dos “responsáveis” pais… nem se o assunto da semana atende à pauta X ou Y. Como bem disse uma colega escritora: “tudo parece ser mais do mesmo.” Também não vou falar sobre coisas insanas, ou assuntos pavorosos.  Mas a minha inquietude em ver as letrinhas uma atrás das outras, formando palavras, enfileirando emoções, causando aflições, não é fácil de ser administrada.

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  • 21 agosto

    Comer, morar e sobreviver!

    Vivi minha primeira vez em muitas descobertas, durante essa existência por vezes cansada de novas buscas.  A primeira viagem, a visita ao Museu, o primeiro castelo na areia, a roupa nova no verão. A primeira comunhão, e a festa de minha formatura na faculdade, foi inesquecível. Porém, muitos rostos que talvez tenham cruzado em nossa calçada, nem sequer sabem o que tudo isso significa, ou como poderia ser realizado. Porque ainda vivem em condições análogas

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  • 21 agosto

    A doença

    Olhei no espelho e vi uns olhos que não eram os meus. Esse rosto assim magro, assim pálido, assim descolorido, não era o meu. No entanto, era eu que estava refletido, era eu que me olhava. Baixei os olhos, quem sabe a imagem do outro lado desaparecesse e eu voltasse a me ver como era antes. Levantei o olhar e vi, de novo, esse rosto assim magro, assim pálido, assim descolorido. Suspirei, conformado, e comecei. Passei a espuma nas bochechas e fiz massagem d

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  • 20 agosto

    Minha luta

    Não sei se ainda estou perdida. As guerras de minha mãe e de meu pai devem ter afetado o meu psicológico severamente. Eles digladiavam com tudo, entre si, com o mundo. Tinham trabalhos que odiavam. Chegavam a casa resmungando ou gritando. Quase sempre eu era bucha de canhão. E olhe lá quando não me chamavam de menina mimada, sem ver para quê, e eu pensava que era justamente pelo fato de não me meter nessas tragédias diárias. Até que se separaram e eu dei g

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  • 19 agosto

    O Prazer de Desviar

    Não sei quanto a vocês, mas há palavras que me cansam só de ouvir. “Focar”, por exemplo. Palavra querida de coachs e gurus, parece um cabresto moderno: manda olhar sempre na mesma direção, quando é das distrações que a vida se enche de beleza. É como se, nos últimos tempos, quiséssemos eliminar do mundo todos os imprevistos: o botão da camisa que arrebenta, o carro que passa veloz numa poça d’água, molhando nossa roupa de lama, o outro que fala alto no ôni

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  • 18 agosto

    Poema #06: Eco

    talvez uma nota sósurge avulso na meia luzmonótono feito o cantoque se destina a embalaro teto o chão as paredes a coreografia do póprojeta no espaço em brancoo sonho de não morrero ritmo é a bolha que estourano silêncio da distância rebate elástico o nóduelo que prende a respostaao mesmo som da perguntana teia da repetiçãoa voz desafia o infinito

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  • 18 agosto

    Poema #35: BREVE E LONGÍNQUO

    “… você marcou a minha vida, viveu, morreu na minha história, chego a ter medo do futuro e dasolidão que em minha porta bate… eu corro e fujo destas sombras, em sonhos vejo este passado, ena parede do meu quarto, ainda está o seu retrato, não quero ver pra não lembrar, pensei até emme mudar… lugar qualquer que não exista o pensamento em você”.Edson Trindade/Tim Maia Breve, como breve é a luz da lua cheiaDurante o eclipse solar da vida humana. Breve, como b

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  • 17 agosto

    Testemunho de um incêndio criminoso

    Eu não me lembro desde quando estou aqui. Não aprendi a medir o passar do tempo por calendários. Sei que é outra, a época, pela camada que veste apenas parte da minha pele, a que cobre o meu esqueleto. Essa é a que tem de estar a serviço da moda, das decisões políticas: minha pele é sempre da cor do momento. Enquanto isso, minha parte principal, a mais quente — e contraditoriamente, segundo minha natureza humana, a mais íntima e mais exposta, órgãos e sent

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  • 17 agosto

    Cuidado: mosca na sopa!

    Em 1974, Raul Seixas lançou a música “Eu sou a mosca que pousou na sua sopa”, marco de um período sombrio da ditadura no Brasil. Essa metáfora é genial, e tem sido aplicada a diferentes situações, nem sempre políticas. Quem não se lembra de moscas que pousaram em sua sopa para estragar a alegria, ou que estão sempre zumbindo no seu ouvido de forma desagradável? Pois é, eu aqui consegui identificar diferentes tipos de “mosca na sopa”. Um primeiro tipo é a m

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  • 17 agosto

    O Homem Perverso

    Esta é a história de um homem perverso! Mais um homem perverso… O que há de mais trágico na humanidade é que, de tempos em tempos, sempre um homem perverso assume o controle das coisas!  E, como todos os homens perversos, quer controlar todas as coisas! Como todos os homens perversos, não gosta de outros homens, seus semelhantes! Gosta de sua própria imagem! Gosta da adulação! Como todos os homens perversos, detesta livro, prefere queimá-los, co

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  • 16 agosto

    Vovós tagarelas?

    Minha mãe chegou à velhice. Só pode! Anda muito pensativa e, se a gente pergunta, ela resmunga. Não quer ser interrompida em seu silêncio. Sabe por que eu sei? Porque me lembra a minha avó, a mãe dela. Ela também passou a ser econômica com as palavras. Poxa, ela era tão nossa amiga! Perguntava da escola, das bonecas, das colegas de sala. Contava coisas engraçadas, como quando pescou um peixe com o pai dela. Que o bicho se debatia no anzol e ela não sabia d

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