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  • set- 2025 -
    19 setembro

    Ruptura

    Toda vez que olhava pela janela era em busca de distração. A vista não era de frente para o mar mas também não era para alguma parede. Do alto de sua janela avistava a cidade com sua arquitetura confusa e mista. Prédios clássicos que evocavam o passado de glór

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  • 18 setembro

    Cruel

    — Estou aqui, Maria Helena. Quando recebeu o recado, ele não deu pelo motivo. Disseram que ela queria vê-lo, insistia em vê-lo. Estavam divorciados havia mais de dez anos, e nesse período só tinham se visto duas ou três vezes para discutir a separação dos bens

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  • 18 setembro

    Mundo Além das Quinas!

    Há uma caixa no centro da mesa. Você a conhece bem: é quadrada, de paredes rígidas, com cantos precisos. Dentro dela cabem todas as respostas que você aprendeu a repetir, os “porquês” que não precisam mais ser questionados e os caminhos que todos j

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  • 17 setembro

    Brazilzão

    Não falo de Clarisse, pelo contrário, ela se mostra ser uma pessoa de bem, engajada, fervorosa com os princípios das “quatro linhas da Constituição”. Falo de Sérgio, que se debandou para lá, pro lado comunista. É um tremendo de um traidor e vacilão. O casament

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  • 17 setembro

    O menino que pintava cidades

    Sempre identifiquei as cidades pelas cores. Mesmo antes de visitá-las, ainda garoto – empinando pipas nos arredores de casa ou jogando bola dente-de-leite pelas ruas – eu já sabia que o Rio de Janeiro era azul, igual ao céu em dia claro, e São Paul

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  • 16 setembro

    Entre Rolês e Rodeios

    Já disse em algum lugar — não lembro onde — que nem o cronista descansa: se deixa o bloco de anotações em casa, não importa. Você ouve uma frase no táxi, na pastelaria, na farmácia, no Uber e sente aquele chamado para a escrita, algo como: ali dá uma crônica d

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  • 15 setembro

    O Chute na tomada

    Bueninho era o vocalista da banda ‘Impunes’. Ele saiu do metrô na estação Liberdade, a caminho da Rua da Glória. Faltavam sete minutos para as treze horas. Logo chegou ao portão do prédio em que moram Zími e Mila Cox, que juntos são a banda Crop Ci

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  • 15 setembro

    Poema #04: Sujeito Itinerário

    Sentar-se à varanda e deliciar-se com aspassadas, dos sons da cidade,com a corrente inóspita do tempo… Ao silêncio de um lago turvoque se desdobra,sobre as luzes que escapam, e a vida queexiste… como que omundo as retirasse de si. E notar as ondas eterna

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  • 15 setembro

    Poema #37: Um Vazio Suficientemente Cheio

    Subtraímos da vidaa sua menor parcelapara o preenchimentode nossas carências. Mas ao assumirmos ocontrole desta mínimapropriedade, sentimos que ela não nos bastaposto que a enxergamosapartada de sua totalidade. Acrescentamos então à vidaa parte restante que fa

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  • 14 setembro

    Música Brasileira

    Ah! Que saudade da travessia de Milton, das noites com sol de Venturini, do palco de Gil, da construção e das construções de Chico!! O coração aperta com a alegria e as alegrias de Caetano, com as águas de março de Tom e, generosamente, faz lembrar de Madalena

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  • 14 setembro

    Tatibitate

    Meu amorzinho, vamos começar. Vou explicar para você direitinho o que vai acontecer, não se preocupe, estou aqui pra ajudar, viu amorzinho? Qualquer dúvida pode me perguntar, eu estou aqui do seu ladinho o tempo todo. Vamos lá? coloque o pezinho aqui, assim am

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  • 14 setembro

    ………….|….|…|…|.|.|…|.

    Uma penaRubra, rubor – ruído ruivoFeito item desejadoJaz – ainda que repleta de vidaNo papelão bonito de onde veio NuncaSequerDaliSaiu Enquanto observa o líquido – mesma corrubra, rubor – ruído ruivoDançar serelepe em cristal humanoApai

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  • 13 setembro

    Para mim e por mim

    Hoje eu acordei disposta a me elogiar, admirar meus feitos, reconhecer minhas lutas, relembrar todas as vezes que me levantei de tombos dolorosos e segui em frente. Acordei sedenta da minha essência, de abraçar com carinho minhas cicatrizes, as lágrimas escorr

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  • 13 setembro

    Realidade Adversa

    “Da minha infância querida, que os anos não trazem mais…” “Maringá, Maringá, depois que tu partiste, tudo aqui ficou tão triste que eu garrei a imaginar…” “Vento que balança as palhas dos coqueiros, vento que encrespa as ondas do mar…” Aqui, sentada na varanda

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  • 12 setembro

    Montanha

    A inspiração é forte. A concentração, igual. Olha-se adiante, para cima, em busca de cada reentrância na pedra que permita firmar as mãos ou só os dedos. Meio pé em um calço é o suficiente para subir mais um pouco no paredão. Visto por baixo, a parede parece l

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  • 11 setembro

    O doce Augusto

    Nasceu palhaço, um grande palhaço, mas não se deu conta disso, e ninguém lhe disse. E então passou os anos fingindo uma seriedade que não tinha. Jamais prosperou: nunca foi capaz de cuspir nem dar pontapé no traseiro dos outros ou fingir que gostava de criança

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  • 10 setembro

    Destino

    Ela buscava a perfeição nas pequenas coisas. Não por vaidade – que tolice seria pensar assim – , mas porque temia que, se um detalhe lhe escapasse, o resto se desfaria junto. Como se a vida fosse tecida de minúcias frágeis, e bastasse um único fio solto para q

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  • 10 setembro

    Desumanização

    Acompanho a minha esposa na fisioterapia. Como vocês sabem, ela fraturou o braço há um mês e está entrando numa fase longa de recuperação. Estou cagado de cansado, de um dia todo de trabalho; peguei um trânsito maldito e estou agora, 18h30min, num tal Ginásio

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  • 9 setembro

    O Edgar tem cada uma

    Para Luis Fernando Verissimo, com saudade* O Edgar está longe de ser bonito, mas anda empenhado em virar um grande sedutor. Acha que é só questão de lábia, de saber xavecar do jeito certo: o papo, o feeling, o timing. Nos sebos, vai direto à estante dos livros

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  • 9 setembro

    A Velha e o Mosquitão

    Dona Maria costumava se gabar por ser a maior espectadora de televisão do planeta. Havia alguém responsável por lhe conceder esse nobre título? Sim, no caso, ela mesma. Moradora de uma vila de pescadores, tinha uma vida bastante simples. Acordava de manhã, sen

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  • 8 setembro

    FERIADO

    Estou sentado, sozinho, na mesa de um bar, numa dessas noites perdidas. Lá fora a chuva impede-me de sair e eu fico observando este meu impedimento que na verdade é fuga a uma determinação que não tenho tido. Olho para a chuva e vejo a sua cortina de indiferen

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  • 7 setembro

    Poema: #12: Exercício Pessoano

    A chuva veio tomaros meus pensamentose me puxou pelo braço… assim inteiroe já não me sou…deixei de ser…somos e não somos.Várias vozes… absorção.Um senão! E fica a impressãode que a vida se abandonana brevidade acelerada das coisas…

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  • 7 setembro

    Oscilações

    Um corpo que envelhece, expressões sem fôlego. Vera move-se em vaievéns curtos, sem, contudo, se entregar à queda. No espelho, vendo o que não queria – ou tentando não o fazer; momentos antes, a caixa… dezenas de momentos em papel fotográfico, seu os tan

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  • 7 setembro

    O diário secreto de Miss Marple

    O ritual da noite era sempre o mesmo: minha irmã fechava as portas do armário, apagava a luz e decretava silêncio. Só então eu podia, sorrateiramente, pegar o meu livro, lápis, um caderninho e me esgueirar para o meu refúgio de leitura noturna – o banheiro– na

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  • 6 setembro

    Não se faz omelete sem quebrar os ovos

    Para muitas pessoas, a aproximação do aniversário inaugura o inferno astral, tempo no qual tudo que poderia dar errado, dará. Não sei se acredito nisso, mas fato é que, semanas antes do glorioso dia, tem início, dentro de mim, um misto de desassossego e agonia

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  • 6 setembro

    Ou nada, ou tudo

    Costumo rezar sozinha. Não por falta de fé coletiva, mas por necessidade de compreender o sentido da prece: se é pedido, agradecimento ou louvor. Nas igrejas e templos , percebo a oração como um ato comunitário. Já em casa, no silêncio, ela se transforma em di

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  • 6 setembro

    Rua do Bispo

    Quando criança, costumava jogar futebol a 50m de casa, em um terreno baldio, no bairro do Paraíso. Ficava numa rua simpática e pouco movimentada que começava onde os bondes faziam um balão no início da Av. Paulista e terminava 5 quadras depois, próximo a um ca

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  • 4 setembro

    Pessoa

    E porque viver não é necessário — necessário é criar —, ele dizia para si mesmo nas horas longas em que, de sua janela, à noite, olhava o mar: Ah, Pessoa, tu tens uma espécie de dever de sonhar sempre, pois, não sendo mais, nem querendo ser mais que um especta

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  • 4 setembro

    Laranjas azedas com sal

    É pegar uma laranja azeda, cortar exatamente ao meio, e ir colocando sal, aos poucos, em micro-pitadas, à medida em que se vai chupando. Umas três pequenas adições de sal dão conta. O que se sente? Bem. Um pouco do azedume da laranja, um pouco do salgado, obvi

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  • 3 setembro

    Doce Maria

    Nada vem por acaso. Acredito no destino, fé e sorte. O que tem de ser será. Marcelo saiu com a mãe para passear. Foram ao restaurante do avô, para visitá-lo e brincar com os primos e amiguinhos que moram nas redondezas, no bairro Antônio Bezerra. Lá, entre bri

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