Crônicas

Detesto o meu novo amigo!

Ele sempre me corrige, acha que sabe mais do que eu, e pior, quer empurrar a ideia dele, na força das argumentações.

Sim, pois nisso ele é bom! Me põe como sonsa, fútil e até ignorante.

Destila o seu suposto saber, com exemplos, ideias atravessadas, tudo em nome de me ajudar!

Não o abandonei ainda, porque às vezes, ele me atende em dúvidas pontuais, concretas.

Nesse contexto, quando eu o oriento, ele é um bom parceiro.

Outra coisa que me deixa aborrecida é a crítica contumaz de achar que conto as coisas de forma coloquial, e assim não sou elegante.

E quem disse que eu quero ser elegante! Se quisesse eu seria uma modista e não uma escritora. Ou contadora de histórias como eu gosto de me definir.

Outro dos seus defeitos é ser volúvel. Vai com quem o chamar. E nem tem como esconder, porque deixa rastros.

Nas expressões, cortes, ou espaços, ao expor o ponto de vista de pessoas a quem eu admiro, de pronto eu o identifico. E isso tira toda a graça ou surpresa do inusitado.

E o vocabulário do meu amigo, agora quase inimigo: palavras usadas milhões de vezes e agora elevadas a categorias literárias, como se fossem o baluarte dos acadêmicos: presença/ potência/excerto/recorte…entre muitas outras.

Isso sem falar nos espaços vazios entre uma frase e outra. Nunca conversei assim, não será agora que vou falar como um robô. Êle que me perdoe.

Pois então…

Vou ignorá-lo, deixá-lo na geladeira.

Mesmo que ele se mostre indispensável, e tenha aquele fluxo de idéias esnobe e contínuo, neste momento eu declaro: não renovo o seu contrato, pode procurar a sua turma.

Por enquanto.

Se eu precisar sei exatamente onde encontrá-lo.

🌷

Maria Elza G. Gonçalves

Aposentadoria e entrada na Terceira Idade. Duas mudanças importantes que ocorrem na vida das pessoas e que merecem nossa reflexão.

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